Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-04-2006

SECÇÃO: Opinião

Tradições rurais da nossa terra

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Antigamente a agricultura na nossa terra era um trabalho quase exclusivamente manual, formas antigas de amanhar a terra, resultava daí uma economia de subsistência. Um povo saudável mas, quando doente, e mesmo cançado trabalha e labuta e apesar das dificuldades, este povo não conhecia sentimentos de frustração e brotava de uma alegria sincera e irreprimível.
Muitos trabalhos de campo eram momentos de grande aglomeração colectiva, não falhavam vizinhos e amigos para ajudar na sacha, na segada e malhada de centeio, na desfolhada ou nas vindimas.
Estas serviçadas eram prestadas em regime de mútua prestação de serviços entre lavradores e algum pessoal assalariado, tais funções serviam de pretexto para manifestações de alegria, namoricos, com danças e cantigas. Muito típico da nossa região eram as desfolhadas, juntava-se muita gente e por vezes lá vinha os ferrinhos, a concertina e dançava-se pela noite fora, principalmente em noites de luar, sem esquecer dos abraços do desfolhador do milho-rei. Nas vindimas também se faziam festas, especialmente no lagar ao pisarem as uvas. As raparigas juntavam-se com frequência para certos trabalhos femininos como as mondadas do linho, as espadeladas e as fiadas, ouvindo-se belos cânticos.
Aos Domingos e dias de festas, os rapazes e as raparigas dançavam e cantavam nos largos das aldeias com os seus melhores trajes, e era rara a casa rural onde não houvesse um instrumento musical como o realejo, a viola, o cavaquinho, a harmónica ou umas castanholas. Em algumas freguesias nomeadamente Cavez, havia um grupo de Zés-Pereiras onde de vez em quando aos Domingos, faziam uma ronda pela freguesia, podendo-se ouvir ao longe o som dos tambores.
Dos cânticos tradicionais recolhi dois que passo a transcrever:

Sachadeiras do meu milho
Sachai o meu milho bem
Não olheis para o caminho
Que a merenda logo vem.
.......
Chamais-me trigueirinha
Mas isto é do pó da eira
Mas haveis de me ver Domingo
Como a rosa na roseira.

Por: Fátima Magalhães

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