Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-11-2005

SECÇÃO: Opinião

Os Valores e a Sociedade Contemporânea

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A evolução e progresso científico-tecnológico e económico-social, acarretam o aparecimento de novos problemas e novas mentalidades e a necessária transformação dos valores.
Perante isto, há quem defenda que actualmente existe uma pobreza axiológica, dado que se assiste a uma crise do sagrado e consequentemente a uma perda de valores espirituais. As sociedades contemporâneas parecem não saber fornecer critérios do bem e do mal, do justo e do injusto; nelas, prevalecem os valores económico-políticos. O pensamento progressista ensina a não ser fanático, a ser tolerante, racional, mas ao fazê-lo aceita um pouco de tudo: o consumismo, a superficialidade da moda, o prazer imediato, a necessidade de aparecer, o lucro fácil, as conveniências pessoais e o individualismo egoísta, que se manifesta na falta de solidariedade, na indiferença perante as desigualdades sociais e na falta de participação cívica, que conduz a uma desresponsabilização perante aquilo que diz respeito a todos. Mas há também quem defenda o oposto, isto é, a existência de uma riqueza axiológica, pois nas sociedades actuais luta-se contra todas as formas de descriminação, defendendo-se os direitos dos mais fracos e das minorias, elimina-se a tortura e todas as formas de abuso de autoridade, luta-se contra todas as formas de tirania, opressão e vinganças privadas, promove-se a todos os seres humanos garantias e liberdades fundamentais, proporciona-se condições mínimas de desenvolvimento, como o direito à educação, à saúde, à liberdade de culto, etc. É certo que estas coisas ainda existem, mas são condenadas e combatidas como nunca o foram no passado, tudo em nome do respeito pela dignidade humana. Exemplo disso, foi a criação de um documento de cariz universal, a Declaração Universal dos Direitos do Homem. A nossa sociedade favoreceu a ciência, difundiu a instrução e procurou estabelecer a equidade social; fez com que nos tornássemos mais conscientes dos nossos deveres perante a humanidade e o próprio planeta.
Se por um lado a evolução e progresso que temos vindo a assistir suscita a identificação do mundo contemporâneo com uma crise axiológica, por outro lado, a identificação do mundo contemporâneo com uma riqueza axiológica também é válida. São duas visões opostas mas igualmente defensáveis.

Por: Ana Cristina Leite

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