Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 16-06-2014

SECÇÃO: Opinião

A vida “possível” dos movimentos independentes pós ato eleitoral

A vida dos movimentos de “in-dependentes”, nascidos propositadamente para concorrem a um ato eleitoral, têm vários momentos. Vamos analisar, apenas, a sua vida pós ato eleitoral. O ato eleitoral dita dois destinos possíveis a esses movimentos: ganham as eleições e assumem-se como movimentos autónomos e continuados, ou pelo contrário perdem as eleições morrendo na própria noite de eleições. O que se verificou em Cabeceiras de Basto não foi nenhum destes destinos. O movimento de Independentes por Cabeceiras (IPC) perdeu as eleições autárquicas de setembro último, porém não se verificou a sua extinção, antes pelo contrário, segundo julgo saber “institui-se” mesmo em associação. É caso para dizer que a exceção confirma a regra.
A opção por esta terceira “existência” pelo IPC poderá ter efeitos contraditórios na boa governação do concelho e no normal funcionamento da democracia. Em primeiro lugar porque contraria a génese deste movimento: ao autointitularem-se como movimento genuíno de independentes em antítese aos partidos políticos e os seus militantes, não deveria ter evoluído para um partido camuflado de associação com fins exclusivamente políticos. Em campanha eleitoral, tanto criticaram os partidos, os “aparelhos”, hoje não existem dúvidas que IPC é um pequeno partido político de âmbito local. Com uma agravante, o escrutínio público aos partidos é muito apertado, e bem, já nas associações deixa muito a desejar. É importante que os Cabeceirenses conheçam os reais interesses dos patrocínios associativos que estão por trás do IPC. Em segundo lugar, sem história e sem uma matriz ideologia para dar alguma consistência à elevada diversidade de opinião interna, dado que resultou da junção avulso de sensibilidades individuais, a sua ação pública será maioritariamente pautada na negativa. Simplesmente, porque é a que mais facilmente reúne consensos internos. Serão sempre anti qualquer coisa, contra este modelo de desenvolvimento nunca serão a favor da governabilidade e do progresso para Cabeceiras de Basto.
Estas duas premissas teóricas foram verificadas na última ses-são da Assembleia Municipal. Todos os elementos do IPC votaram contra o relatório de contas do ano de 2013. O que está total-mente de acordo com as anteriores premissas: o seu movimento é hoje um partido camuflado (o “regimento” interno deverá obrigar à disciplina de voto!) e a sua ação pública é pautada na negativa. Qualquer que fosse a argumentação, a decisão de votar contra foi tomada e fundamentada em sede partidária antes da sessão da Assembleia Municipal, sendo mesmo “irreversível”. Poderiam as coisas ser de outra forma? Imaginemos o cenário de extinção do movimento pós ato eleitoral. Acre-dito que neste cenário, a Assembleia teria decorrido noutro ambiente, acredito que alguns dos elementos do IPC seriam verdadeiramente independentes e te-riam votado a favor, outros abster-se-iam e seguramente haveria alguns a votar contra em função da análise aos argumentos apre-sentados e discutidos em sede de Assembleia Municipal. Teríamos, assim, o que eu considero o normal funcionamento da democracia: a coexistência profícua ente partidos e movimentos de independentes. Eu sou favorável à “biodiversidade” institucional e em democracia os movimentos genuínos de independentes não têm, necessariamente, de se tornarem semelhantes aos partidos políticos.
Ao escolher este caminho de institucionalização o IPC clarificou a sua razão de existir: a busca do exercício do poder a todo custo.
* Colaborador
Luís F. Lopes

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