Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-07-2006

SECÇÃO: Crónica

O adeus a Maria da Nazaré

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Não era minha intenção escrever alguma coisa neste número de final de Julho. Vou entrar no período de férias e eu preciso de fazer uma pausa.
Por mais simples que as minhas crónicas sejam sempre tenho que me concentrar um pouco e fazer um certo esforço até porque me não considero uma “expert” a português. Mas também devo fazer uma pausa quanto mais não seja para dar algum descanso aos meus queridos leitores.
Porque já acuso algum cansaço pensei escrever no final de desfrutar das minhas férias.
Mas alguma coisa de muito triste aconteceu perto da minha casa ou seja na nossa vila de Refojos. Uma triste notícia, inesperada, dramática que me abalou da cabeça aos pés. Fui surpreendida na segunda-feira dia 24 do corrente pela manhã por uma amiga que me transmitiu a triste notícia do falecimento da Maria da Nazaré. Para quem não sabe a Nazaré era funcionária na Segurança Social local e era filha da D. Conceição Araújo mais conhecida pela “Miquinhas Casimiro” aposentada da Escola E B 2, 3 de Cabeceiras de Basto. Fiquei em choque e não queria acreditar. Embora eu seja mais velha alguns anos do que ela sempre fomos amigas e sempre convivi de perto com ela e com a família.
Há muitos anos fizemos parte do Coral de S. Miguel de Refojos dirigido pelo Maestro e compositor Dr. Joaquim Santos. Trabalhámos juntas durante um ano em 1986, eu pela Câmara Municipal e a Nazaré pela Segurança Social, num programa ocupacional em colaboração com o Centro de Emprego de Fafe, em que o nosso trabalho consistia em fazer uma levantamento das carências a nível económico e a nível de deficientes (se me não falha a memória). Foi uma óptima colega e muito colaborante.
Tenho da Nazaré as melhores recordações. Foi sempre uma rapariga serena, sempre com um sorriso nos lábios mesmo até quando a vida não foi muito justa com ela na sua realização profissional.
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Agora que era uma mulher casada, feliz e com um filho maravilhoso, realizada profissionalmente eis que o destino lhe prega esta partida.
É nestes momentos de desespero e de injustiça, e refiro-me também ao que vejo diariamente na televisão, como a guerra no Líbano, que perdemos a fé e me questiono se existe algo mais para além desta vida terrena. Questiono mesmo se há Deus. Esse Deus que deixa acontecer tantas atrocidades. Felizmente essas dúvidas duram pouco tempo.
Acho que não é justo que uma mãe deixe um filho ainda tão pequeno, que não esteja presente nos momentos importantes e nas diversas fazes da sua vida. Acho que não é justo que um lar jovem e feliz seja drasticamente “decepado” de um membro importante.
Mas quem somos nós, simples humanos para compreender o que é e o que não é justo?
Eu, sou cristã, temo e respeito, mesmo não sendo uma praticante quanto devia ser quero pensar que Deus tem o nosso destino traçado e portanto chegou a hora da Maria da Nazaré e de outras pessoas que como ela já abandonaram este mundo. E nós só temos que aceitar, embora nos custe muito.
Tenho a certeza e quero acreditar que Deus a tem em bom lugar e que do lugar onde está velará para que o seu marido Paulo e o seu filhinho João sejam felizes e consigam ultrapassar com o tempo que “tudo cura”. E que seria do mundo se assim não fosse!
Muitas mais coisas boas poderia dizer sobre a Nazaré mas quem vivia por perto dela como eu não precisa de as ler no Jornal para saber como ela era.
Pela minha parte espero que os leitores do Ecos de Basto não pensem que sou portadora das más notícias, que só escrevo estas dedicatórias a algumas pessoas. Tenho pena de todas as pessoas que morrem e conheço quase todas as pessoas do concelho quanto mais não seja de vista. Mas como podem compreender umas tocam-me mais que outras o que naturalmente se deve à nossa convivência diária.
Aproveito para apresentar sentidas condolências a esta e a outras famílias enlutadas.
Que a Maria da Nazaré repouse em paz!

Por: Fernanda Carneiro

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