Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-07-2006

SECÇÃO: Opinião

Israel VS Líbano: Outra Rajada de Vento de Loucura Humana

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Ultimamente temos sido invadidos com as notícias cada vez mais chocantes dos acontecimentos no Médio Oriente, propriamente entre Israel e o Líbano. Os conflitos entre países do Médio Oriente tornam-se a música dos nossos ouvidos, em que só muda os cantores, pois a letra é tão semelhante que começa a passar por despercebido a passagem da faixa do CD. Contudo, apesar destas notícias passarem diante dos nossos olhos à velocidade do vento, é difícil esquecer aquelas imagens que repetidamente passam nos telejornais, que por segundos a nossa inconsciência pensa tratar-se de uma publicidade de um novo filme de terror que “estará em breve no cinema mais perto de si”.
Apesar do cenário do Líbano ser propício a realizações de filmes, uma vez que são lugares por onde Jesus caminhou há 2 mil anos, decorados por belas colinas, uma arquitectura única, de uma beleza estonteante, de um património rico que hoje, devido à teimosia e birra de uns senhores que querem monopolizar o que é seu e o que não lhe pertence, esta paisagem única está em chamas, coberta de pó e um céu cinzento, com um aroma a sangue e um chão decorado com marcas de mortos, bem como de restos mortais daqueles que ainda não foram dignamente enterrados.
No entanto, lamento em desiludir, mas não se trata de uma nova ficção de entretenimento, mas sim de um filme real vivido pelos libaneses, devido ao sequestro de um soldado junto da Faixa de Gaza, pelo Hamas, e de outros dois na fronteira de Israel com o Líbano, pelo Hezbollah (grupo radical xiita que opera livremente no sul do Líbano). Estes foram os motivos para originar o pior conflito transfronteiriço Israelo-árabe desde a invasão israelita do Líbano em 1982. Portanto, encontramo-nos em mais um cenário de guerra violenta, em que os principais massacrados são os civis, que friamente são mortos, suas casas destruídas, suas aldeias bombardeadas, em que persiste a insegurança e o medo.
Passados alguns dias de prática desta loucura que invadiu as mentes de alguns poderosos, deparamo-nos com estatísticas que confirmam a morte de mais de 600 pessoas, fora outras tantas que com o pó sentido cega os olhares atentos, a destruição de infra-estruturas, se encontram debaixo dos escombros. A guerra entre Israel e o Hezbollah ameaça expandir-se, sem qualquer solução diplomática à vista, descontrolando o sono com o som das bombas daqueles que pensavam terem reencontrado o baú da paz eterna.
Graças a associações de solidariedade internacional, como a Cruz Vermelha e a AMI, entre outras, os libaneses vêm nesses voluntários a esperança de sobreviverem a ataques que nada têm a ver, que trouxeram a fome, a doença e a morte na sua bagagem, mas devido às fracas infra-estruturas e condições de trabalho precário, a actividade destes “salva-vidas” torna-se complexa. É unânime a opinião, tanto para o G8 (grupo de países mais poderosos do Planeta) como para a ONU (Organização das Nações Unidas), da necessidade de uma nova força de intervenção, devido aos fracassos das existentes. Tal como a publicidade da Carris indica “não veja o comboio a passar, viaje nele”, não devemos ficar inertes a este terror vizinho, mas como não são com palitos que se constrói o navio de guerra, cabe abanar as mentes dos poderosos para cessar com esta guerra estulta.




Por: Sílvia Machado

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