Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-10-2006

SECÇÃO: Opinião

O SONHO DE PINTO DA COSTA

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No dia em que rebentou o escândalo no futebol italiano, com quatro equipas a serem castigadas pela Justiça desportiva do sue país, Milão, Fiorentina, Lázio de Roma e Juventus de Turim, esta a mais catigada, Pinto da Costa passou o dia a cismar e à noite sonhou (atente-se no sonho):
Fiz do meu Futebol Clube do Porto a maior equipa do mundo, mas para que tal acontecesse vali-me das minhas habilidades e com a ajuda de alguns amigos, entre os quais Lourenço Pinto, quando este era Presidente da Arbitragem, porque importava saber a forma de subornar os árbitros, lembrei-me de lhe pagar umas férias. Assim, Carlos Calheiros recebeu 700 contos para ir para o Brasil e Pinto Correia foi para Cancun, no México, e o João Mesquita fez as férias no Algarve e recebeu 280 contos.
E quanto a outros, umas promoções e outras benesses, porque quase todos procuravam ajudar o Porto e uma das coisas que mais interessava era não mostrar cartões aos meus jogadores, pelas faltas cometidas em campo sobre os adversários.
Ah! Victor Baía, antes de ir para Barcelona, nunca viu qualquer cartão, apesar de cometer algumas grandes penalidades e ter algumas saídas fora da área defendendo com as mãos. Eu ficava feliz!
E assim segurei o Sporting, que podia ter ganho três campeonatos, dois no tempo de Sousa Cintra e com José Roquette, que até fez a sua equipa vestir de luto. E eu a esfregar as mãos de contente!
O Porto ganha em Paris uma Supertaça, a mesma que o Benfica já tinha ganho. Mas, voltando ao Sporting, nas três citadas épocas, os árbitros “roubaram-lhe” 16 pontos em cada uma, que bom jeito fizeram ao Porto.
Eu não tenho medo da Justiça, porque as sei fazer bem feitas. Meteram-me no “Apito Dourado”, mas este processo veio tarde demais e até já estou livre dele. E continuarei, mais pela calada, a usar os mesmos truques. Agora tenho o meu amigo António Araújo, que tem muito jeito para o suborno, por isso Rui Alves lhe pediu para abordar o árbitro Augusto Duarte, uma vez que ia arbitrar o jogo Nacional da Madeira-Benfica. O combinado foi no Café Ferreira, em Braga. A seguir, o empresário telefonou-me a dizer que estava tudo certo. O Benfica perde esse jogo por 3-2, que muito jeito fez ao Porto e assim ficou com o caminho aberto para ser campeão, como foi em 2004.
Preparo-me agora para sacar 50 mil euros ao Estado, por me meter no “Apito Dourado”, mas a coisa é capaz de sair “furada”, porque apareceram por aí uns diabos a difamar-me e, se o Estado meter um bom advogado, posso perder a questão. Carago, que sonho!

Nota: Trata-se da transmissão de uma parte do relato do jogo Benfica-CUF, da época 1958/59, retirado do Jornal “Comércio do Porto”, que diz o seguinte:
“Primeiro golo do Benfica aos 14 minutos, de penalty indiscutível; 2º golo aos 26 m, de penalty forçado; 3º golo aos 35 m, marcado por Mendes; 3 minutos depois do intervalo, o ponta direita Chino desfere um potente remate e marca o 4º golo; aos 13 m, Cavem é rasteirado dentro da grande área, Águas marca o seu 3º penalty e faz o 5º golo do Benfica; aos 15m a CUF faz até então a única jogada de perigo e marca o seu único golo, de cabeça, por Quaresma; aos 20m, batendo a bola com o peito do pé, quando José Maria, que substituíra Gama, sai os seu encontro, Águas faz o 6º golo do Benfica; aos 37, na marcação de um livre, Mendes, o “pontapé-canhão”, marca o 7º e último golo. Resultado: Benfica-7 – CUF-1.
Como se vê, o árbitro Inocêncio Calabote, não esteve assim tão mal. Apenas dois erros a apontar, o 2º penalty e uns minutos que deu a mais no fim do jogo. Nem os portistas na ocasião falaram em suborno, os jogadores do F.C.Porto aguardaram no campo do Torres Vedras que o jogo no estádio da Luz acabasse, para dar largas à sua alegria, depois de ter ganho por 3-0 e sido campeões”. E forma campeões com o mesmo número do pontos que o Benfica, mas com melhor “goal-average”.

Por: Francisco Pereira (Benfica)

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