Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-07-2005

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (55)
GAMBOZINOS

Faz parte da tradição popular falar-se de gambozinos. Desde pequeno que eu ouço falar da caça aos gambozinos, de apanhar gambozinos, ou fazer espera aos gambozinos. Que podem ser encontrados de noite, em locais como a base de cachoeiras, o inferno dos moinhos, ou quaisquer outros lugares onde, periodicamente, caia a descarga da água de uma qualquer poça ou açude.
Para quem nunca viu um gambozino, e que porventura esteja interessado em conhecer a espécie, recomendo que o faça numa noite de verão, é mais provável que não chova e que não esteja frio. Os gambozinos são mais facilmente visíveis em noites calmas de verão, de preferência noites de céu limpo e de lua cheia.
Há muitos locais onde poderá tentar o contacto, porém, julgo ser minha obrigação recomendar pelo menos um. Assim, sugiro que se desloque no sentido de Riodouro até à Ponte Nova. Aí, uns cinco a dez metros antes da ponte, desce até ao rio, depois sobe pela margem direita ou esquerda, aquela que lhe der mais jeito, passando por baixo das duas pontes, a ponte nova primeiro, a ponte velha depois.
Ultrapassado o arco da ponte velha, uns vinte a trinta metros acima, pela margem esquerda no sentido de quem sobe, em termos de geografia será na margem direita do rio, fica um moinho. O mais provável é que o moinho esteja inactivo, o que facilita a vida do observador. Poderá penetrar mesmo no sítio a que se chama o inferno do moinho, ou seja, o local onde se encontra a roda dentada que liga por um veio à mó fazendo-a girar, quando, como é evidente, a primeira é movida pela queda da água.
Chamo a especial atenção para uma particularidade que não deve ser descurada, e que se prende com o facto de que neste tipo de prospecção nunca se deve agir sozinho. É preciso fazermo-nos acompanhar de um parceiro, não interessa que seja muito amigo, isso é de somenos relevância, o que interessa é que seja destemido e resoluto para, quando o investigador estiver bem no interior do inferno do moinho, o parceiro deslocar-se pela parte de cima e atiçar os animais, para que eles apareçam, caso contrário eles manter-se-ão acomodados nos seus esconderijos e não será possível avistá-los e muito menos filmá-los ou fotografá-los. Muito cuidado com as luzes, os gambozinos não toleram os flashes.
Recomendo o local acima referido, por me parecer o de mais fácil acesso, para quem se desloque a partir do centro da vila. Fica a pouco mais de um quilómetro da Ponte de Pé, no sentido de Riodouro, e tem facilidade de estacionamento, mesmo junto ao local que sugiro para iniciar a descida até ao rio.
Mas há muitos outros locais onde já foi observada a espécie. Há relatos de terem sido vistos na central da Cefra, na Ponte Velha do Arco, próximo da confluência do Rio Peio com o Tâmega, também nas proximidades da Ponte Romana de Parada em S. Nicolau, e na Ribeira de Petimão, junto a Ponte Pedrinha.
Em Ponte Pedrinha, na Ribeira de Petimão, foi capturado um exemplar, vai para meio ano. Como não poderia deixar de ser, o feliz protagonista é um cidadão de nacionalidade holandesa, que recentemente se instalou em Petimão, onde adquiriu e está a recuperar uma casa rural que se encontrava meio em ruínas e semi abandonada.
Este cidadão, de nacionalidade holandesa, chama-se Hans Rembrandt Pacovius, e está a tentar domesticar o animal com o intuito de, tão rápido quanto possível, vir a cedê-lo ao Centro de Educação Ambiental de Gragilde e Pielas. Não sei se será sua intenção cedê-lo a título gratuito, ou se pretenderá cobrar qualquer preço pela cedência. Poderá ser assunto para uma possível negociação de natureza empresarial, com uma ou outra contrapartida de permeio.
O que parece estar a acontecer é que existe um problema quanto a adaptabilidade do animal. O exemplar apresenta características de meio peixe e meio pássaro e, segundo os biólogos, alimenta-se de certo tipo de algas e de larvas, que não podem ser retiradas do seu meio natural. Logo, não é possível recolhê-las e transportá-las para alimentar os animais em cativeiro. O holandês, o Senhor Pacovius, está a tentar alimentá-lo com os produtos que compra para os pássaros e para os peixes, na proporção de meio por meio de uns e meio por meio de outros, atendendo ao facto de o gambozino se apresentar com a configuração de meio peixe e meio pássaro.
Por agora o texto já vai longo, prometo que voltarei a este tema.

* Colaborador

Por: José Costa Oliveira

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