Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-11-2006

SECÇÃO: Região

PELOS CAMINHOS DA SAÚDE
(ACERCA DO COMUNICADO DO PSD DE 30 DE OUTUBRO)

Analisando um comunicado recente da secção do PSD de Cabeceiras de Basto, tornado público sob o empolado título “Os maus caminhos da Saúde prejudicam os Cabeceirenses””, o que desde logo se me oferece dizer, é que o mesmo se situa ao nível dos seus promotores: Vago, confuso, irresponsável e de uma ligeireza surpreendente:
Vago, no seu conteúdo, do qual pouco ou nada se extrai, pois diz por dizer, como quem fala só por falar!
Confuso, porque se refugia num promíscuo enredo de “ignorância saloia”, no qual se baralham pessoas e instituições com foguetórios, arraiais e campos de batalha… e se confunde o essencial com o acessório, o provisório com o definitivo, a realidade com a utopia!
Irresponsável, porque foi o PSD, em 1991 (já lá vão quinze anos!...), era então Primeiro Ministro o actual Presidente da República, quem iniciou o processo de encerramento do antigo Hospital Júlio Henriques, sugerindo que se construísse de raíz um novo Centro de Saúde em Cabeceiras. Agora que está consumado o que à data se defendeu, dá-se o dito por não dito e rebuscam-se argumentos em recuperação de uma causa perdida!
Este comunicado não passa, por isso, de um mero exercício retórico e palavroso, que tem como objectivo confundir e “desestabilizar” os mais incautos, neste período conturbado da vida nacional, das grandes decisões e das grandes reformas que o Governo está a implementar, mais propriamente, no sector da Saúde.
Porém, diz-nos a experiência, que o recurso sistemático, “useiro e vezeiro” ao “COMUNICADO”, quando utilizado arbitrariamente como principal instrumento de combate político, acaba sempre por produzir efeitos contrários, senão vejamos:
Pretende o PSD fazer crer que todos os serviços efectos ao Centro de Saúde de Cabeceiras estão a funcionar mal e assim irão continuar!
Enganam-se, pois tal afirmação é mera especulação, uma dedução de conveniência, um desejo subjacente na mente da pessoa que o escreveu.
Os Cabeceirenses na sua grande maioria, sabem como funcionam os serviços de saúde, com a normalidade possível e de acordo com o que lhes foi garantido e tornado público. De um modo geral, os cabeceirenses confiam na pessoa do Director doCentro Saúde, na seriedade de processos e na palavra do Presidente da Câmara Municipal.
O que não se sabe, é em que condições estaríamos, caso a Câmara e Assembleia Municipais, as Juntas de Freguesia, o partido socialista e a grande maioria da população do Concelho, não tivessem em devido tempo, tomado uma posição firme, insurgindo-se contra a “negociata privada” que estava a ser engendrada entre responsáveis do anterior Governo, (através da ARS-Norte) e o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Cabeceiras, com a total anuência dos dirigentes locais do PSD!
Tal decisão inviabilizaria de vez, a construção da Unidade de Internamento, que brevemente vai ser construída junto ao novo Centro de Saúde e punha em risco o funcionamento da urgência. Tudo isto, a troco de uma promessa em favor de uma instituição privada, a Santa Casa da Misericórdia.
Aliás, não deixa de ser caricato que, enquanto o PSD local apregoa a sete ventos a pretensa “situação desastrosa” dos Serviços de Saúde em Cabeceiras, outros autarcas de municípios vizinhos, se mostrem de algum modo, incomodados com o que consideram ser uma “discriminação positiva” do nosso município, pelas verbas que lhe foram atribuídas em PIDDAC, o que nos permitirá ter a curto prazo, uma Unidade de Internamento com 16 camas e nos traz a possibilidade de manutenção do SAP (entenda-se por urgência) enquanto noutros municípios encerram!
Como se compreende que, o que é tido por uns como vantajoso, seja tido por outros como coisa tão má e desastrosa?
Mais incoerente ainda me parece o facto do PSD se insurgir contra os novos serviços de saúde que nascem em redor do Centro de Saúde, por iniciativa dos investidores privados (gabinetes de radiologia, ecografias e outros exames).
