Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-04-2006

SECÇÃO: A nossa gente

Dr. Jorge Agostinho Borges Machado

Assumindo paulatinamente cargos de responsabilidade em diversas instituições do Município Cabeceirense, o Dr. Jorge Machado é, apesar da sua discrição e bonomia, uma figura em franca ascensão na cena sócio-política do concelho, situação que o pode projectar a mais altos vôos no futuro.

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Eleito, há pouco, por larga margem para a Direcção dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses, (ver texto em separado), Vereador da Câmara Municipal com as funções de Vice-Presidente e presidente da Fundação AJ Gomes da Cunha onde tem produzido trabalho notável, este cavezense, professor, licenciado em Sociologia, é já uma referência incontornável da vida local.
Para nos falar da sua nova missão nos Bombeiros Cabeceirenses colocamos-lhes as seguintes questões:


Ecos de Basto [E.B.] – Embora ligado há muitos anos ao movimento associativo do concelho, através das funções de Vereador do Pelouro da Câmara Municipal e ainda no exercício de presidente da Fundação A J Gomes da Cunha, também ela com uma componente associativa, a sua candidatura à Direcção dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses constituiu surpresa no meio. Que motivos e razões conduziram a essa decisão?

Dr. Jorge Machado [J.M.] – O motivo fundamental foi porque depois da decisão do Dr. Serafim China Pereira de não voltar a recandidatar-se ao lugar de Presidente da Direcção, e estando marcadas as eleições, houve um grupo de pessoas que me convidou para encabeçar uma lista à direcção dos Bombeiros e eu ponderei essa possibilidade. Naturalmente que tenho a consciência de que tenho uma vida muito ocupada, mas ao mesmo tempo não poderia ficar insensível àquilo que é um trabalho desenvolvido pelos Bombeiros e que é um trabalho importantíssimo para toda a população do concelho de Cabeceiras de Basto. É um trabalho que é cada vez mais imprescíndivel, infelizmente, sobretudo na época de Verão, mas também a qualquer momento. É portanto um trabalho que merece ser acarinhado e apoiado por todos e eu entendi que não corresponder a esse convite era também, de certo modo, negar um apoio que eu poderia dar. Portanto, foi porque fui convidado, porque achei que tinha possibilidades de ajudar e por querer ajudar nos trabalhos desenvolvidos pelos bombeiros que me levou a aceitar esse convite, bem como, a convidar um grupo de pessoas para me acompanhar e assim a constituir o que eu julgo que é um grupo bom para assumir a liderança dos Bombeiros. Um grupo que inclui alguma experiência, uma vez que há alguns membros que vêm de direcções anteriores e também alguma juventude e portanto dentro desse espírito conseguimos um grupo que é equilibrado e que está disposto a trabalhar para o bem dos Bombeiros e para o bem da população de Cabeceiras de Basto.

E.B. – A lista liderada pelo Dr. Jorge Machado venceu com grande vantagem a lista opositora. Como interpreta a ampla confiança depositada na sua pessoa e também na sua “equipa” de trabalho por parte dos sócios da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários?
J.M. – O significado que lhe dou é, naturalmente, um voto de confiança, não só em mim mas também no grupo de pessoas que me acompanha, que é um grupo numeroso com gente com nome feito e com provas dadas no que diz respeito ao trabalho associativo, até nos próprios bombeiros e como tal, antes de mais, é um voto de confiança em todos nós. Julgo que isso foi percebido pela maior parte dos associados que votaram expressivamente na nossa lista, de que a nossa intensão era pura e que estavamos simplesmente dispostos a trabalhar para fazer dos bombeiros uma instituição cada vez mais preparada, mais organizada, mais equipada para prestar o seu serviço. É, de facto, esse o nosso objectivo, julgo que isso foi percebido pelos sócios, o que explica, antes de mais, a maioria de votação que expressa a confiança que têm em nós. Se as pessoas acreditaram temos mais obrigação de não as defraudar e portanto de cumprir essa expectativa o melhor possível para transformar os Bombeiros numa instituição que cada vez orgulhe mais Cabeceiras de Basto e todas as pessoas aqui do concelho.

