Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-06-2006

SECÇÃO: Opinião

A Importância da Formação Profissional

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A propósito da Festa da Educação, Cultura, Formação e Emprego que se realizará nos próximos dias 23, 24 e 25 de Junho no Mercado Municipal, na qual estarão representados todos os cursos de formação profissional do concelho de Cabeceiras de Basto, é pertinente reflectir sobre a importância e ideias ao redor da formação profissional e respectiva sociedade em que estão inseridos.
Persiste uma ideia preconceituosa de que os cursos não têm mais finalidade alguma senão a retribuição financeira mensal, que as horas de cada dia são passados em pleno lazer, que para agravar, no final do curso nem o diploma interessa, mas apenas o conhecimento da abertura de um outro curso, fazendo da formação um ciclo vicioso de subsistência. Mas, afinal, quem incute estas ideias à sociedade? Será a sociedade que, através do seu comodismo e espírito crítico não construtivo, transmite essas ideias para ela própria? Paradoxalmente, a sociedade enquanto sistema de valores e normas, transmite preconceitos que não vão a encontro do objectivo geral da sociedade em si, na medida em que, por um lado tenta criar mecanismos de valorização e qualificação de recursos humanos e potencialidades para uma rápida e eficaz inserção no mundo do trabalho, como por outro, inspira um pessimismo à volta do cerne do objectivo, de modo a que as pessoas entrem num navio sem porto à vista. Deste modo, como é que haveremos de atracar em bom porto, se a carga que trazemos para além de pesada é inimiga?
Consciente da sociedade em que vivemos e suas necessidades, claro está que a retribuição financeira é importante, senão como sobreviviam os formandos? Uns com família constituída, outros com o futuro para preparar? No entanto, este não deverá ser o objectivo central, caso contrário, os ponteiros do relógio demorarão a passar desde segunda a sexta-feira…é necessário estar inserido no curso pretendido, com finalidades futuras bem delineadas, para assim retirar da formação riquezas que serão valiosas na inserção profissional, que os tornará eficazes, distintos e realizados.
No âmbito da União Europeia, Portugal tem uma necessidade primordial de investir nos recursos humanos, de proporcionar formação profissional para qualificar os seus recursos, tanto a nível escolar como profissional, dai a vaga de cursos nestes últimos anos, para pouco a pouco escalarmos até ao pico da competitividade, mas para tal, só é possível se as mentalidades mudarem, se a sociedade se unir e passar de egocêntrica para altruísta, o que certamente é uma luz ao fundo de uma canal com dimensão infinita…
Desta forma, registo os meus aplausos para a organização deste evento que promove para todos áreas por vezes ignoradas mas que são os pilares do bem estar social, dando oportunidade aos formandos de demonstrarem os trabalhos executados ao longo do seu curso, as suas aprendizagens e evolução, quer profissional, e acima de tudo, pessoal, uma vez que a formação é um sistema de aquisição de competências técnicas mas, também, transversais, de formação cívica.

Por: Sílvia Machado

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