Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-10-2006

SECÇÃO: A nossa gente

Armando de Oliveira Machado Duro
Arco de Baúlhe tem potencial de desenvolvimento invejável

Autarca experimentado, acumulando uma experiência rica conferida pelo estatuto de ser, presentemente, um dos presidentes das Juntas de Freguesia do concelho com mais tempo de exercício, Armando Duro, com 59 anos de idade, representa para os arcoenses quase um símbolo vivo e activo da vida da comunidade local.

Sempre preocupado com as coisas da terra e com o que se passa no dia a dia, sedento de ver o nome do Arco de Baúlhe citado e falado pela positiva em tudo o que é sitio, quando mais não seja para satisfazer a componente bairrista que aqui e ali salpica a manta coesa de uma população, que mantem as características apreciadas de trabalho e empreendedorismo.

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Entusiasmado e sem disfarçar uma pontinha de vaidade pelo crescimento do Arco de Baúlhe a que tem assistido nos últimos dez, doze anos, o presidente de Junta da vila arcoense fala-nos, nesta entrevista, da acção da sua autarquia, dos pequenos-grandes problemas que, diligente e discretamente, vai resolvendo com a sua intervenção sempre pronta e disponível e dá-nos ainda nota da dimensão sócio-económica e urbanística conseguida que guindou esta vila para um patamar de desenvolvimento de grande potencial.

Uma acção de formiguinha

Ecos de Basto – O volume de obras realizadas, nos últimos anos, pela Câmara Municipal em Arco de Baúlhe têm, de algum modo, ofuscado a acção da Junta de Freguesia. Quer-nos dizer quais as principais iniciativas desenvolvidas pela Junta que terão passado despercebidas da maioria dos arcoenses?
Armando Duro – A Junta de Freguesia tem feito muitas intervenções por toda a vila, em especial na melhoria dos acessos, arranjos urbanos, limpezas, canalizações de águas pluviais, e construção de muros. Destaco, neste particular, a pavimentação do “Quelho”, caminho antigo que liga a Rua do Arco aos lugares da Trofa e Ponte Velha. A construção de um escadario para ligação pedonal entre a Serra e o Canal (Ponte Nova) e a execução de muros de suporte de caminhos nos lugares da Serra, Cerca Nova e Crasto. Procedemos, também, à cobertura do tanque público da Fonte do Vale, beneficiamos e asseamos os espaços do cemitério, alargamos caminhos nas Gaiteiras, bem como renovamos e rectificamos vários aquedutos de águas pluviais localizados em múltiplos arruamentos e caminhos da freguesia com incidência em S. Martinho, Amparo, Perdizes e Quintã. Para além destas obras aparentemente de pouca monta, mas de grande interesse e benefício das populações residentes, continuamos com a nossa acção reivindicativa e de exigência junto do IEP, tendo conseguido a construção de passeios em parte da Av. Capitão Elísio de Azevedo, drenagem das águas da chuva em toda a sua extensão, assim como junto da EDP entidade à qual já solicitamos uma alteração dos dispositivos exigentes (quadros gigantes) mas frontarias de alguns prédios no centro da vila. Pedimos ainda á EDP a retirada de diversos postes em cimento que se encontram na Av. Capitão Elísio de Azevedo, de todo inestéticos para aquele local central da localidade.
A Junta do Arco de Baúlhe equipou e informatizou, igualmente, os seus serviços e criou uma página na Internet onde poderão ser consultadas informações da actividade autárquica, iniciativas sócio-culturais e recursos turísticos locais.





Obras viradas para o futuro

E.B. – Dos investimentos efectuados no Arco de Baúlhe pelo Município, alguns dos quais que contaram com a colaboração da Junta de Freguesia, quais são os dois ou três que mais têm contribuído para o desenvolvimento e progresso que se sente nesta terra?

A.D. – Do meu ponto de vista, e sem negar que todas as obras e investimentos feitos pela Câmara Municipal são essenciais para transformar o Arco de Baúlhe numa grande terra do futuro, destaco o Museu das Terras de Basto que atrai aqui centenas e centenas de turistas, a Biblioteca Municipal, uma infra-estrutura moderna que vai ajudar a formar e qualificar as novas gerações e o Bloco da Habitação Social que vai acolher 21 famílias carenciadas, melhorando, assim, as condições de vida de muitos arcoenses e vai permitir a demolição do bairro degradado de casas pré-fabricadas do Carvalhal.

E.B. – Assumindo-se já como o pólo de maior desenvolvimento do Município, logo a seguir à sede do concelho, Refojos, devido, especialmente, ao reforço da dinâmica empresarial (uma salutar tradição de muitos anos), à criação de serviços, à instalação de diversos equipamentos colectivos ou ainda por razão das obras executadas, com destaque para a escola EB.2,3, Biblioteca, Centro de Emprego das Terras de Basto, Gimnodesportivo, Piscina, Museu, nó de ligação á Auto-Estrada, Pontes da Barca e Habitação Social, o que é que agora falta ao Arco de Baúlhe?

Arco de Baúlhe ao nível de muitas sedes de concelho

A.D – Actualmente, devemos reconhecer que ao nível das infra-estruturas e dos equipamentos o Arco de Baúlhe pode-se comparar ou até superiorizar-se a muitas vilas que são sedes de concelho. Felizmente que encontramos uma Câmara Municipal e, particularmente, um presidente da Câmara que compreendeu a importância desta terra e, por isso, está a fazer-nos justiça. Ou seja, esta Câmara e este presidente tiveram a inteligência de traçar uma estratégia de desenvolvimento global, integrado e sustentado de todo o concelho, potenciando os recursos endógenos, as capacidades e riquezas emergentes da geografia, demografia e dinâmicas sociais, culturais e económicas locais. Apesar de tudo, ainda falta um investimento que classifico de grande alcance para todo o concelho. Trata-se da criação e infra-estruturação de um grande Parque Industrial já previsto no PDM, a localizar próximo do nó de ligação à Auto-Estrada (A7), em terrenos entre o Arco de Baúlhe e Vila Nune.

