Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 14-04-2014

SECÇÃO: Opinião

Da vocação à profissão

Tem-se assistido, nas últimas décadas, a importantes transformações sociais no mundo do trabalho, associadas a todas as demais mudanças sociais, que permitiram que a investigação científica pudesse analisar a importância da dimensão vocacional e profissional, ao longo do ciclo de vida. O presente artigo pretende refletir, de forma sucinta, a complexidade destas dimensões, de acordo com uma perspetiva biopsicossocial.
Num primeiro momento será importante salientar a presença de variáveis intrínsecas e extrínsecas, que influenciam, direta ou indiretamente, a dimensão vocacional e profissional.
No entanto, é determinante refletir, principalmente, sobre os papéis que as pessoas devem desempenhar perante uma nova dimensão do trabalho que, cada vez mais, exige atitude, abertura a novas e frequentes mudanças e a disposição para aprender durante toda a vida. Ou seja, o que antigamente acontecia, em que os filhos seguiam as profissões de família e, tinham a possibilidade de ter a mesma atividade profissional para toda a vida, atualmente, este cenário raramente se verifica, há mais possibilidades para se estudar, mas este processo complexo inicia com a tomada de decisão vocacional nos momentos de transição (9º ano e 12º ano), passando pelos desafios na entrada no mercado de trabalho e, por fim, todas as dificuldades ao longo da vida ativa na gestão da carreira profissional. Desta forma, a partir das novas exigências, ao longo de toda a vida, as pessoas devem ter uma participação ativa no processo de mudança, em que devem apresentar competências no relacionamento interpessoal, no trabalho, e de gestão da sua própria vida.
Só pela existência de tantas influências, e as restantes que não foram aqui descritas, se afirma que esta é uma dimensão muito mais complexa do que se pode imaginar, por isso merece uma atenção especial e uma reflexão cuidada. É necessário apresentar uma visão holística, integrativa e multidimensional quando se aborda a componente profissional das pessoas.
É imperativo contrariar, a conotação negativa, a desvalorização, a desmotivação e as crenças enraizadas na sociedade sobre o trabalho, que, geralmente, potencia a que os estudantes e as pessoas que se encontram prestes a entrar no mercado de trabalho e os trabalhadores, tenham poucas expetativas, ou mesmo apenas expetativas negativas, relativamente ao futuro. Mais importante é que, consequentemente, tende a aumentar a probabilidade de aparecimento de doenças, sintomatologia depressiva e ansiosa, desemprego de longa duração, pouca motivação e orientação a nível vocacional e profissional, frustração, aumento de relações conflituosas, falta de identificação com a atividade profissional, dificuldade na resolução de conflitos, falta de competências profissionais, isolamento social, falta de objetivos e desinteresse pelo futuro.
Desta forma, conclui-se que é importante refletir, cada vez mais, sobre a complexidade do processo desde a vocação até à profissão, durante o ciclo de vida, visto que é um processo que acompanha todas as etapas de vida das pessoas e com uma interferência no bem-estar físico, psicológico e social.

Sugestões e Comentários: ana_sofia_smatos@hotmail.com

* Colaboradora
Ana Sofia Matos

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