Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-07-2014

SECÇÃO: Opinião

O futuro do Portugal democrático e a liderança do Partido Socialista

A existência de um futuro plausível e continuado para o Portugal democrático, “com a certeza que o futuro não é apenas uma continuação do passado”, depende de um Partido Socialista forte e coeso, capaz de ser uma alternativa credível a esta Direita que assente na ideologia dominante e castrante do Neoliberalismo. A Europa sofre os efeitos desta castração e hesita, o país por arrasto está mergulhado numa crise económica e social que não tem precedentes na nossa democracia contemporânea, a tudo isto acresce uma governação desastrosa da coligação PSD/CDS: a desordem na República Portuguesa é geral, condenando milhares de concidadãos à pobreza e exclusão social extrema.
Neste contexto é expectável que o cidadão, sem militância partidária, veja a atual luta pela liderança no PS com certa apatia, como um movimento contrário ao interesse nacional e inoportuna. Todavia, penso que este sentimento geral poderá não corresponder total-mente à realidade. Por um lado, atualmente o Partido Socialista não governa, é apenas e tão só o principal partido da oposição a um Governo sustentado por uma maio-ria parlamentar. A luta pela lide-rança no PS não põe em causa a estabilidade governativa, e como o governo sempre marginalizou o PS – consensos de última hora e a pedido supremo seriam, hoje, impossíveis. Em segundo lugar, e mais importante, esta disputa clarificará a mensagem (ideologia) que o PS quer para a Europa e para Portugal: haja arte e engenho em fazer este debate. Os dois candidatos António José Seguro e António Costa dão plenas garantias de um debate sério e consequente. Por último, o PS tem hoje dois grandes candidatos à liderança: o atual líder: Seguro, e o que aspira a ser líder: Costa, o que nos ensina que em democracia as lideranças dos partidos políticos não são perenes, nem passíveis de hipotética blindagem estatutária.
A discussão da liderança no partido socialista está em aberto até ao S. Miguel (28 de Setembro). Nesta data saberemos, em definitivo, o nome do secretário-geral do PS e candidato a Primeiro-ministro de Portugal para 2015. Tal como nos medicamentos, esta disputa Seguro/Costa poderá ter efeitos secundários. Há um risco verosímil para o país nesta disputa: o de não resultar um PS mais forte e coeso. Para que tal aconteça basta que o espiral crescente de extremar de posições, a radicalização do discurso atinge o ponto de não retorno que impossibilitará a unidade necessária no pós eleições. Este risco é, na minha perspectiva, real. Neste cenário o cidadão, sem militância partidária, terá toda a razão: a disputa interna do PS foi um movimento contrário ao interesse nacional e inoportuna, condenado Portugal à indigência.
A unidade interna do PS no dia 29 de Setembro, independente-mente do resultado eleitoral, terá de ser obrigatoriamente um “imperativo categórico”.

* Colaborador

Luís F. Lopes

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