E.B. – Qual é, no contexto actual, a importância que dá à acção dos Bombeiros bem como o significado da existência de uma corporação de bombeiros num município com as características do de Cabeceiras de Basto?
J.M. – Os Bombeiros Voluntários Cabeceirenses (BVC) são uma instituição da maior importância. O trabalho que esta instituição presta é importantíssimo e cada vez mais, não só no que diz respeito à prevenção e ao combate dos incêndios florestais e urbanos, mas também no transporte dos doentes, que é outra das tarefas que os bombeiros vêm desempenhando há muito tempo e que é indispensável, naturalmente, para transportar os doentes e os feridos do concelho para outras instituições fora do concelho. São, portanto, dois tipos de serviços que, infelizmente, julgo que vão ser cada vez mais necessários, primeiro porque no que diz respeito aos incêndios florestais é uma preocupação que já se tornou uma rotina todos os anos em época de calor e portanto se não houver quem enfrente essa calamidade naturalmente que estariamos todos muito pior. O mesmo se diga em relação aos incêndios urbanos, na medida em que os nossos centros urbanos vão crescendo, temos mais gente aqui a viver e portanto precisamos de mais segurança também a esse nível e por isso, o trabalho dos bombeiros nao tem tendência a diminuir, pelo contrário, julgo que a tendência é para que esse trabalho seja cada vez maior, o mesmo se diga em relação ao transporte de doentes, sobretudo porque, sendo a nossa população cada vez mais idosa, e sendo essa população a mais carenciada de cuidados de saúde, há cada vez mais necessidade de transportar doentes através dos Bombeiros, de preferência um transporte natural também feito com todo o conforto, com toda a comodidade e com toda a segurança. Portanto, eu diria que aquilo que é o campo de actuação dos bombeiros já é importante, mas num futuro próximo, será cada vez mais importante e daí também a necessidade de que os bombeiros estejam bem preparados e bem equipados para desempenhar essa tarefas.

E.B. – Passando por uma evidente crise de valores do voluntariado a que se associa, invariavelmente, a diminuição do número daqueles (e daquelas) que se disponibilizam para dar aos outros e ao seu semelhante a solidariedade humana, como pensa ultrapassar a situação nos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses?
J.M. – Antes de mais eu não sei se de facto, em concreto, no que diz respeito à Associação Humanitária dos Bombeiros Cabeceirenses, se existe ou não uma crise de voluntariado, mas julgo que, ainda que exista, é nossa tarefa, naturalmente, incentivar o mais possível esse voluntariado. Para além daquilo que é o trabalho profissional, os bombeiros, têm que ter sempre uma componente de voluntariado. Mas também é verdade que muitas vezes, a própria vida profissional das pessoas não facilita o exercício desse voluntariado. Julgo, por isso, que temos que encontrar aqui um ponto de equilíbrio e desenvolver alguns esforços no sentido de incentivar o voluntariado, mas também por parte das instituições, das empresas, das entidades empregadoras procurar facilitar também o exercício desse voluntariado, nomeadamente, entre os mais jovens e entre as pessoas em idade activa, que têm a sua actividade profissional, pois considero que na constituição dos bombeiros é preciso respeitar também esta composição. Juventude é necessária concerteza, mas também alguma experiência e maturidade e portanto teremos que actuar um pouco nos dois campos. Sensibilizar as próprias pessoas para a que exerçam algum voluntariado, mas também, a outra parte, que são as entidades empregadoras, para facilitarem o exercício desse voluntariado. Portanto se conseguirmos aqui algum equilíbrio julgo que teremos bons resultados e que continuaremos a ter gente a exercer o voluntariado nos bombeiros, sem o qual a actividade da corporação seria extremamente difícil de exercer, pelo custo que isso implicaria. Se toda a gente que desempenha funções nos bombeiros tivesse que ser renumerada por isso, certamente que seria uma despesa incomportável.
Agora, é verdade que essa componente também tem que crescer, porque os bombeiros têm que ser capazes de assegurar, a cada momento, aquilo que é o mínimo indispensável. Temos que encontrar um ponto de equilíbrio, mas tenho esperança que isso será possível.

