Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-09-2006

SECÇÃO: A nossa gente

Engº Manuel António Ramos Pereira
O presidente da Junta que quer transformar Vilar de Cunhas

Manuel António Ramos Pereira é engenheiro de gestão de empresas agrícolas, tem 34 anos e exerce o cargo de Presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Cunhas desde 2005.
Casado e pai de um pimpolho ainda muito jovem, nado e criado em Uz, aldeia típica da freguesia de Vilar de Cunhas, o “Raminhos”, como é carinhosamente tratado no meio, é um profundo conhecedor da realidade da sua terra e das aldeias serranas onde também guardou o gado dos seus pais, lavradores naquelas paragens do interior do concelho de Cabeceiras de Basto.
Técnico dos quadros da Mútua de Basto desde há dez anos, assumiu, paralelamente, a partir das últimas eleições autárquicas, as funções de Presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Cunhas deste município cabeceirense.

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Para nos falar da sua acção à frente daquela autarquia decidimos ouvir esta figura que, elegemos, simultaneamente, para o galarim da rubrica “Nossa Gente”.

Ecos de Basto – Qual a motivação mais forte que o levou a candidatar-se a Presidente da Junta de Freguesia?
Manuel António R. Pereira – Quis, antes de mais, corresponder a um repto lançado pela anterior presidente da Junta, Prof. Cecília Carvalho. Havia um trabalho iniciado há 8 anos na autarquia na qual eu era também corresponsável, visto pertencer ao executivo com as funções de Secretário da Junta. Estava em curso um projecto político de grande importância para a freguesia e, por isso, me candidatei com o apoio da maioria da população dai resultando a minha eleição, facto que confirmou a confiança no trabalho que vinha a ser desenvolvido. É claro que só fui candidato devido à impossibilidade manifestada pela Prof. Cecília e ainda porque recebi o apoio inequívoco da força politica, o PS, pela qual concorri.

As dificuldades também são motivadoras

E.B. – Qual é a sensação que sente em ser autarca numa freguesia distante e serrana como é Vilar de Cunhas?
M.A.R.P – É uma sensação agradável e até, ao contrário do que muitos pensam, motivadora perante as dificuldades. O facto de ser uma terra situada em plena montanha traz vantagens e desvantagens. As desvantagens todos as conhecem, como sejam a distância dos centros urbanos do concelho, o acesso mais difícil os serviços e aos equipamentos sociais e culturais. As vantagens também existem tais como as belíssimas paisagens, o ar puro e saudável, os recursos cinegéticos, as potencialidades florestais e de criação de gado. Aqui a qualidade de vida e o ambiente são, realmente, um paraíso. São, aliás, estas riquezas naturais que poderão ser aproveitadas no futuro, através de investimentos turísticos e de lazer. As condições existem e nós, Junta de Freguesia, estamos disponíveis para apoiar, só faltam os investidores.
E.B. – Quais os principais problemas da freguesia que dirige?
M.A.R.P. – O problema maior que, no momento, mais preocupa a Junta de Freguesia é, sem duvida, a falta de um serviço de apoio a idosos, que são a grande maioria da população residente nos três lugares da localidade, Vilar, Cunhas e Uz. Temos muitas dezenas de pessoas, com idades superiores a 65 anos, que viveram na solidão, entregues a si próprios, doentes, com muitas carências sem que tenha, até agora, havido qualquer resposta solidária por parte da comunidade. É, pois, nossa intenção aproveitar em breve, uma das escolas que agora ficaram vagas para aí instalar um espaço de convívio e lazer integrando também uma resposta de apoio domiciliário. Estamos a envidar esforços para avançar com a criação de uma associação de cariz social ou, em alternativa, estabelecer um protocolo com outra instituição já a funcionar.

O fecho das escolas é um mal necessário

E.B. – O que pensa do fecho das escolas, medida que atinge particularmente Vilar de Cunhas?
M.A.R.P. – Atendendo à escassez de população e, consequentemente, de crianças acho a medida como um mal necessário. Não é possível, concerterza, manter em funcionamento escolas com 2,4 ou 5 alunos. Isso é, sobretudo mau para a educação das crianças e uma das causas do insucesso escolar. Temos que concordar que os alunos ao integrarem-se em centros escolares, devidamente equipados e com acesso a todos os níveis e recursos pedagógicos, são beneficiados e isso é mais importante do que estarmos a esgrimir outros argumentos sobre falsas ilusões ou sonhos irrealizáveis. A realidade de hoje já não é a mesma de há 30 ou 40 anos atrás, pelos que temos que mudar e procurar adaptarmo-nos ao mundo dos nossos dias.
E.B. – Alguma vez pensou numa medida “milagrosa” que pudesse alterar radicalmente o fenómeno da desertificação humana destas terras do interior?
M.A.R.P. – Não, não tenho, e acho que ninguém tem uma poção milagrosa para dar solução de imediato à dolorosa questão que é a desertificação das nossas terras mais sertanejas.
Mas digo-lhe que tenho pensado muito em possíveis iniciativas para amenizar e até contrariar o fenómeno. Uma delas é através do turismo, com a instalação de um restaurante de características regionais e onde os nossos produtos mais genuínos e de melhor qualidade fossem o cartão de visita. Uma outra aposta poderá ser o aproveitamento da neve que em UZ cai com frequência nos meses de Inverno, o turismo de habitação rural e a criação de um circuito de visitas às paisagens da serra, privilegiando os contactos com as tradições comunitárias, as práticas agropecuárias e a etnografia local.

