Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

SECÇÃO: Opinião

O PS em 2 tempos...

Com mais de 40 anos de história o PS viveu recentemente dois dos seus mais importantes momentos, a nível Regional e Nacional.
Como diz o ditado, há males que vêm por bem, e sem dúvida este foi um desses. Depois de uma vitória nas últimas Eleições Europeias, cujo resultado para a sociedade e militantes ficou aquém do espera-do, o Secretário-Geral demissionário (António José Seguro) encontrou a sua própria narrativa, afirmando com todas as letras, “Uma vitória histórica do PS e uma derrota histórica da direita PSD/CDS-PP”. Desta narrativa apenas 50% cor-responde à verdade, pois jamais se pode considerar histórico uma vitória, cuja diferença para os partidos do Governo, ultrapassou timidamente os 3%, que mais não foi também, a subida do PS em relação às Legislativas de 2011...
Conclui-se imediatamente que foi um “grito de salvação” e um discurso sem ligação à realidade, para com isso travar um possível avanço de uma oposição interna cada vez mais descontente e também em maior numero.
Perante o avanço de António Costa, o outro António, já inseguro, bem diferente na postura e ação, abriu um processo de eleições nas federações e um processo por si só defendido de primárias, que há pouco mais de um ano tinha sido recusado por ele próprio (António José Seguro) em Congresso Nacional. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, numa tentativa clara de instigar a confusão e abrir conflitos entre os seus pares, como se diz na gíria política, dividir para reinar, neste caso a coroa nunca teve a sua medida, e acabou destronando de forma estrondosa.
Comecemos pelas Federações...
Assistiu-se um pouco por todo o país a uma divisão de candidaturas regionais assentes nas opções nacionais, nesse contexto também o nosso distrito não foi exceção.
Joaquim Barreto, por opção unânime dos seus pares foi o escolhido para encabeçar um novo projeto para a Federação de Braga, voltando a candidatar-se ao lugar que tão prestigiadamente dirigiu por 12 anos, o de Presidente da Federação Distrital de Braga do PS.
Na descrição desta campanha à federação bem que podíamos narrar uma qualquer história eleitoral do tempo do Estado Novo. A Sede Nacional do PS deu cobertura a um sem número de tropelias, fazendo tudo para que na secretaria se obtivesse resultados diferentes dos obtidos pela escolha legítima dos militantes. Quotas regularizadas indiscriminada-mente sem consentimento dos próprios, a militantes falecidos à vários meses e anos, considera-do até, pasmem-se uma Homenagem, a militantes sem qualquer participação ativa há anos, mas desta vez fervorosa e virtual-mente ativos – pois os próprios desconheciam que, por vontade alheia estavam novamente atuantes no PS – a prazos estipulados e não cumpridos, mas acima de tudo e o mais grave, SEM QUALQUER ESCLARECIMENTO PARA O SUCEDIDO por parte dos responsáveis máximos do PS. Muita tinta de Jornais foi gasta nestes processos, o PS voltou a fazer capas e manchetes de jornais e TV, sempre, mas sempre, pelos piores motivos e também sempre pela mão da direção nacional dirigida por António José Seguro, com um único propósito já referido, arranjar e conseguir na secretaria o que não conseguiriam nos militantes... Até hoje, e ao abrigo de um sigilo bancário qualquer, não houve um único esclarecimento, no entanto António José Seguro foi ávido a pedir o levantamento do mesmo sigilo bancário a Pedro Passos Coelho, mas na sua casa, serviu de escudo para esconder algo verdadeiramente vergonhoso, que a seu tempo, acredito que serão do conhecimento publico, os montantes superiores a 100 000€, uma maquia boa nos tempos de crise que vivemos, e que muito duvidamos que tenham entrado nos cofres do PS, mas considerando que possam ter entrado, não é menos importante perceber de onde veio esse “financiamento” e que propósitos serviriam.
Mas bem, batemo-nos com a seriedade, honra, amor à causa publica e fomos ouvir os militantes, por todo o distrito, sempre olhos nos olhos e com a mesma verticalidade de sempre, a resposta não poderia ser outra, pois sabem bem que podem e devem confiar neste projeto e em Joaquim Barreto, um homem com provas dadas, na política e na vida pública, assente no rigor, na transparência e seriedade.