E.B. – Sendo uma instituição local de cariz humanitário, transversal, por isso ao interesse da sociedade, como vê os apoios e a colaboração, ou a falta dos mesmos, vindos de outras instituições, entidade e do público em geral?
J.M. – Deixe-me fazer uma distinção. Em primeiro lugar, em termos de apoios oficiais no que diz respeito à administração central que tem um papel, uma obrigação específica de apoiar as corporações de bombeiros naquilo que é um trabalho indispensável para fazer, nomeadamente, no que diz respeito ao combate aos incêndios, esse apoio por parte do Estado nem sempre tem sido o desejado, nem sempre tem sido cumprido. Julgo que com este Governo a situação mudou radicalmente e, portanto, no que diz respeito à época de incêndios passada, os compromissos assumidos foram rigorosamente cumpridos, mas infelizmente isso nem sempre aconteceu. Diria que esse papel é indispensável e, antes de mais, que seja um papel perfeitamente claro, aquilo que o Estado suporta, aquilo que paga e apoia, para que os bombeiros saibam, em primeiro lugar, com o que podem contar desse lado e depois de definir aquilo que é efectivamente apoio, que cumpra aquilo com que se compromete. Essa é uma parte indispensável, sem a qual, naturalmente, todas as corporações como a nossa, vivemos num clima de alguma incerteza, de alguma instabilidade que não ajuda ninguém, nem ajuda coisa nenhuma.
Depois temos um outro papel mais a nível local. A Câmara Municipal tem sido, naturalmente, a primeira instituição no que diz respeito ao apoio dos Bombeiros que nunca lhe tem faltado, nesse ponto de vista, tendo até muitas vezes compensado aquilo que é a falta de apoio do Governo e da Administração Central. No que diz respeito a Cabeceiras de Basto, a Câmara Municipal tem estado na primeira linha no que diz respeito aos apoios aos Bombeiros, e naturalmente, o que nós esperamos é que continue a estar.
Por outro lado, há um tipo de apoio oficial por parte das Juntas de Freguesia que também tem existido mas que penso que poderá ser ainda mais efectivo e esse é uma das nossas pretensões, isto é, procurar obter apoio mais concreto, mais organizado, mais estruturado, por parte de todas as Juntas de Freguesia, porque é também território de actuação dos bombeiros e daí que seja importante, primeiro estruturar a ligação com todas as Juntas de Freguesia e estabelecer qual o apoio que as Juntas poderão dar de forma a que as coisas funcionem melhor e nós possamos ter também aí um apoio certo, um apoio definido com o qual podemos contar. Por fim, a população em geral, nomedamente os sócios dos bombeiros que já apoiam de acordo com o estabelecido, é uma forma de contribuir e apoiar os bombeiros e a instituição. Pretendemos aumentar significativamente o número de associados dos bombeiros cabeceirenses porque entendemos que os bombeiros são de todo o concelho, são de todas as freguesias. Prestam serviços em todas as localidades e como tal têm que ser entendidos como uma instituição que é de todos. Por outro lado, esta é também uma forma de os bombeiros sentirem que a população está com eles, que apoia objectivamente o seu trabalho através do pagamento de uma quota, sem prejuizo de participarem em outras actividades e campanhas pontuais promovidas com o intuito de obter fundos. No entanto, penso que os vectores principais são o apoio instituicional por parte da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia e também o apoio dos cidadãos através da quotização, reflexo de um acto tão simples como o tornar-se associado dos bombeiros. É nesse sentido que vamos trabalhar.

E.B.- Os fogos florestais têm constituido, nos últimos anos, um verdadeiro flagelo, obrigando os bombeiros a grandes sacrifícios e a um trabalho árduo, muitas vezes inglório. Os Voluntários Cabeceirenses estão preparados para enfrentar a época quente que se avizinha?

J.M.- Como sabe esta é uma questão mais técnica e operacional que diz respeito às corporações. Está sob a responsabilidade de cada comando e no caso aqui de Cabeceiras de Basto também é o comando que desenvolve toda essa tarefa, embora o comandante responda perante a direcção. Julgo, no entanto, que o papel da direcção aqui é, essencialmente, o de ter a certeza de que tudo está preparado, que os BVC estão integrados naquilo que é um esquema distrital de combate aos incêndios florestais e de proporcionar todos os meios que o comando e os operacionais precisam para desenvolver bem o seu trabalho. Portanto, este é o nosso papel. Eu diria que neste momento estão a ser dados os primeiros passos, houve já uma reunião de preparação da época de incêndios que se aproxima. Estão definidas as regras, as coordenadas, a forma de actuação de cada um e, apartir desse momento julgo que temos condições para prestar o apoio que for necessário. Temos ainda que estar disponíveis para em casos mais graves, ajudar os concelhos vizinhos, mas penso que temos condições para dar respostas na próxima época. Estamos preparados, apesar de termos vivido até aqui um período com algumas alterações em termos de funcionamento do próprios esquema de combate aos incêndios, em que foram exigidas algumas adaptações, mas encontrando-se, neste momento, mais ou menos estabilizadas.

