Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 16-06-2014

SECÇÃO: Opinião

1475 – Assalto ao Mosteiro de S. Miguel

Em 1475 era senhor da Terra de Cabeceiras o fidalgo D. João Rodrigues Pereira, conhecido pela alcunha de “O Marramaque”, ganha em Lisboa devido ao seu feitio brigão e chocarreiro, trovador nas horas vagas (representado no “Cancioneiro Geral” de Garcia de Rezende, não só por trovas por si escritas como também por aquelas de que foi alvo). Era o 4º Senhor do concelho, de cujas justiças dependiam ainda os coutos de Abadim e de Santa Senhorinha de Basto. Já o couto do Mosteiro de São Miguel de Refojos não tinha de prestar qualquer vassalagem ao senhor de Cabeceiras. Era este último que provocava engulhos ao senhor da terra, pois o convento era muito rico em bens e em influência, sendo os seus frades conhecidos por toda a região e muito considerados.
Era Dom Abade do Mosteiro o frade “D. Diogo Borges”, o segundo da famosa “Dinastia dos Borges”, instituída em 1428 pelo 1º abade comendatário D. Gonçalo Borges, que instalou no convento uma vida de pompa e fausto, pouco consentânea com os votos e os regulamentos da Ordem Beneditina.
Tudo isso incomodou o senhor de Cabeceiras e, por estas ou outras razões que desconhecemos, optou por atacar o mosteiro com os seus homens de armas.
O convento era – e ainda o é – um edifício sólido e robusto e os frades não eram pecos e tinham como exemplo um certo frade Hermigio que uns bons séculos antes pusera em debandada as hordas mouriscas, imortalizado como “O Basto”. O cerco não vergou os frades. As portas resistiram. Pegaram fogo ao edifício. Não alastrou. Os frades puseram os atacantes em debandada, deixando estes dois mor-tos no terreno e levando consigo alguns feridos.
Era um crime de lesa majestade, contra El-Rei e contra Deus. O senhor do concelho exilou-se na Espanha, o que não era a 1ª vez que o fazia já que um outro crime de morte lhe pesava nas costas. Mas os Pereiras de Cabeceiras tinham grande influência na Corte de Lisboa e passado algum tempo foi per-doado, regressou a Portugal e juntou-se aos exércitos do Rei D. Afonso V.
E os frades do mosteiro ficaram em paz. E a dinastia dos Borges passou de tios para sobrinhos e durou 120 anos.

* Colaborador
F, Vitor Magalhães

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