Uma experiência positiva

E.B. – Tem sido positiva esta sua experiência na liderança da Junta de Freguesia de Vilar de Cunhas?
M.A.R.P. – A minha experiência nas funções de presidente da Junta tem sido francamente positiva. Sinto-me bem quando estou a trabalhar pelos outros, em favor da comunidade a que pertenço. É sempre um orgulho muito grande quando nos sentimos úteis e fazemos algo pelo nosso semelhante. Ajudar as pessoas a resolver os seus problemas e contribuir para que possam ter uma vida melhor tem sido o meu lema permanentemente e é com esse objectivo que continuarei até ao fim do mandato. Ás vezes um simples conselho, uma pequena ajuda no preenchimento de um documento ou uma insignificante orientação no tratamento de uma qualquer questão na vida das pessoas e das famílias tem um significado extraordinário para as mesmas. Ora, isso para mim é gratificante e dá-me ainda mais força.
E.B. – Quais as obras mais importantes e significativas que tem realizado ao longo do seu mandato?
M.A.R.P. – Com o apoio da Câmara Municipal, temos dado andamento à pavimentação e arranjo de caminhos e estamos a concluir a ampliação do cemitério de Cunhas, entre outras iniciativas de menor dimensão.

Apoio aos idosos é a prioridade

E.B. – Que projectos tem em carteira para o futuro?
M.A.R.P. – Para além daquela prioridade de que atrás falamos, relativamente ao apoio aos idosos, temos em plano melhorar o abastecimento domiciliário de água à freguesia, problema que passa, também, por disciplinar e moralizar a sua distribuição e consumo. Ou seja, como a água é distribuída gratuitamente, muitos consumidores usam-na abusivamente e provocam desperdícios que se reflectem na sua falta em certos períodos do ano. Estamos, portanto decididos a resolver a situação entregando à Câmara a gestão e o controle deste bem de consumo doméstico essencial para que o abastecimento seja integrado na rede pública de distribuição municipal. Queremos, igualmente, com a ajuda da Câmara, rectificar a estrada entre Uz e Moscoso, com a finalidade de acabar com algumas curvas apertadas que dificultam o trânsito. É nosso desejo ainda construir um polidesportivo e reconstruir a Levada da Aldeia, regadio importante para os nossos agricultores e que será concretizada logo que nos sejam concedidos os apoios a que nos candidatamos no âmbito dos projectos da Comunidade Europeia.

As verbas da Junta são insuficientes

E.B. – Considera suficientes as verbas atribuídas às Juntas de Freguesia destas terras do interior como é Vilar de Cunhas?
M.A.R.P. – A verba proveniente de transferência anual que nos vem do Estado é, claramente, insuficiente para que possamos realizar o mínimo daquilo que a freguesia precisa. As verbas que recebemos deviam ao menos permitir-nos ter um cantoneiro permanente e um funcionário administrativo. Olhe, quantas vezes são os elementos da Junta a ter que fazer todos os trabalhos ácerca das papeladas e, mais do que isso, vão eles próprios pegar na enxada ou na pá para desimpedir uma valeta ou tapar um buraco no caminho. As Juntas precisam de mais meios financeiros para investir, na certeza de que com menos dinheiro as autarquias fazem mais e melhores obras.

O concelho regista progresso assinalável

E.B. – Como vê o desenvolvimento que se verifica nos últimos anos no concelho cabeceirense?
M.A.R.P. – Vejo com inteiro agrado o surto de desenvolvimento e de progresso a que hoje se assiste no nosso concelho. O trabalho desenvolvido pela maioria política que detém o poder municipal, tem sido admirável. Ao longo destes últimos 13 anos, a Câmara presidida pelo Engº Barreto operou uma viragem na história de Cabeceiras de Basto. Uma mudança total do estado das coisas, de um completo retrocesso e atraso, que empurravam o concelho para o abismo, para uma nova rota de modernização, progresso e esperança. Todas as aldeia foram servidas com estrada, os equipamentos, as infraestruturas básicas, as iniciativas culturais, os parques industriais, o estímulo ao crescimento comercial e urbano, os apoios aos jovens e aos idosos, a solidariedade e a partilha de ajudas com as Juntas de Freguesia, Associações e Instituições Locais, enfim todo um mundo de medidas e de acções que estão a fazer deste concelho uma terra com futuro e onde as pessoas se sentem bem.


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