Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-06-2006

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (66)

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GRILOS

A história tem andado muito depressa nos últimos cinquenta anos. Muita gente se lembrará de que, há pouco mais de meio século, havia em Cabeceiras apenas quatro ou cinco automóveis. Eram dois carros de praça, sendo um o do Ricardo, que transportava o Senhor Arcipreste a Chacim, para celebrar missa na capela de Santo Amaro, e o Dr. António, da Casa da Eira, de Riodouro, sempre que tinha necessidade de vir à vila. Os de particulares eram: o do Senhor Dr. Francisco, o do Eng. de Aradela, o do fidalgo da Casa da Portela, próximo da Ponte de Pé e o da D. Maria Ana do Alvação.
Nos dez anos mais recentes, a aceleração da história tem sido ainda maior, e onde se verificou mais foi no sector das comunicações. O telemóvel, tornou-se um bem de primeira necessidade. Velhos, novos, crianças e analfabetos, toda a gente tem um aparelho de comunicação à distância, um telemóvel. Existe mesmo competição, que passa por ver quem consegue ter o mais pequeno e o mais leve. Muitos têm mesmo dois ou três. Torna-se até caricata a figura, nomeadamente de jovens empresários de sucesso, com um telemóvel em cada uma das mãos, ora fala para este, ora fala para aquele.
E quando alguém se esquece do aparelho? Isso é que é um grave problema. É uma situação tão delicada e embaraçosa como quando se esquece dos óculos ou da dentadura. Também não consegue distinguir-se, se as pessoas usam uma qualquer prótese por dificuldades auditivas, ou se, pelo contrário, se trata de um acessório mãos livres do telemóvel.
Não tardará muito, e eu estou com alguma curiosidade em presenciar o evento, que para melhoria das condições de audição, o apetrecho que agora é usado atrás da orelha, seja complementado com um par de pequenas antenas. Todos sabem que o telemóvel tem uma antena, e que, para que esta funcione convenientemente, deve estar exposta ao espaço exterior. Ora estando o aparelho no bolso, e a comunicação a ser feita através do auricular, parece evidente que a melhor forma de resolver a questão, será a de equipar o auricular com um par de pequenas antenas.
Já estou a imaginar os fanáticos do telemóvel, do mais pequeno e mais leve, e ainda do mais sofisticado, com um par de antenas, a sair de algum lado das proximidades das orelhas, nada mais nada menos que uma legião de grilos. Quem sabe se não seria uma boa ideia de denominação, para a nova empresa de telecomunicações, que vai resultar da fusão da TMN com a Optimus, se a OPA da segunda sobre a primeira obtiver sucesso. Estou a pensar em Telegrilo, ou então, em versão estrangeira, em inglês, “Telecricket”.
Por falar em grilos, não resisto à tentação de contar uma história que tem a ver com uma assembleia geral do Salgueiros. Antes de prosseguir, informo que o nome daquele prestigiado clube de futebol é Sport Comércio e Salgueiros, vulgarmente conhecido pelo clube de Paranhos, e que a sua constituição resultou da reunião de um pequeno grupo de trabalhadores da fábrica de Salgueiros, que ficava num dos quarteirões delimitados pelas ruas da Constituição e de Antero de Quental. A referida reunião vem referenciada como tendo decorrido junto a um dado candeeiro, o candeeiro número xx, da rua da Constituição, na cidade do Porto.
Voltando à assembleia, que aqui quero referir, tratou-se de uma assembleia geral ordinária, que decorreu numa determinada data, e, estando a mesma no seu auge, houve um sócio que pediu para usar da palavra. A palavra foi-lhe concedida, e ele, naturalmente para dar a entender que era uma pessoa simples, iniciou a sua intervenção dizendo: “caros amigos, eu, que sou um simples filho das ervas”… neste momento surge uma voz lá do fundo da sala que diz: “então és grilo”…o primeiro responde de imediato: “grilo é a grande p.q.p.”… A assembleia terminou neste preciso instante.
PS: Morrer como um grilo, sabem o que significa? Se tiverem curiosidade escrevam para: josecostaoliveira@sapo.pt

Por: José Costa Oliveira

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