Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-02-2006

SECÇÃO: A nossa gente

Feliciano Alves – o goleador

Desportista por natureza, Feliciano César Vaz Alves vê, desde pequenino, o futebol como uma paixão. Natural da freguesia de Alvite e com formação profissional em Contabilidade e Gestão, este jovem jogador, de 24 anos, tem dado que falar pelas capacidades futebolísticas que o caracterizam e que ao longo dos últimos temposs vem demonstrando quer ao serviço dos clubes locais, quer de outros clubes distritais.
Com 19 golos marcados nesta época pelo Maria da Fonte, da Póvoa de Lanhoso, Feliciano destaca-se como um dos melhores marcadores dos campeonatos nacionais.
Uma boa oportunidade para irmos ao encontro deste jovem que aceitou dar a entrevista que hoje publicamos nesta rubrica.

Ecos de Basto - Como surgiu o gosto pelo futebol?

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Feliciano Alves - Desde muito cedo que jogo futebol com os meus amigos e o gosto pela modalidade foi crescendo. Jogo futebol desde criança, 4 ou 5 anos, é uma paixão de sempre.
E.B. Qual o seu percurso futebolístico?
F.A. Comecei por jogar nas camadas jovens do Atlético Cabeceirense, desde os infantis aos iniciados e juvenis. Foi cá em Cabeceiras que dei os primeiros passos no mundo futebolístico e que aprendi e aperfeiçoei as minhas capacidades e a técnica de jogo. O Atlético Cabeceirense foi a minha escola de jogador.
E.B. Com 20 anos foi contratado pelo Taipas, que na altura estava na II Divisão do Campeonato Nacional. O que motivou a sua desistência e o regresso ao Atlético?
F.A. Essa foi a época menos boa do meu percurso. Estive no Taipas na pré- temporada mas não me adaptei ao futebol profissional e por isso regressei ao Atlético. Tinha treino todos os dias, de manhã e de tarde, só vinha a casa mesmo para dormir. Era ainda muito jovem, também não era a primeira opção do treinador e por isso acabei por regressar à terra mãe.
E.B. Actualmente é jogador do Maria da Fonte onde tem dado nas vistas como um dos mais eficazes atacantes de todos os campeonatos nacionais. Como justifica este êxito?
F.A. Sim, esta época tem corrido muito bem, tenho jogado sempre a titular e os golos acontecem naturalmente. Em outras épocas fazia, em média, de 10 a 12 golos e este ano já marquei 19. Não sei explicar a causa deste sucesso, os golos vão acontecendo, até eu acho estranho já ter tantos golos marcados, mas é a verdade. Tem sido uma época excelente, para a qual também contribui o facto de não ter sofrido lesões.

Velocidade é o ponto forte

E.B. Há quem o trate por “Ventoinha”. Porquê?
F.A. Este nome surgiu na Rádio Local da Póvoa de Lanhoso que, no ano passado, acompanhava os jogos do Maria da Fonte e me identificava como “o Ventoinha”. A origem do nome está na minha velocidade em jogo, sendo esta a minha melhor e principal característica. Desde então o nome espalhou-se e hoje toda a gente me trata assim.
E.B. Em termos futebolísticos quais são as suas perspectivas para o futuro?
F.A. O futuro, para já, é o Maria da Fonte. A minha prioridade é que a equipa continue a ganhar para que, no final da época, possamos festejar a subida de divisão. Se entretanto surgirem algumas propostas de outros clubes de patamares acima do Maria da Fonte vou ponderar a hipótese de mudar, até porque um dos meus objectivos é crescer no futebol.
E.B. Gostaria então de jogar num clube de maior dimensão?
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F.A. Sim, claro. Qualquer atleta que jogue no meu escalão ou em escalões inferiores gostava de jogar num clube da 1ª ou 2ª ligas, e eu não sou excepção à regra. Se por acaso surgisse a oportunidade gostava de jogar num clube de topo.
E.B. E de entre os grandes clubes nacionais qual seria o da sua eleição?
F.A. O Sporting, sem dúvida.
E.B. Sabe-se que tem sido observado por técnicos do Rio Ave. O que pensa acerca da situação?
F. A. Sei que estiveram dois senhores do Rio Ave a apreciar o jogo e a observar o meu desempenho em campo. Fiquei satisfeito por isso porque é sinal que apreciam e valorizam o meu trabalho e as minhas capacidades. Pelo menos despertei a atenção deles, o que já foi muito bom. Não sei se a conclusão foi positiva ou negativa, mas agradou-me o facto de ser observado.

Humildade e força de vontade são essenciais

E.B. Enquanto jogador que características considera fundamentais para o desenvolvimento de um atleta?
F.A. Antes de mais é fundamental que se pratique futebol desde pequenino, é assim que se aprende a técnica e se aperfeiçoam talentos. Não é com 18 ou 20 anos que se aprende a jogar futebol, tem que haver um historial, um percurso feito desde as camadas jovens até aos seniores. É assim que se ganha ritmo e se “cresce” em campo. É também essencial que o atleta saiba manter sempre a humildade e que tenha muita força de vontade e gosto pelo desporto.
E.B. Além do futebol quais são as suas ocupações?
F.A. Trabalho na Empresa Municipal Emunibasto de Cabeceiras de Basto como animador desportivo no âmbito do programa em curso “Desporto Escolar”, que tem como objectivo levar a prática desportiva a todas as crianças que frequentam o 1º ciclo do ensino escolar. Esta é uma função que me agrada em particular pelo facto de estar associada à prática e ao fomento do desporto nas camadas mais jovens da população do meu concelho. O meu dia-a-dia resume-se a isto, o emprego e os treinos, quase não tenho tempo para mais nada, mas, com força, espírito de sacrifício e gosto pelo que faço, consigo aguentar a carga.
E.B. Enquanto filho da terra que análise faz do desenvolvimento a nível desportivo no concelho?
F.A. Eu acho que em Cabeceiras a prática desportiva é já muito elevada e tem tendência a aumentar. A autarquia tem apostado no sector, através da construção de vários pavilhões gimnodesportivos com boas condições, e polidesportivos que proporcionam à população espaços de excelência para a prática desportiva. Também a promoção do desporto escolar tem sido muito importante, uma vez que incentiva os mais pequenos a praticar desporto.
Temos os meios necessários para criar bons desportistas.

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