Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 14-04-2014

SECÇÃO: Opinião

Arco de Baúlhe - 1859 - A procissão da Senhora dos Remédio
Uma procissão curiosa

O ponto alto das festas do Arco de Baúlhe é sempre a procissão que na tarde do dia 8 de Setembro desfila pelas ruas da vila, em honra de Nª Srª dos Remédios. A imagem da Virgem sai no seu andor magnificamente engalanado, acompanhada de anjinhos e figuras bíblicas, de bombos, tambores, música, alegria e devoção.
Em 1859 a procissão deu brado, de tal modo que mereceu a sua inclusão na monumental obra de Pinho Leal, intitulada “Portugal Antigo e Moderno”.
Esta é a transcrição do texto daquele livro, com a ortografia da época:
“Em 1859 foi curiosa esta procissão. Entre outras figuras curiosas, havia Adão e Eva. Adão era um coxo, que levava um tamanco em um pé e no outro um sapato (para egualar as pernas!) e com um alvião às costas. Trajava casaca preta, calça branca e chapeo alto, branco.
Eva era outro homem vestido de mulher, com um chapeo de palhinha muito velho, cheio de fitas e com um grande laço encarnado: saia de chita de ramagens e chale côr de rosa; ia fiando n’uma roca.
Ia tambem o rei David (que era um pedreiro que sabia tocar viola) vestido extravagantíssimamente e dansando e tocando pelas ruas.
Salta uma grande pancada de chuva na procissão. David, cahiu e quebrou a viola, Adão e Eva, tiveram de fugir, cada um para sua parte a procurar abrigo, para não estragarem os fatos, e assim acabou esta ridícula mascarada.
Hoje faz-se já esta solemnidade com mais decencia e a ella concorre gente de muito longe, para vêr a brilhante illuminação e famoso fogo preso da véspera”.

* Colaborador

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