Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 26-05-2014

SECÇÃO: Entrevista

Lar Dr. Manuel Fraga

Drª Natália Correia, Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Cabeceiras de Basto
Drª Natália Correia, Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Cabeceiras de Basto
25 anos ao serviço da comunidade

Ao serviço dos Cabeceirenses há 25 anos o Lar da Santa Casa da Misericórdia de S. Miguel de Refojos continua a ser uma referência no concelho na prestação de serviços à comunidades, nomeadamente à terceira idade, protegendo sobretudo, os mais debilitados e carenciados.
Drª Natália Correia no Lar que dirige
Drª Natália Correia no Lar que dirige
A missão da Santa Casa da Misericórdia de S. Miguel de Refojos (SCMR) - a mais antiga instituição do concelho - consiste em servir, ajudar e prestar serviços à população ainda que de forma discreta, mas sempre com vontade de ajudar as pessoas, motivo pela qual se mantem atenta e disponível para abraçar novos projetos que se consubstanciem noutras novas e inovadoras respostas, adequadas às exigências e solicitações atuais.
Na passagem de um quarto de século da sua existência, o jornal Ecos de Basto foi ouvir a sua Provedora Dr.ª Maria Natália Carvalho Correia, para quem é um privilégio e um gosto assumir esta missão de servir a SCMR desde 2007 e prosseguir a sua atividade, no respeito pelo cumprimento das Obras de Misericórdia. O Lar, a Academia de Cultura/Universidade Sénior e brevemente a Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração, são valências disponibilizadas aos cabeceirenses e através das quais diariamente se procura prestar serviços de excelência e respostas sociais à população.
Nome: Maria Natália Carvalho Correia
Cargo: Provedora da Santa Casa da Misericórdia de S. Miguel desde 2007
Profissão: Professora, licencia-da em Filosofia. Mestre em Filosofia da Educação e Especialização em Administração Escolar

Ecos de Basto - O dia 14 de maio foi um dia festivo para a Santa Casa da Misericórdia de S. Miguel de Refojos. Festejou 25 anos de atividade ao serviço da comunidade, nomeadamente dos mais idosos. O que representa para a instituição que lidera a passagem desta data?
Natália Correia - A passagem desta data, 14 de maio de 2014, representa um marco importante na Instituição, é a certeza do cumprimento da missão para que foi criada e ainda a alegria, a satisfação, o prazer e a consciência do notável trabalho de todos aqueles que ao longo dos anos prestaram serviços nesta Instituição e finalmente o compromisso dos que atualmente são responsáveis pela coordenação e prestação de serviços, nomeadamente os Corpos Sociais, os colabora-dores e os voluntários de assegurarem que o Lar Dr. Manuel Fraga possua sempre um estatuto de referência na nossa Comunidade.

E.B. - O Lar Dr. Manuel Fraga, principal valência da Santa Casa da Misericórdia de S. Miguel de Refojos, continua a ser uma instituição de referência no concelho. Que balanço faz da atividade desenvolvida?
N.C. - O Lar Dr. Manuel Fraga tem vindo ao longo dos anos a corresponder aos objetivos para que foi criado, a prestar apoio social à Terceira Idade e a proteger os mais debilitados e carenciados. Tem ainda prestado auxílio a pessoas com outras idades mas que porventura apresentaram ou tem apresentado múltiplas carências e dificuldades. Tem tornado possível a proteção, a ajuda, o conforto, o bem-estar e a felicidade de todos aqueles que beneficiaram ou beneficiam dos seus serviços
Assim, num momento de balanço, não poderia deixar de manifestar a minha enorme satisfação e o orgulho de sentir que, de facto, o Lar Dr. Manuel Fraga tem prestado um serviço de excelência a toda a Comunidade.

E.B. - Quantos utentes acolhe atualmente o Lar Dr. Manuel Fraga? Entre que idades? Tem lista de espera?
N.C. – O Lar Dr. Manuel Fraga acolhe atualmente 68 utentes cujas idades variam entre os 65 e os 96 anos, sendo que neste número total se incluem cinco utentes que, apesar de possuírem idades inferiores a 65 anos, apresentam caraterísticas/condições especiais.
Tem existido sempre lista de espera ainda que nos últimos tempos o número de pedidos de admissão seja menor.

E.B. - Quais as principais dificuldades com que se depara diariamente na gestão deste equipamento social?
N.C. - A gestão deste equipamento social tem representado um desafio que temos sabido vencer.
Felizmente ao longo dos últimos anos a esperança média de vida tem vindo a aumentar, facto que desde logo contribui para que a média das idades dos utentes do Lar seja, também ela, cada vez mais elevada. Os utentes porque vivem mais tempo, naturalmente, são portadores de mais doenças, debilidades e todo o género de fragilidades caraterísticas da idade que exigem mais cuidados por parte dos recursos humanos e ainda produtos e equipamentos consentâneos com as suas inerentes necessidades.
A aquisição dos bens necessários implica gastos cada vez mais elevados.
As comparticipações por parte da segurança social e dos utentes não têm vindo a aumentar e maioria dos utentes contam sobretudo com o apoio financeiro da Santa Casa da Misericórdia.
Gerir assim um equipamento e prestar em simultâneo um serviço de qualidade não é fácil, contudo a colaboração, responsabilização e a dedicação de todos tem permitido ultrapassar as dificuldades.

E.B. - A Santa Casa da Misericórdia de S. Miguel de Refojos tem uma Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração concluída e pronta a funcionar desde 2012. No entanto, sabemos que o processo está parado devido à falta de acordo com a ARSN (Administração de Saúde do Norte). Qual é o ponto de situação nesta data?
N.C. – Entre a SCMR e a ARS Norte existe um compromisso desde o dia 15 de janeiro de 2009, data em que foi assinado o protocolo com vista ao funcionamento da Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração. Aguardamos apenas a marcação da data de abertura e a integração na Rede de Cuidados Continua-dos.

