Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 05-05-2014

SECÇÃO: Informação

Agricultura familiar em Cabeceiras de Basto e o 1º de Maio

O ano de 2014 foi considerado pela Organização das Nações Unidas o Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF), com o objetivo de contribuir para aumentar a visibilidade da pequena agricultura e dos pequenos agricultores em todo o mundo. O dia Internacional dos Trabalha-dores é celebrado anualmente no dia 1º de Maio em numerosos países do mundo. Portugal é, ainda, um desses países, por momentos pensei que este feriado, seria um a eliminar pelo nosso actual Governo, ou até mesmo substituído para dar lugar ao dia do “Capital”. Pergunta o leitor do Ecos de Basto: o que estas duas realidades (agricultura familiar e trabalho) têm em comum? Eu diria que tudo, estão intrinsecamente ligadas e com existências interdependentes. A noção de Agricultura Familiar (AF) deve ser entendida, neste artigo, de uma forma genérica: “como aquela em que a família é proprietária, ao mesmo tempo, dos factores de produção e assume o trabalho no processo produtivo”. Esta é a agricultura de Cabeceiras de Basto, o lavrador é dono da terra e realiza trabalho por sua conta, não necessita da presença de um “patrão”. O sucesso do lavrador dependerá, assim, da sua capacidade de realizar trabalho. Os lavradores antigos (incluo orgulhosamente o meu avô), tinham brio nas suas enxadas, nas gadanhas, nas junta de bois pois eram os melhores garantes do seu sucesso. Porém o mundo muda, e a agricultura também. A evolução económica, dos últimos tempos, está a fazer alterar rapidamente o destino da agricultura familiar e a importância do trabalho. Ao desvalorizar o trabalho estamos a menosprezar a agricultura familiar. É nesta perspectiva, e os Cabeceirenses bem o sabem, que os partidos de esquerda, em particular o Partido Socialista, dão reais garantias na luta pela valorização do trabalho (logo valorizam a agricultura familiar) em detrimento dos partidos da direita, mais liberais, que preferem a valorização do “Capital”. O debate político cabeceirense deveria ser em torno das ideias e não das pessoas. Porém para se verificar esta premissa são necessárias ideias. Urge, pois, que os “independentes” tomem partido em prol de uma clarificação ideológica.

Vila Real, 1 Maio de 14

* Colaborador








© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.