Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-11-2005

SECÇÃO: Opinião

Novas de J. dos Santos

Teve lugar na Igreja de S. Martinho no Arco de Baúlhe no passado dia 19 de Novembro um concerto musical pelo Coro do Convívio e Ensemble de Sopros da Academia de Música Valentim Moreira de Sá (Guimarães). Do programa constava o Stabat Mater de J. dos Santos e o Glória de A. Vivaldi com instrumentação de J. dos Santos.
Relativamente à primeira obra, Stabat Mater, as notas/sons provindos dos instrumentos acentuavam e davam cor e luz e sentido às palavras cantadas pelo coro e pela excelente solista – Margarida Salvador-; e como foi sentido e apreciado por todos aqueles que enchiam a igreja todo o drama vivido pela Mãe Dolorosa que, junto à cruz, contemplava Seu Filho que dela pendia! A segunda peça (uma excelente obra do grande compositor que todos conhecem por ter composto as Quatro Estações) também maravilhou todos os presentes e a instrumentação (de J. dos Santos para instrumentos de sopro) estava soberba com os clarinetes a fazer toda a linha melódica dos violinos no original. Um parêntesis para um efusivo aplauso aos clarinetistas pela excelente execução desta obra que era extremamente exigente. As solistas Ângela Alves –soprano- e Janete Costa Ruiz –contralto- assim como o Coro do Convívio também estiveram perfeitos tendo transmitindo a todos os presentes, sob a orientação de Vítor Hugo Ferreira de Matos, toda a força e excelência da peça.
Tiveram também lugar outras execuções musicais com obras do nosso grande Dr. J. dos Santos. Assim, a 28 de Agosto realizou-se em Cerva /Concelho de Ribeira de Pena) um Encontro de Coros para a comemoração das Bodas de Prata do Grupo Coral «Flor do Linho» que nasceu com o objectivo de preservar e divulgar as canções populares locais e relacionadas com o trabalho do campo especialmente as que têm a ver com a cultura do linho. O grupo cujas canções populares são transcritas e harmonizadas exclusivamente por J. dos Santos nasceu pela mão deste e do Sr. Padre Joaquim Costa, pároco de Cerva .
A 18 de Setembro, em S. João de Airão ocorreu uma celebração eucarística em que todas as composições eram de J. dos Santos e de seu mestre Manuel Faria.
No dia 25 de Setembro ocorreu a inauguração do Órgão de Tubos de Joane (Famalicão) onde foram executados vários trabalhos do grande compositor nosso conterrâneo e que temos referido nestas linhas. No dia seguinte (26 de Setembro) e integrado nas Festas de S. Miguel de Refojos foi apresentado um programa musical no auditório municipal Ilídio dos Santos denominado “As viagens de 4 canções populares” em que quatro canções, cantadas pelo grupo coral «Flor do Linho» e recolhidas e harmonizadas por J. dos Santos eram apresentadas ao público de três formas distintas: a) audição da voz original da recolha, b) audição a 3 vozes mistas pelo Coro e c) audição em versão instrumental para Flauta e Piano.
Mas o trabalho musical do compositor cabeceirense (J. dos Santos) não pára pois a 8 de Outubro do presente ano concluiu, para a comemoração dos 25 anos da ordenação episcopal de D. Joaquim Gonçalves –bispo de Vila Real-, uma obra com o título “Travessia”. Esta composição, um Oratório para Coro, Solistas e Orquestra com texto do próprio D. Joaquim descreve a viagem do Povo Hebreu do Egipto para a terra prometida e o poema, que não poderia ter sonhado outra música cuja partitura tem quase 630 páginas, é uma projecção do texto do livro do Êxodo na sua extensão e no seu carácter, feito de longos e dolorosos desertos, de nevoeiros, de esperanças e sonhos.
Também estão em curso outros trabalhos para diversos concertos em Roma. Depois dos realizados em Abril e Junho vem agora o de 7 de Dezembro com duas obras: Cármen Fatimale –Poema de Fátima (Ode, em puro Latim Clássico escrito por Castro Gil) que celebra a vinda a Portugal do Papa João Paulo II como peregrino de Fátima para Coro Feminino e Orquestra. Esta peça musical teve a sua estreia em Fátima com o Coro e Orquestra do Conservatório de Braga (sob a regência de António Batista), nos 80 anos das aparições.
A segunda obra a ser apresentada em Roma será “Vem” cuja estreia ocorreu no Ateneu Comercial do Porto há cerca de 10 anos na versão para Coro e Órgão. Com poema de Ana Plácido (1831-1895) -senhora de espírito culto e escritora brilhante e mulher de Camilo Castelo Branco- este soneto tem agora uma nova versão para Coro Feminino e Orquestra.
Resta dizer, para finalizar, que estão já preparadas várias Músicas de Câmara para um concerto na Páscoa de 2006 assim como outras peças Corais Sinfónicas que serão apresentadas/estreadas no próximo mês de Junho.

Por: Paulo Almeida

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