Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-05-2006

SECÇÃO: Crónica

O MEU SINCERO AGRADECIMENTO

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Hoje, esta singela crónica é dirigida em especial aos leitores dos Jornais Ecos de Basto e Diário do Minho, para lhe agradecer as palavras de apoio e incentivo que me têm dirigido quer pessoalmente quer através do telefone ou por email. São especialmente leitores que estão fora da sua terra e que procuram estar em dia com o que se vai passando nas suas queridas aldeias.
São sem dúvida alguma leitores assíduos destes jornais atrás referidos que os recebem através de assinatura ou os lêem nas mesas dos cafés.
Como se sabe há muitos cabeceirenses que moram na cidade de Braga ou arredores que lêem um dos melhores jornais de Braga que é o Diário do Minho.
Graças à boa vontade do Senhor Director deste diário as minhas crónicas têm sido publicadas em Braga depois de serem publicadas no Jornal Ecos de Basto, no qual eu trabalho vai para catorze anos.
O Sr. António
O Sr. António
Há dias telefonou-me uma senhora de Braga que tinha lido uma crónica minha onde eu falava da Raposeira e do António “Revolta” da Miquinhas sua esposa e da Adelina “Jóia”. Fiquei surpreendida quando me disse o nome dela . Era nem mais nem menos que uma sobrinha dum padre que esteve na Paróquia de Refojos ainda eu não tinha nascido e que se chamava Arcipreste Mota Vieira.
Achei extraordinário ouvir este nome. Já a minha falecida mãe e outras pessoas falavam dele.
Esta sobrinha contou-me muito emocionada e eu, sinceramente, também fiquei disse-me que tinha nascido em Cabeceiras há sessenta e dois anos. na Casa da Granja, que embora ela não conhecesse muitas coisas pois tinha saído de cá muito nova mas, os seus tios irmãos do Padre Mota Vieira tinham mais conhecimentos.
Devo dizer que quando esta simpática senhora se identificou dizendo que era sobrinha do senhor Padre Mota Vieira veio-me à memória alguns factos importantes que aconteceram em Cabeceiras de Basto, mais propriamente na Raposeira em que o senhor Padre participou. Parece, segundo me contaram que foi ele que fez o funeral do ilustre e famoso monárquico Padre Domingos Pereira. E que também teria pedido que o Padre Domingos Pereira se confessasse e “arrependesse”. Não é segredo para ninguém que o Padre Domingos Pereira viveu com uma senhora de quem teve bastantes filhos e que viveu com ela cerca de sessenta anos mas sem ser padre.
O monárquico Padre Domingos Pereira
O monárquico Padre Domingos Pereira
Segundo ouvi contar o indomável Padre Domingos Pereira não acatou muito bem que o Padre Mota Vieira o confessasse portanto resolveu o assunto de outra maneira. Consentiu confessar-se escrevendo no papel tudo o que queria dizer. Para isso mandou buscar à loja do senhor António Carneiro, meu falecido sogro, três folhas de papel costaneira onde escreveu “confessando “ os seus “pecados”.
Logicamente que essa confissão deve ter levado “descaminho” . Não interessava à Igreja mostrar que alguém descobrisse as folhas e visse ao pormenor o “passado” do Padre Domingos Pereira que toda a gente conhecia e aceitava pois ele foi um homem importante conhecido de norte a sul do País e por sinal muito estimado.
No meu entender ele foi um Homem que lutou pelos seus ideais até ao fim da sua vida.
Não era nascida no tempo do Padre Domingos Pereira mas tive o privilégio de conhecer pelo menos dois dos seus filhos, a D. Clotilde Pereira que vivia na Raposeira e um irmão que veio visitá-la mas que me não recordo do nome. Hoje conheço pelo menos alguns netos entre os quais uma neta de quem eu gosto muito. Chama-se Valentina Paula Pereira que é e foi sempre uma acérrima defensora e orgulhosa da vida do seu avô. A maneira tão clara como fala dele e da sua vida transporta-nos para aqueles anos distantes que nos dá a impressão de estarmos a assistir em directo.
Mas hoje quando comecei a escrever esta crónica não era minha intenção falar do Padre Domingos Pereira. Mas uma coisa puxa a outra e já me conheceis… começo a dispersar.
Reconheço que não tenha capacidade e nem conhecimentos históricos a não ser os que vou ouvindo para descrever a importância deste ilustre personagem. Deixo isso para os historiadores competentes tais com o nosso querido Professor Alexandre Vaz. Quando muito eu falo do Padre Domingos Pereira mais no aspecto romântico que envolveu a história da sua vida.
A senhora de quem eu esta a referir-me, cujo nome me levou a voar a imaginação disse que lhe chamou a atenção o facto da crónica ser de uma pessoa de Cabeceiras de Basto e falar de uma pessoa de quem ela e a sua família tinham o maior respeito. Estou a falar do senhor António Revolta, já falecido a alguns anos, que era cobrador das camionetas do Marinho e ao mesmo tempo fazia trabalho de sacristão do Padre Mota Vieira.
Dizia-me a senhora e eu estou de acordo com ela que, o António “Revolta” era uma pessoa respeitável, muitíssimo educado, muito prestativo e sobretudo bom pai. Era o senhor António que lhes trazia as flores de Braga para por no cemitério. Por isso ao ver o nome dele e da sua esposa no Jornal ficou muito emocionada.
Eu não conheço a senhora, o que tenho pena mas, espero que nos faça uma visita a Cabeceiras e à nossa redacção do Ecos de Basto. Tenho todo o prazer de a receber e de trocar impressões com ela.
Pelas palavras que ouvi penso que é uma senhora sensível e que de alguma maneira comunga de sentimentos de saudade como eu.
Não poderia deixar de agradecer a estas pessoas amigas que gostam de ler notícias ou crónicas do tempo antigo mas, verdadeiras que lhes fazem lembrar a sua mocidade.
E agradeço da maneira que para mim é mais fácil. Através do Ecos de Basto que, tudo faz para levar aos seus leitores que estão espalhados por esse mundo fora um pouco um pouco do que se passa nas suas queridas aldeias desta terra maravilhosa que se chama Cabeceiras de Basto.
Muito obrigado a todos os que fazem com que tenha vontade de continuar.
Bem hajam.

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