Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-10-2006

SECÇÃO: Opinião

ESTÃO A GOZAR COM A NOSSA INTELIGÊNCIA

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Apesar de ser quase uma fanática da caixinha mágica que temos em casa e ser uma espectadora assídua dos canais generalistas SIC e TVI, hoje não posso deixar de fazer aqui um reparo acerca dos programas transmitidos em horário nobre, ou para ser mais exacta – as telenovelas.
Há já algum tempo que tenho reparado na maneira como estes dois canais se de gladiam entre si. Mas esta concorrência desenfreada entre eles não surte o efeito que esperavam. Antes pelo contrário, eu e muitos como eu, consumidores habituais deste tipo de programas acabamos por lhes ganhar alguma aversão. Eu tenho que dizer com sinceridade que me sinto confusa e até me sinto ofendida com o atestado de “burrice” que a televisão me tenta passar.
Para não ir mais longe é lembrarmo-nos do famoso “Big Brother da TVI em que a Teresa Guilherme era a apresentadora. Teve o sucesso que teve, eu própria confesso que fui fã do Zé Maria e não tenho qualquer problema em confessá-lo. Talvez tal sucesso se devesse à Teresa Guilherme que com a sua maneira de actuar sem qualquer pudor frente às câmaras, em que quase “obrigava” os concorrentes a terem relações em directo durante a sua estadia na casa e marcarem casamentos porque isso era o que dava audiências. Nessa altura lembro-me que a Teresa Guilherme dizia que a TVI era o melhor canal que havia. Depois disso já esteve na RTP onde, na minha opinião, não teve a mesma popularidade. Agora está na SIC e tem produzido algumas séries e até tem feito de actriz que me parece não ser o forte dela. Infelizmente as séries também não são lá grande coisa.
Imagem retirada do site da sic
Imagem retirada do site da sic
Mas a guerra está instalada nos dois canais fortes da Televisão Portuguesa! Para começar temos a historinha da Floribela. Honestamente até vos confesso que tenho seguido regularmente esta série, porque lá pelo meio até vai aparecendo uma ou outra peripécia mais engraçada. De resto vocês apreciem: a Floribela chora por tudo e por nada, está sempre com o “meu príncipe” na boca, faz parte de uma banda que o patrão Frederico … “qualquer coisa” não conhece, ele nem percebe que a barriga da noiva não cresça, não acha estranho que a Floribela tenha uma árvore e a trate por mãe e que as suas sapatilhas têm mezinha, enfim… naquela casa mora toda a gente; é um entra e sai que nem vos digo.
Eu sempre gostei de histórias da carochinha como a Branca de Neve e os Sete Anões e a Cinderela. Ainda hoje quando as vejo em desenho animado o meu coração fica enternecido. São histórias que nunca mais se apagam da memória de quem as viu, elas fazem ou faziam com que o nosso coração sonhasse com o príncipe encantado.
Agora vejam que tipo de príncipe e de gata borralheira nos impigem e em horário nobre.
Mas o melhor está para vir. A TVI também não querendo ficar atrás vai daí e bombardeia-nos com uma historinha parecida. Parece que a história tipo mexicana também tem um personagem muito rico (onde é que eu já vi isto) com umas irmãs rebeldes e segundo parece também vai encontrar uma moça pobre vestida de freira e vem fugida à justiça …por quem já está a sentir atracção.
Imagem retirada da revista LUX nº 339 de 30 de Outubro de 2006
Imagem retirada da revista LUX nº 339 de 30 de Outubro de 2006
No meio de isto tudo o que interessa são as audiências. Há que espremer as emoções até ao tutano. Porque acreditem ninguém dá nada de graça. Basta ver o programa da Júlia Pinheiro “canta por mim” onde figuras públicas vão cantar a favor de uma causa, certamente causas muito nobres, não digo o contrário. Só isso já seria o necessário para os canais ajudarem sem necessidade de porem essas pessoas a “cantar e a desafinar”.
Tenho esperança que aqueles que tiveram o azar com o “cantor” tenham sorte com algum espectador samaritano, de posses e de bom coração que lhes possa realizar esses sonhos.
Depois há a telenovela "Jura" que tem despertado o interesse de todos, em especial dos homens que garantem não ver tal programa. Mas como tem a “rodinha vermelha” aí o assunto muda de figura…
Ó meus amigos sou uma senhora casada, mãe de três filhos e avó de quatro netos. Logicamente que sei o que é o mundo, leio muito e vejo muita televisão. Não vou abrir a boca de espanto até às orelhas até já tenho visto muitos filmes com “rodinha vermelha”, mas resolvi fazer greve da SIC durante o horário da novela Jura. Não tenho nada contra mas só acho que deviam passar em horário mais próprio.
Não acho justo que por causa da telenovela da “carochinha” Doce Fugitiva eu tenha que ver “Fala-me de Amor”, uma novela mais interessante, à meia-noite.
Vocês dirão para os vossos botões: a Fernanda se não lhe agrada a guerrilha e a troca e baldroca da SIC e da TVI só tem que mudar de canal. E têm razão, tenho outros canais felizmente. Enquanto estes dois “lutam” a RTP1 e a RTP 2 têm uma programação cada vez melhor.
Às vezes até me dá pena o “esforço que a Júlia Pinheiro faz nalguns programas de entretenimento. Vê-se que está desenquadrada. Mas, como se sabe o dinheiro fala mais alto e segundo consta recebe um grande “cachet”. E os patrões dos canais não são para brincadeiras. Pagam bem mas exigem que os apresentadores dêem o “litro”. Quando já não “servem” desaparecem dos ecrãs até porque a imagem começa a desgastar. Senão vejam o caso da Manuela Moura Guedes. De nada lhe valeu ser esposa do Eduardo Moniz. É que atrás deste todo-poderoso ainda há quem mande mais e talvez tenham achado que a sua arrogância com os convidados no Jornal da Noite ultrapassava todos os limites. Por muito que se esforçasse nunca conseguia ser neutra. Na minha opinião, embora eu não seja expert no assunto acho que ela devia ouvir com mais calma e não tomar partido e emitir juízos de valor frente às câmaras. Ainda me recordo das discussões em directo com o comentador e escritor Miguel Sousa Tavares.
Então quando acontecem desgraças como por exemplo o que aconteceu com a ponte Entre-Os-Rios, a TVI além de informar os portugueses como é normal ainda conseguiu “massacrar” os familiares constantemente fazendo-lhes perguntas do género: o que sentiu quando o corpo da sua mãe deu à costa? O que sentiu quando viu subir o autocarro? Era tudo espremido ao máximo. Estas atitudes nestes dois canais, principalmente na TVI deixaram-me muito desiludida.
Claro que também têm programas óptimos, mas são sempre fora de horas.
Apesar de tudo gostava que a TVI, que era o meu canal preferido, reconsiderasse, deixasse de repetições das novelas antes e depois do telejornal e que não pusesse tantas seguidas. Os portugueses também precisam de outros géneros de programa, especialmente de cultura geral. E a horas dignas.

Por: Fernanda Carneiro

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