Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-05-2006

SECÇÃO: Opinião

Qual o Impacto dos Imigrantes na nossa Economia?

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Para findar esta temática tão vasta que é a Migração Internacional, nada melhor do que abordar o impacto que esta implica na nossa economia, senão vejamos…
O indicador de avaliação do contributo dos imigrantes para a economia portuguesa é, sem dúvida, a quota do PIB por eles gerado. No caso dos trabalhadores por conta de outrem, era necessário ter em mão o número total de trabalhadores, em cada sector de actividade, diferenciados segundo a nacionalidade, as categorias e funções profissionais, os níveis de remuneração e a carga horária de trabalho, para assim se estimar este indicador.
Para os trabalhadores por conta própria, independentes ou empresários, teria de se conhecer os respectivos volumes de negócios, lucros e rendimentos. Com toda esta informação podíamos avaliar o contributo dos imigrantes para a formação do PIB, em termos quantitativos. Todavia, é de destacar a importância que os imigrantes africanos tiveram na construção das grandes obras públicas e no boom da construção civil, tendo funcionado como redução de custos e, subsequentemente, de acréscimo na produtividade.
Na análise do contributo dos imigrantes vindos da América do Norte, estes estão ligados a empresas multinacionais, em que a sua presença representa um indicador do investimento estrangeiro, assim como combatem o défice demográfico de regiões onde se verifica um acentuado fluxo emigratório da população local, como é o caso dos Açores.
O contributo mais notório dos imigrantes asiáticos reflecte-se nos restaurantes chineses e no comércio de mobiliário e de bazares.
A utilização de mão-de-obra estrangeira permite evitar estrangulamentos nos factores de produção ao longo prazo de crescimento, assim como, criar novos postos de trabalho, que elevam o nível de pleno emprego dos factores de produção e beneficiam a mão-de-obra nacional, enquanto a mão-de-obra estrangeira se mantém profissionalmente pouco qualificada, arrastando um aumento do produto sectorial, uma vez que o empresário só vai recrutar quando a sua produtividade marginal for superior ao custo marginal que a sua utilização implica. Todos os custos relativos ao sustento e formação do trabalhador até à altura de emigrar são suportados pelo país de emigração, ou seja, é uma poupança relevante para Portugal.
Prescindir da mão-de-obra estrangeira não teria como efeito melhorar a condição dos trabalhadores nacionais (salários), mas levar à estagnação a curto prazo, no mínimo. A grande parte dos imigrantes não concorrem no mercado de trabalho com os trabalhadores nacionais, mas preenchem as lacunas que surgem pela ascensão profissional e social dos trabalhadores nacionais.
Paradoxalmente, o imigrante é considerado na sociedade como o “outro”, no entanto, o seu contributo laboral é imprescindível (cerca de 10% da população economicamente activa é estrangeira), conduz ao desenvolvimento de políticas visando dificultar a sua fixação, embaraçando a aquisição da nacionalidade originária pelos seus descendentes nascidos em território português e limitando o seu acesso aos direitos e à participação.
A curto prazo, a imigração poderá mesmo apresentar-se como um contributo para a solução do problema das pensões de reforma e para a manutenção dos níveis actuais do Produto Nacional Bruto e da população activa.
Enquanto havia emprego para todos na U.E, a imigração era encarada de ânimo leve, era até desejável por aqueles países que, saídos de uma guerra mundial e em pleno crescimento económico, tinham falta de mão-de-obra. No entanto, o aumento do desemprego verificado no final do século XX, originou fenómenos sociais de exclusão, xenofobia e racismo.
Embora os portugueses olhem para os estrangeiros com desconfiança e considerando-os como intrusos, estes ajudam no desenvolvimento do país, há, portanto, uma necessidade de mudar mentalidades e preconceitos, quebrar barreiras, forçar a cidadania e cooperação do desenvolvimento nacional, em que as políticas de imigração permitem efectuar a gestão flexível dos fluxos migratórios, para assim se fazer justiça, economicamente falando, claro!

Por: Sílvia Machado

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