Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-06-2006

SECÇÃO: Região

Homenagem à senhora Belmira de Magalhães Leite Matos

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Queridos leitores, ultimamente ando triste e pensativa com tantos funerais que têm acontecido em Cabeceiras. Sei que todos os dias morrem pessoas, que temos de encarar a morte com naturalidade mas, isso é bom de dizer da boca para fora… Custa muito porque na nossa terra todos nos conhecemos uns aos outros, claro que uns mais que outros. Recentemente as pessoas que têm falecido em Refojos ou em freguesias limítrofes têm desaparecido demasiado novas. Das que me afectou mais, entre outras, foi o falecimento da minha querida Belmira. Ainda estou sem acreditar, mas é a triste verdade!
A minha amiga Belmira, conhecida pelo apelido dos “rolos” faleceu depois de um ano de sofrimento. Era uma mulher de baixa estatura, franzina mas com carácter forte, possuía uns olhos vivos, uma simpatia e uma inteligência fora do vulgar. Não tinha grandes estudos, apenas a quarta classe, mas que nos tempos de hoje corresponde ao nono ano de escolaridade.
Eu ficava surpreendida com os temas que, muitas vezes, abordávamos juntamente com a nossa amiga comum, a Anita da Toca, também, infelizmente já falecida, vai para três anos, e o à vontade com que ela expressava a sua opinião. Para esses conhecimentos, também, terá contribuído o facto de ter vivido muitos anos na Venezuela, onde nasceram os seus quatro filhos.
Como as coisas lá pela Venezuela ficaram más a nível de emigração, ela e o seu marido acharam por bem virem com os seus filhos de vez para Portugal.
No entanto, a senhora Belmira, que é de uma família muito grande, boa e honrada, depressa cativou quem com ela privava. Como tinha umas “mãos de prata”, tudo o que fizesse era bem feito. Não tenho vergonha de dizer que aprendi bastantes coisas com ela, inclusive alguns truques domésticos, entre outros.
Belmira Magalhães Leite Matos (Rolo)
Belmira Magalhães Leite Matos (Rolo)
Muitas vezes quando me via juntar algumas revistas para deitar fora dizia-me:
-”Se as revistas forem para deitar fora eu levo-as para ler”. E li-as todas.
Estava sempre actualizada com os assuntos de interesse nacional e dava a sua opinião acerca do que estava bem ou mal no nosso país.
Quando podia nos seus tempos mais vagos, e que não eram muitos, lia alguns artigos dos jornais que a Nitinha da “Toca”tinha no seu restaurante, no intervalo da hora do almoço.
A Belmira, o seu marido António e os quatros filhos, formavam uma família exemplar. Era uma mãe sempre preocupada com os seus filhos, como qualquer mãe, mas com uma compreensão própria dos tempos de hoje.
Pena foi que partisse tão nova com apenas 58 anos. Custa-me imenso pensar que as minhas amigas vão partindo, pouco a pouco, ainda com tanto para andar e isto, acreditem em mim, tem mexido com a minha cabeça. Acho que qualquer mãe faz falta numa casa, quanto mais uma desta idade…
Eu, que já tenho quatro netos pequenos sinto a falta da minha mãe que morreu há um ano. Para mim, também morreu muito nova…tinha 75 anos. Quando numa família começa a morrer a mãe ou o pai, parece que a casa fica toda escangalhada. Mas é a lei da vida! Ninguém fica cá.
Devia encarar a morte com naturalidade mas não consigo. Peço a Deus que alivie o sofrimento aos que sofrem neste mundo e aos que já partiram e, incluo os meus queridos familiares e os amigos, nesta caso a Belmira, que Deus lhes reserve um canto no Céu.
Nunca os esquecerei.
Até sempre…

Por: Fernanda Carneiro

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