E.B. - Esta é uma valência cada vez mais procurada pela população. Quando se prevê que entre em funcionamento? Qual a sua capacidade? E investimento?
N.C. – Esta resposta social é, de facto, atendendo às características atuais e futuras da nossa população, cada vez mais necessária, mais urgente e mais procurada, por isso, é previsível que a sua abertura ocorra brevemente. Acredito que a população cabeceirense tenha dificuldades em perceber que tenha havido um investimento tão avultado, cerca de três milhões de Euros, provenientes do Estado e da Misericórdia e as 31 camas previstas pelo Ministério da Saúde não estejam disponíveis para a população.

E.B. - Além do internamento, esta Unidade prestará outros serviços? Quer referi-los?
N.C. - A Unidade não pode prestar outros serviços que não sejam os exigidos pela Rede de Cuidados Continuados, consentâneos com a tipologia protocolada e apenas aos utentes que se encontram internados.
No mesmo edifício, anterior Hospital Júlio Henriques, serão, no entanto, disponibilizados à população serviços diversos na área da saúde.

E.B. - Este é o mais recente projeto da Santa Casa da Misericórdia de S. Miguel de Refojos. Existem outros para o futuro? Quais?
N.C. - A SCMR tem como missão, à semelhança das demais Misericórdias, servir, ajudar, prestar serviços à população, por isso, em momento algum poderá a instituição dar por findos os seus projetos. A sua presença, o seu contributo, ainda que de forma discreta, estarão sempre garantidos. Não tendo outros fins que não o desejo e a vontade de ajudar as pessoas, estaremos sempre atentos e disponíveis para abraçar novos projetos que se consubstanciem noutras respostas sociais.

E.B. - A Santa Casa da Misericórdia de S. Miguel de Refojos dinamiza também uma Universidade Sénior. Fale-nos sobre esta ‘valência’?
N.C. – A Academia de Cultura/Universidade Sénior corresponde a uma resposta social que foi criada depois de constatarmos não existir no concelho uma resposta socioeducativa, que visasse criar e dinamizar regularmente atividades sociais, culturais, educacionais e de convívio em regime não formal, preferencialmente para e pelos maiores de 50 anos.
Está em funcionamento desde 2007 e tem sido para mim muito gratificante verificar que as pessoas se encontram, convivem, aprendem, partilham saberes e experiências e desenvolvem imensas atividades.
Possuem sessões sobre assuntos diversos, ao longo da semana, dinamizadas pelos próprios e por voluntários e um plano de atividades que concretizam ao longo do ano letivo.

E.B. - Sendo professora como compatibiliza no dia-a-dia estas duas etapas de vida tão distantes?
N.C. - A vontade, a motivação, o interesse, o gosto e o querer têm-me permitido encontrar uma “organização pessoal” capaz de me permitir responder de forma positiva a situações e funções diversas como a responsabilidade de ser Provedora da Santa Casa e Diretora de um Agrupamento de Escolas.
Tenho para mim “que querer é poder”. Ser voluntária é encontrar sempre uma forma de estar disponível para as convocatórias, solicitações que me são dirigidas e o prazer de verificar que fui útil, que ajudei a alguém, que contribui para o seu bem-estar proporciona-me uma enorme felicidade. Não necessito de outra recompensa.

E.B. - O que a motivou a assumir o cargo de Provedora da Santa Casa da Misericórdia?
N.C. – O que motivou a assumir o cargo de Provedora da SCMR foi a vontade e disponibilidade que me carateriza para dar um contributo a projetos em que acredito e o enor-me prazer que sinto quando abraço causas sociais.
Quis, e continuo a querer, colocar ao serviço desta Instituição os meus saberes, competências, experiências e valores, garantindo a sustentabilidade e a eficiência das respostas sociais já disponíveis, bem como das que entretanto vierem a ser disponibilizadas.
É um privilégio, um prazer, um gosto imenso assumir a missão de servir a SCMR, no respeito pelo cumprimento das Obras de Misericórdia.

E.B. - Que lição retira das histórias de vida com que se cruza?
N.C. - É impossível descrever as imensas histórias de vida que têm partilhado comigo mas delas retiro o seguinte:
A vida nem sempre foi fácil, foram muitos os obstáculos que os nossos utentes tiveram que contornar ou vencer.
Para muitos o Lar Dr. Manuel Fraga representa o conforto, a segurança, o bem-estar e um porto seguro que uma vida de imensas agruras nunca lhes havia proporcionado.
A família é muito valorizada pelos utentes, ainda que esta nem sempre preste o apoio necessário.

E.B. - Volvidos 25 anos, os serviços de apoio à Comunidade e o cumprimento das Obras de Misericórdia, através de respostas socialmente úteis e de excelência, continuará a ser, nos próximos 25 anos, o lema da Instituição?
N.C.- A SCMR é a Instituição mais antiga do concelho com preocupações sociais, e por isso a sua ação tem início muito antes da construção do Lar Dr. Manuel Fraga. Como já referi a sua missão foi e será de proximidade com os mais carenciados e fragilizados. Estaremos sempre atentos e disponíveis para integrar nas nossas respostas sociais aqueles que necessitarem e ainda proporcionar novas e inovadoras respostas adequadas às exigências e solicitações atuais.
Naturalmente, por princípio, os serviços disponibilizados ou a disponibilizar terão sempre de se afirmar pela qualidade e excelência.


































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