Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-10-2006

SECÇÃO: Região

Entre a Cinza e o Verde – Você decide

Tendo em vista sensibilizar a população para a prevenção dos incêndios florestais, e no âmbito da campanha nacional em curso, a DGRF [Direcção Geral dos Recursos Florestais] e a ADEFM [Associação de Defesa da Floresta do Minho] promoveram no passado dia 7 de Outubro, uma sessão informativa em Cabeceiras de Basto. Dirigida a segmentos da população e empresas identificados segundo tipificação das causas de ignição de acordo com o plano de sensibilização da DGRF para o período 2006/2007, esta iniciativa teve como principal objectivo debater a problemática dos fogos florestais, na sua maioria resultantes de causas humanas.
Na acção “Entre a cinza e o verde. Você decide” realizada no Auditório Municipal estiveram presentes em representação da ADEFM, José Manuel Marques e o técnico Luís Freitas, bem como o Presidente da Câmara Municipal, Engº Joaquim Barreto e o representante do Gabinete Técnico Florestal, Engº Luís Filipe Lopes, a que se associaram outros elementos da Comissão Municipal da Defesa da Floresta Contra Incêndios e demais interessados na matéria.

Luís Filipe Lopes, Joaquim Barreto, José Manuel Marques e Luís Freitas constituíram a mesa que debateu a problemática dos Incêndios Florestais
Luís Filipe Lopes, Joaquim Barreto, José Manuel Marques e Luís Freitas constituíram a mesa que debateu a problemática dos Incêndios Florestais
Apesar do pouco público presente, a problemática dos incêndios florestais esteve em debate, altura em que foram apresentados, pela ADEFM, alguns dados nacionais referentes a 2006, que permitiram estabelecer uma comparação com os anos anteriores, que apresentaram números catastróficos para a floresta portuguesa.

A floresta exige motivação


Na ocasião, e após a explanação do técnico Luís Filipe Lopes no que se prende com o trabalho desenvolvido pela Comissão Municipal, Joaquim Barreto, Presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, referiu que a defesa da floresta só é viável se houver uma parceria entre vários agentes. Isto é, para o autarca é preciso haver motivação para a floresta e consequentemente é fundamental a existência de uma planificação, onde esteja prevista a criação de espaços canais para o desenvolvimento de várias actividades promovidas por diferentes utilizadores, referindo-se com isto à necessidade de haver locais para a caça e locais para o desenvolvimento das tarefas do dia a dia dos agricultores /produtores, entre outros. Tem que haver por isso, diálogo e proximidade com as pessoas, as quais devem ser apoiadas e sensibilizadas tecnicamente tendo em vista a protecção da floresta e a colaboração com os responsáveis. Só com o envolvimento dos utilizadores mais directos, o ordenamento e a consequente produtividade deste sector com benefícios directos, é possível ver o uso múltiplo da floresta, a sua valorização, preservação e defesa.

Zona de Intervensão Florestal, uma solução

Por sua vez nesta sessão, o Consultor do CNA, Engº Gama Amaral, defendeu a necessidade da constituição de ZIF’s – Zonas de Intervenção Florestal, uma vez que 87 por cento da floresta portuguesa pertence a particulares e como tal é necessário criar condições para a sua limpeza e uma intervenção directa nas mesmas tendo em vista a sua defesa e preservação, constituindo-se desta forma um “condomínio florestal” resultante da colaboração de todos os intervenientes, Estado, proprietários e baldios. Gama Amaral defendeu assim a urgência de uma mudança de mentalidade que implica uma nova dinâmica e a passagem para a prevenção, o combate e a limpeza, através de um plano de intervenção florestal previamente definido.
A findar a sessão, houve ainda espaço para um debate muito participado sobre uma problemática tão complexa como importante para a região e para o país.

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