Que mal poderá daí advir para a vida dos cabeceirenses?
Afinal, não eram estas as novas valências que se anunciavam como “mais-valias”, para a tal Unidade de Cuidados Continuados? Preferiria o PSD ver estes serviços nas mãos do senhor Provedor? Porquê e a troco de quê? Onde está o direito à livre concorrência, que tão propaladamente dizem defender?
Visto de outro modo: A instalação destes serviços em Cabeceiras, por livre e espontânea vontade dos investidores, é a melhor prova da confiança e do reconhecimento da população pelas decisões tomadas e pelas vantagens resultantes da concentração de serviços naquela Unidade, bem como das valências inerentes ao Serviço Nacional da Saúde.
Daí que não seja descabido afirmar que, em política de Saúde (como noutras), o PSD de Cabeceiras falhou. Falhou, desde logo, ao politizar uma questão que mexe com saúde das pessoas e que a todos respeita. Falhou, ao colar-se declaradamente a uma iniciativa pessoal do Provedor da Santa Casa da Misericórdia, sem medir as consequências, pondo os interesses de uma instituição privada (respeitável e meritória) acima do interesse público. Agora, derrotado, custa-lhe (e demora) a assumir o fracasso e a aceitar legalidade reposta.
Entretanto, enquanto se assiste à implementação de melhores condições e das novas valências (a mudança do SAP para o Centro de Saúde é uma realidade irreversível e, provavelmente, quando este jornal chegar aos nossos leitores as obras de construção da nova Unidade de Internamento já se terão iniciado), tudo serve ao PSD local para exibir o seu inconformismo: Ou porque os poucos metros de rua que estão em mau estado (só porque está em obras) lhe fazem tanto empecilho, ou porque a área de estacionamento é reduzida, apesar de ter mais que triplicado em relação à do antigo Hospital !…
Por outro lado, propositadamente ou não, faz-se vista grossa a uma questão que julgo ser fundamental nesta fase e em todo este processo: Saber qual o destino que Santa Casa pretende dar ao edifício do antigo hospital Júlio Henriques! As pessoas não esquecem os zig-zagues do Senhor Provedor em relação aos serviços de saúde, mas reconhece-se-lhe a vontade (ainda que recente) de instalar naquele edifício uma Unidade de Cuidados Continuados, com muitas outras valências!
Ora, é do conhecimento público que o actual Governo já se disponibilizou a financiar a criação dessa Unidade, bem como a recuperar o edifício do antigo hospital…
Sabe-se ainda que o Governo aguarda já há alguns meses uma resposta concreta da Santa casa da Misericórdia sobre o assunto!...
Sabe-se também que a Câmara Municipal já manifestou vontade em colaborar com a Misericórdia, para a concretização destes projectos, desde que garantidas pelo Estado as condições anteriormente assumidas.
Então por que se espera? Vamos a isso! Ou será que tal vontade sobreviveu apenas enquanto o PSD foi Governo e logo se dissipou como nuvem passageira?
Os cabeceirenses reclamam saber, têm urgência em saber, qual o destino a dar ao edifício do Hospital (antes que se assista à sua degradação total!, pois é tido, (afirma-se), como património de todos, em memória dos cabeceirenses que há mais de meio século contribuíram abnegadamente para a sua construção.
Estranha-se, pois, não só a indiferença do PSD relativamente a esta questão da maior relevância, mas sobretudo, o silêncio dos responsáveis da Santa Casa da Misericórdia de Cabeceiras de Basto que, na salvaguarda do prestígio de uma instituição centenária prestadora dos mais relevantes serviços à comunidade cabeceirense, não poderão alhear-se das questões fundamentais e das responsabilidades inerentes, nem continuar na dependência de decisões arbitrárias de terceiros, nem sujeita às “birras” de quem quer que seja, nem muito menos, à cumplicidade política do seu Provedor.

Por: José Lopes
Membro PS da Assembleia Municipal

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