Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 14-04-2014

SECÇÃO: Opinião

Tabagismo, a principal causa de morte prematura evitável!

Quando um cigarro se acende, acendem-se logo dois ou três. É quase inevitável!
Isto dá que pensar! Se existem 1100 milhões de fumadores a nível mundial e 4,9 milhões de mortes por ano que segundo as estimativas serão 10 milhões em 2020, sendo o tabagismo a principal causa de morte prematura evitável e de perda de qualidade de vida, porque é que ainda existe à venda tabaco, porque é que apesar de toda a informação existente as pessoas continuam a fumar, como se fossem imortais e inatingíveis?
Embora a maioria das pessoas admitam que o tabaco é prejudicial à saúde, identifiquem as doenças associadas ao tabagismo, receiem mesmo o cancro do pulmão, os acidentes coronários, as disfunções respiratórias,… continuam a fumar e quem sabe se aceitando que só acontece aos outros ou arriscando, porque obtêm do fumo prazeres únicos, dos quais não abdicam…
Quem já tentou deixar de fumar sabe como é duro! Sobretudo porque o organismo reage à falta da nicotina (uma das 4720 substâncias tóxicas do tabaco e responsável pela dependência física e psicológica), tal como o de um toxicodependente reage à ausência da droga. É a chamada síndrome de abstinência, que se traduz por: depressão, insónias, ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, instabilidade emocional, boca seca, dores musculares, … Muitas das pessoas que tentam deixar de fumar não resistem a estes sintomas de privação da nicotina.
Talvez assim se explique que haja tantos fumadores e que lhes seja tão difícil deixar de fumar, mesmo quando reconhecem os efeitos perversos do tabaco.
O ideal seria, deixar de fumar sem ter que recorrer a medicamentos, mas é um facto que a síndrome de abstinência é um inimigo duro de combater. Aliás, não existe nenhuma forma infalível para deixar de fumar, a realidade é que só traz aspetos positivos para a sua vida e para os que o rodeiam. Através da melhoria da qualidade de vida, com melhorias significativas que só as sentirá depois de deixar de fumar.
Não é fácil, deixar de fumar! É preciso lutar com força de vontade contudo, trata-se de uma missão possível!.. Pense nisto!
Não espere por começar a sentir-se mal ou que o médico o obrigue…
Uma outra das maneiras de combater o tabagismo foi aplicada recentemente pelos governos da União Europeia, mediante a nova legislação em vigor, em Portugal, desde 1 de janeiro de 2008, que condiciona o consumo de tabaco nos locais fechados procurando proteger os não fumadores da exposição involuntária ao fumo. Apesar do consumo de tabaco estar proibido nos locais destinados a menores de 18 anos, nos estabelecimentos de ensino, estabelecimentos hoteleiros, entre outros, verifica-se que no entanto, podem ser criados espaços de fumadores, respeitando normas de ventilação específicas, os pais podem continuar a fumar no carro e no domicílio expondo as crianças ao fumo do tabaco… tornando este comportamento como um ato permissivo e normativo aos olhos das crianças, adolescentes que com eles coabitam.
A prevenção da iniciação do consumo de tabaco entre os adolescentes e jovens afirma-se, como sendo uma abordagem crucial para se poder vir a controlar a “epidemia tabágica” nas próximas gerações.
Já em 2007, Marques, considerava o tabaco como a primeira droga consumida pelos adolescentes, estando o início do consumo relacionado com a integração social, para parecerem mais adultos e se sentirem integrados no seu grupo de colegas, reforçando assim a sua autoestima e autoimagem, afirmando-se socialmente.
Apesar dos adolescentes serem considerados um grupo saudável, estes estão sujeitos a riscos, como acidentes, doenças crónicas, violência, doença mental, suicídio, consumo excessivo de álcool ou gravidez não planeada. Segundo a Organização Mundial de Saúde, para além destes riscos a curto prazo, muitas doenças da idade adulta têm o seu início durante a adolescência, pela adoção de estilos de vida nocivos relacionados com o uso de substâncias aditivas, maus hábitos alimentares, sedentarismo ou comportamentos sexuais de risco.
Como comprovamos em vários estudos nomeadamente no recentemente realizado no Agrupamento de Escolas de Cabeceiras de Basto, no sentido de determinar qual o consumo de tabaco nos jovens do 8º ano de escolaridade aplicou-se um questionário de autopreenchimento, a todos os estudantes, constituindo-se uma amostra de 208 adolescentes, onde 67,6% têm entre 12 e 13 anos. Dos jovens não fumadores, 26,1% assume que já experimentou fumar; 9,2% refere que é consumidor, dos quais 2,8% como sendo diariamente. Destaca-se que a maioria reporta que tem informação suficiente e adequada sobre o tabaco, indicando como principal fonte a escola e a família.
A prevenção da iniciação e do consumo de tabaco nestas idades deve envolver várias estratégias, trabalhando-se competências cognitivas e sociais, que melhorem a sua capacidade para compreenderem e usarem a informação por forma a assumirem a responsabilidade por uma boa condição de saúde. No entanto e dada a vulnerabilidade desta fase da vida, em que a capacidade de decisão não se encontra ainda completamente desenvolvida, é de todo indispensável implementar medidas eficazes de controlo de tabagismo, promovendo e apostando-se no desenvolvimento da literacia em saúde. Sendo apenas possível pelo envolvimento conjugado de vários agentes sociais e culturais, destacando-se os pais, os profissionais de saúde e os docentes, enquanto atores privilegiados de educação e promoção de saúde.
A adolescência é uma fase de buscas e descobertas, caraterizada pelo conflito entre o ser-se dependente ao mesmo tempo que se procura essa mesma independência, pelo que se considera um período de grande importância na construção da identidade do indivíduo.
Enquanto somos crianças são os nossos pais que fazem as escolhas por nós mas na passagem obrigatória entre a infância e a idade adulta afirmando-se como um fenómeno sócio cultural no século XXI, chamada de adolescência. É considerado um período de transição, em que já não se é criança, mas também ainda não se é adulto, rico em ideias, sonhos e projetos, caracterizado por transformações profundas no corpo e nas relações sociais.
A cada hora, a cada minuto, a cada segundo, a cada instante que passa tomamos mil e uma decisões; o que vestir, o que comer, fumar ou não fumar…a escolha é tua, é sempre tua!
É claro que ela, a escolha, é condicionada pelas vivências desde que nascemos, pelos familiares e a cultura em que estamos inseridos, pela sociedade, pelos amigos, pela publicidade… mas a escolha, essa, é tua!

* Colaboradora
Anabela Rodrigues

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