E.B. – Que projectos tem em mente desenvolver ao longo do seu mandato?
J.M.- Antes de mais devo dizer que a ideia essencial que nos guia no que diz respeito aos mandato tem duas componentes, uma interna e outra externa.
Internamente é muito simples, dentro daquilo que é a avaliação que fazemos da situação actual dos bombeiros. Em relação às infra-estruturas, o próprio quartel, os equipamentos, as viaturas, os recursos humanos, é necessário fazer uma gestão rigorosa daquilo que temos. Depois de saber o que temos, e saber se se adequa àquelas que são as necessidades dos bombeiros, daí que seja natural que adevenha alguma despesa, pois temos noção que o quartel tem 20 anos e durante este período a realidade mudou. É necessário fazer adaptações no sentido de haver coordenação entre os meios e as necessidades. Se for necessário faremos todas as transformações quer ao nível das infra-estruturas físicas do quartel, quer em termos de renovação e aquisição de equipamentos novos, quer em termos de recursos humanos, de qualificação, de formação, para que de facto exista uma adequação entre aquilo que é a corporação, os seus bens, os seus meios físicos e humanos e aquilo que é a sua actuação. Dentro disso temos aqui um amplo campo de actuação, no sentido de promover a adequação aos tempos modernos. É um trabalho interno que naturalmente não será feito num dia, pois os recursos de que dispomos são certamente limitados, mas dentro do que for possível faremos essa adequação entre as necessiades e aquilo de que dispomos.
Outro ponto de actuação é ao nível externo. Vamos procurar sensibilizar toda a população de Cabeceiras de Basto para o papel que os bombeiros desempenham, que é difícil, mas que tem que ser desempenhado por alguèm. Nesse caso o papel a desempenhar por esta associação precisa do apoio e compreensão de todos, porque são serviços que tem uma particularidade muito importante. Isto porque a maior parte das ocorrências pode registar-se no mesmo período de tempo, enquanto que em períodos mais calmos, se assite a uma actuação mais ligeira. Por isso, temos que estar preparados para dar resposta, facto que transforma a vida desta associação, que tem ritmos totalmente distintos. Portanto essa é a primeira imagem que temos transmitir. A dos serviços que os bombeiros prestam, que é um serviço especial e como tal, precisa de apoio extraordinário em determinados períodos. Se as pessoas se convencerem que é assim, teremos certamente outro tipo de apoio, de carinho para com a população e aquilo que eles fazem. E não são só os bombeiros, porque esta disponibilidade, durante aquele período curto de tempo, implica sacrificios pessoais para os próprios bombeiros. Isto porque durante o verão é frequente ouvir dizer que os bombeiros combatem os fogos dia e noite e como tal não têm tempo para descansar, mas esta intensa actividade tem reflexos nas famílias que muitas vezes são esquecidos e que são sacrificadas por esse esforço. Os bombeiros têm, por isso, que sentir a compreensão quer dos familiares, quer da comunidade. Se houver mais compreensão por parte das pessoas, haverá certamente, mais motivação e renovada vontade para desempenhar o seu trabalho. É necessário, por isso, que todas as pessoas vejam os bombeiros como um instituição. É nessa linha de actuação face ao exterior que vamos procurar trabalhar.
Estas duas componentes, a interna e a externa, estão ligadas e é nestas duas frentes que vamos trabalhar, no sentido de dotar a instituição de melhores meios e que ela preste, por via disso, melhores serviços à população. Se o conseguirmos julgo que ao fim de três anos as pessoas que depositaram a confiança em nós na eleição passada, não se sentirão defraudadas e portanto, é também por isso, por não as querermos deixar defraudadas que vamos trabalhar neste sentido e com o apoio do corpo activo dos bombeiros voluntários, de toda a direcção, do comando, julgo que estarão criadas as condições para levarmos este objectivo a bom porto.

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