Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 24-03-2014

SECÇÃO: Informação

Museu das Terras de Basto apresenta ‘A Arte da Latoaria em Cabeceiras de Basto’

‘A Arte da Latoaria em Cabeceiras de Basto’ é o tema da exposição anual que se encontra atualmente patente ao público no Núcleo Ferroviário do Museu das Terras de Basto, em Arco de Baúlhe.
Trata-se de uma exposição que aborda esta tradicional arte de moldar a folha de latão - a latoaria - cujos objetos manufaturados, serviram durante séculos para responder às necessidades da vida rural. Os funis, os aros para fabrico de queijos, os regadores, os cântaros para o vinho, as bilhas, as almotolias e as enxofradeiras, mas também as candeias de azeite e de petróleo e os lampiões, fizeram outrora parte do quotidiano das famílias portuguesas. Também os brinquedos (apitos de lata, carroças em miniatura e baús) eram traçados com a folha de latão e utilizados pelas crianças e jovens ao longo de gerações. Hoje, todos estes artigos têm essencialmente, um interesse etnográfico e decorativo.
Os latoeiros, assim como os caldeireiros, os funileiros ou os picheleiros, eram profissionais conhecidos e estimados, nomeadamente no século XVI. Mestres artesãos trabalhavam nas suas lojas a folha metálica, também conhecida como folha da Flandres, subordinados às normas prescritas no respetivo regimento do ofício e após a realização de um exame que lhe conferia tal graduação profissional. No século XVII, os latoeiros e funileiros trabalhavam já a nova folha de ferro branca, um pouco por todo o país e como tal, também em Cabeceiras de Basto houve, em tempos, vários artesãos.
Atualmente subsiste um latoeiro de profissão, cuja idade avançada dificulta a produção de utensílios outrora muito utilizados pela população local.
Na malha das antigas ruas do Arco de Baúlhe, podemos ainda observar uma montra onde se expõem objetos feitos em folha metálica reveladores de uma arte em vias de extinção. Trata-se de um mestre artesão arcoense, nascido na década de 20 do século passado e que ao longo da sua vida, viu florescer o ofício exercido por vários profissionais nas oficinas e ao domicílio e também tornar-se obsoleto muito graças à ‘invasão’ dos artigos produzidos de forma massificada em plástico. Do seu pai herdou o ofício de manusear a folha da Flandres, fazendo luzidios cântaros, funis, púcaros, candeeiros, entre outros artigos, que vendia nas feiras das redondezas.
Particularidades de uma arte cada vez mais rara, cujo legado histórico e cultural, inclui peças decorativas de grande beleza, outras de cariz religioso ou utilitário que atravessaram gerações e fizeram parte do quotidiano de muitas famílias portuguesas e que podem ser observadas naquele equipamento municipal.
De referir que esta exposição anual gratuita - incide numa abordagem à arte da latoaria, à folha-lata, à obra de folha e também, ao percurso do mestre artesão arcoense - está patente ao público de terça a domingo, das 9h00m às 13h00m e das 14h00m às 18h00m.









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