E.B. – Que fins vai ter para a comunidade local a antiga Casa do Povo onde decorrem obras de restauro e transformação?

A.D. – É outra obra importante para o Arco de Baúlhe, já que ali vai nascer um Centro Comunitário de que estávamos a necessitar. Depois de concluída a transformação do antigo edifício, que se localiza no principal centro cívico da vila, a Rua do Arco, o seu fim destinar-se-á, de acordo com o projecto delineado pela Câmara, a receber as principais instituições e associações da terra. Está, assim, garantida ali a nova sede da Junta de Freguesia, a sede social do Desportivo do Arco de Baúlhe e ainda um vasto espaço devidamente adaptado para as actividades culturais, recreativas, de formação e qualificação da ARCA. Este edifício voltará a ser uma outra casa do povo dos tempos modernos.

Parque industrial é a nova meta

E.B. – Um dos problemas mais prementes que se sentem no Arco de Baúlhe é a dificuldade em legalizar projectos de urbanização no centro da vila. Para quando a conclusão do Plano de Urbanização que vai resolver uma situação que se arrasta à imenso tempo?

A.D. – É, de facto, um problema de grande preocupação para a autarquia, apesar dos esforços da Câmara no sentido da sua aprovação o mais urgentemente possível. Posso adiantar, no entanto, que, segundo as informações recolhidas junto do Presidente da Câmara, a aprovação final do PU estará pronta até finais do corrente ano. Convêm também dizer que o Plano de Urbanização do Arco de Baúlhe inclui muitas outras modificações que vão alterar, no futuro, o desenho e a estrutura urbana desta vila, mediante a construção de novos arruamentos e aproveitamento de espaços a criar.

E.B. – A ausência de uma placa indicativa de saída em Arco de Baúlhe da Auto-Estrada (A7) tem provocado inúmeras críticas que culpabilizam as autarquias. Que comentário lhe merece esta situação?

A.D. – Compreendemos as críticas sobre esta questão. Só que nem a Junta de Freguesia, nem a Câmara são responsáveis pela sinalização da Auto-Estrada. A responsabilidade é da AENOR e IEP a quem já solicitamos, numa reunião efectuada há algum tempo, a colocação das placas indicativas da saída em Arco de Baúlhe. Foi-nos prometida a colocação dessas placas informativas a curto prazo, mas até hoje sem qualquer resultado. Vamos voltar à carga se nada se fizer porque temos direito a estar no mapa das estradas e do país.

Verbas não dão para meia missa

E.B. – Todos sabemos que as verbas recebidas pelas Juntas de Freguesias do interior são escassas e, quase sempre insuficientes. Para fazer funcionar uma autarquia à medida das necessidades e da importância do Arco de Baúlhe que dinheiros seriam precisos anualmente?

A.D. – Essa é uma questão fulcral que, por vezes, nos deixa constrangidos e sem vontade de trabalhar. O Arco de Baúlhe recebe em números redondos, 25 mil euros – 5 mil contos - que apenas dão para liquidar as despesas de funcionamento com os órgãos de autarquia, telefone, luz e fax. Para podermos ter no mínimo, um funcionário de apoio administrativo e um ou dois cantoneiros que nos permitisse executar pequenas obras e intervenções urgentes precisávamos de 100 mil euros – 20mil contos - . O que nos tem valido para além da excelente colaboração da Câmara, são os projectos de ocupação de desempregados do Centro de Emprego aos quais temos recorrido.

E.B. – Os Correios estão de novo, a voltar à carga, com a intenção de privatizar a Estação do Arco de Baúlhe. Qual é a posição da Junta de Freguesia quanto a esta questão?

A.D. - É outro ponto que nos está, novamente, a incomodar. Já reunimos o executivo e foi decidido não aceitarmos quaisquer condições que os Correios nos venham a propor para se libertarem dos serviços da Estação do Arco de Baúlhe que, sabemos, é uma das que regista maior movimento em toda a Região de Basto. Os Correios são um serviço público que têm a obrigação de servir as populações que pagam os seus impostos. A Junta de Freguesia não abre mão desta posição e nem sequer equacionará a alternativa de poder ficar responsável pelos Correios. Não foi eleita para isso nem muito menos é essa a sua vocação no caso de Arco de Baúlhe que não é uma terrinha de qualquer “ Maria Cachucha” como certamente pensam alguns “instalados” nos gabinetes da capital. Estou, neste caso, optimista, pois os Correios do Arco de Baúlhe são para continuar a desenvolver a sua benéfica actividade para que foram criados.

O Município registou uma “revolução” nos últimos anos

E.B. – Sendo um dos presidentes das Juntas mais antigos e que melhor conhecem a realidade do concelho que juízo faz do desenvolvimento registado na última década?

A.D. – Recordo que fui presidente da Junta com outra Câmara, liderada por outro partido, e sei bem do atraso e do panorama doentio que então se vivia. Uma tristeza! Finalmente, que chegou ao poder um homem e uma equipa que operou o “milagre” de, em doze anos, revolucionar todos os sectores da vida do município. Grandes obras, avultados investimentos, iniciativas pioneiras deram ao concelho um novo fôlego, uma nova dimensão de modernidade e de progresso. A conquista de um nível de vida melhor é uma realidade sentida pelas populações e isso é, só por si, uma grande vitória para quem lidera a Câmara Municipal e para todos os cabeceirenses.

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