Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 14-04-2014

SECÇÃO: Opinião

Há quarenta anos, foi assim…!
“Como eu vi o 25 de Abril de 1974”

Eram 02, horas da manhã do dia 25 de Abril de 1974, quando pela rádio tomei conhecimento, que algo de anormal se estava a passar no nosso país.
A confusão tinha-se instalado por toda a parte e muito poucos sabiam o que realmente se estava a passar. O Rádio Clube Português, continuava com as músicas do Zéca Afonso, a deliciar os ouvintes e a informar o país que havia uma revolução em marcha.
A “Grândola Vila Morena”, era repetidas vezes irradiada, logo seguida pelos “slogans”, O POVO UNIDO, JAMAIS SERÁ VENCIDO”.
AQUI POSTO DE COMANDO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS
Eram precisamente quatro e vinte e seis da madrugada, quando no Rádio Clube Português é lido o primeiro comunicado.
“Aqui, Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas, apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa, no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas”.
Às quatro e quarenta e cinco, Joaquim Furtado, faz a leitura de um segundo comunicado, com vista a desmobilizar possíveis ações por parte das forças policiais e militarizadas:
“Aqui, Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
A todos os elementos das forças militarizadas e policiais, o Comando do Movimento das Forças Armadas, aconselha a máxima prudência, a fim de serem evitados quaisquer recontros perigosos, que possam ocasionar um banho de sangue”.
A revolução estava na rua e as rádios não paravam de emitir música revolucionária.
Os acontecimentos deste dia revelam que, o Movimento das Forças Armadas era mais que uma organização corporativista. Os militares da revolução preconizaram um momento único da História Portuguesa, com milhares de outros protagonistas anónimos.
Situações impossíveis apenas 24 horas antes, marcaram os derradeiros momentos do Estado Novo.
Imaginemos o Terreiro do Paço entre as 8 e as 11 da manhã, o Largo do Carmo ao meio-dia e mesmo, a tensão vivida na António Maria Cardoso, durante toda a tarde.
Foi a REVOLUÇÃO DOS CRAVOS.
Pela manhã, reuni com os democratas Mondinenses antifascistas e como éramos simpatizantes do MDP/CDE, rapidamente nos organizamos.
Planeamos as celebrações do “1.º Primeiro de Maio”, em liberdade.
O meu camarada Manuel Nunes Alberto, desenhou os “slogans”, para o desfile que havia de ter lugar no 1.º de Maio.
“Abaixo o fascismo; viva o MFA; liberdade, fraternidade, solidariedade; pão, emprego e habitação; construir um país livre; fascismo, nunca mais”.
Que me recorde, nunca mais se celebrou com tão grande entusiasmo, o dia do trabalhador.
Quarenta anos depois, muita coisa ainda está por fazer…!
Não há emprego. Os portugueses, voltaram a emigrar.
O governo não governa, mas carrega sobre os mais pobres e favorece os mais ricos.
A presidente da Assembleia da República não permite que aqueles que nos restituíram a liberdade e a democracia, tenham voz no Parlamento.
Que país é este?
Volte General Otelo Saraiva de Carvalho. Está na hora de ser restituída a voz aos portugueses.
Quarenta anos depois do 25 de Abril… é necessário de novo acordarmos deste fatídico sono em que nos adormeceram.

* Colaborador
José Teixeira da Silva

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