Atingimos os objectivos, vence-mos com uma clara margem as eleições de Presidente de Federação com uma diferença superior a 500 votos, as mulheres que connosco estavam e que se batiam pelos mesmos pressupostos de seriedade, rigor e trabalho também venceram, com a Dr.ª Palmira Maciel à cabeça, obtendo uma vantagem superior a 100 votos, imperou o Trabalho, a Dedicação, a Seriedade, em resumo, o que a Sociedade melhor espera dos Agentes Políticos.
Destronamos o objectivo principal dos apaniguados de António José Seguro, “limpar” as federações, para depois “varrer” o PS nas primárias.
Joaquim Barreto e Palmira Maciel venceram com folgada maioria, fazendo ouvir bem alto um dos principais princípios do PS, servir as pessoas, sem se servirem do Par-tido, eles são os justos vencedores, liderando uma equipa jovem, que alia a experiência e que trará ao PS no contexto Regional, o papel preponderante de outros tempos, liderando e afirmando com veemência o nosso desígnio de sociedade, com o PS a liderar em todas as frentes.
Ainda em “festejos” e já estavam à porta as Primárias para escolha do candidato do PS a primeiro-ministro, Braga voltava a ter um papel crucial e decisivo, por muito que da parte da candidatura do António José Seguro tudo tenham feito para baralhar, usando os argumentos mais básicos e primários, como alguém surrealmente disse “Habituem-se” (num tom a resvalar os pensamentos mais distantes da democracia), ou mesmo afirmando, “Esta é a luta da minha vida” (ao que julgo ser uma clara de-monstração de sobre-vivência política a todo custo), colocando como se previa o resultado das federações como as primárias das primárias. Eis que saem as primeiras observações e comentá-rios brilhantes, afirmando que Seguro teria vencido em numero de votos, tendo em conta os recém líderes eleitos das federações e os candidatos que apoiavam, dizendo peremptoriamente a vitória de Seguro, numa lógica básica de pensamento que apenas pretendia esconder um sentimento cada vez mais real, a possível vitória de Costa.
A quem tem a devida paciência para ler este texto, que desde já agradeço, vou resumir os resultados de 28 de Setembro, FOI UM ARRASO ESCLARECEDOR. O PS deu à Costa por todo o lado, ficando apenas a Guarda como um qualquer arquipélago isolado.
Centremo-nos em Cabeceiras de Basto, pois é orgulhosamente a nossa terra, António Costa teve um resultado também ele esclarecedor e esmagador, mesmo que neste processo tenham participado anti-simpatizantes do PS, venceu por uma diferença de quase 400 votos.
Estive umas boas horas junto à mesa de voto, num processo com mais de 2000 inscritos, e assisti a um grupo de minhocões* a exercerem o direito de voto, que ainda há um ano atrás soavam bem alto a música dos Deolinda, apelidavam-se de arautos da democracia, diziam-se independentes, sem ligações aos Partidos, os mais sérios senão mesmo os únicos sérios, com eles não valia tudo, tinham personalidade e escolhas próprias, não se misturavam com a “gentalha” dos par-tidos, e por tudo isto, eram os melhores dos melhores para gerirem os destinos de Cabeceiras. Pois bem, em menos de um ano voltaram a dar a cambalhota, e lá apareceram mui-tos deles como simpatizantes do PS, mostrando bem o seu carácter e forma de estar na vida, SEMPRE À MEDIDA DAS SUAS CONVENIÊNCIAS E INTERESSES, o povo, bem esse (o povo), que se remedeie como puder, o que interessa é o seu status quo em volta dos seus básicos interesses pessoais.

Façam por isso vocês também a analise de alguma dessa gente, que em 2013 renegavam o PS e em 2014 lá apareceram para votar numas eleições internas. Para mim não passam de minhocões, cuja coluna vertebral da ética e da personalidade lhes foi varrida, como quem limpa as folhas no outono que caem no chão. Estes comportamentos não são justifica-dos pela estação do Ano que vivemos, o Outono, mas antes pela estirpe que os compõe e corrói, mas acho que são felizes assim.
Por isto, também para eles existe um PS em 2 tempos, o PS que lhes cumpre as ambições e interesses, e o PS que renegam...

*Minhocão
(minhoca + -ão)
substantivo masculino
Anfíbio de lagoas do centro do Brasil.
"minhocão", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013.

anfíbio
adjectivo
1. Que tanto vive na terra como na água.
2. Que pode circular em terra e na água.
3. [Figurado] Que se efectua na terra e no mar.
"Anfíbio", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013.

* Colaborador
Nuno Miguel Barreto

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.