Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 24-03-2014

SECÇÃO: Opinião

Metamorfose Inversa: da alternativa política a grupo de protesto

As candidaturas a órgãos autárquicos por parte de grupos de cidadãos eleitores constituem o mais recente fenómeno de participação pública. O propósito à parti-da era, efetivamente, o de alargar o debate político, inovando a participação em democracia.
Sucede, porém, que este modelo designa de movimentos independentes, listas compostas por cidadãos que outrora integraram candidaturas partidárias, exercendo cargos públicos por essa via e, além disto, permite-se a apresentação de candidaturas, em particular às autarquias, carregadas de uma forte indigência ideológica e pro-gramática.
Há um passado, um presente e um futuro que merecem necessariamente uma interpretação rigorosa. Dessa análise cabe-nos a conclusão de que a melhor forma de gerir as incongruências é não as gerar. Este aspeto, em política, revela-se inalienável, mesmo quando quem nela intervém procura permanentemente omitir, renegando, um passado mais ou me-nos recente.
Somente por intermédio do jogo democrático se poderão promover transformações significativas e este é, sem dúvida, o caminho mais complexo em democracia. De outra maneira, estaremos perante a demagogia e o populismo fácil.
Converter em grupo de protesto o assumir de uma alternativa política é extremamente fácil quando o fosso entre estas duas vias é excessivamente escasso.
Ser-se democraticamente eleito para representar a população, implica mais responsabilidade do que entusiasmo, significa, não só que o estado de graça terminou, mas que começou a avaliação.
A permanência de uma postura notoriamente incapaz, com défice de densidade política, em nada combina com aqueles que se esperavam os grandes desafios da revitalização da democracia: o sucesso de uma prática política que gere adesão e respeito populares.
Na política, em toda a sua dimensão, não se espera uma mera alternativa de poder. A política necessita, isso sim, de ideias concretas e viáveis, de projetos sérios e, sobretudo, exige uma intervenção forte dos verdadeiros políticos, daqueles que se assumem sem qualquer ressalva e que em momento algum colocam o entusiasmo diante da responsabilidade, mesmo que daí surjam medidas impopulares.
O debate político requer preparação, realismo, confronto e, acima de tudo, requer o fator consequencialista do que se diz e do que se faz.
O que está em causa nesta questão não se prende com um ponto de vista ideológico ou com um plano meramente político: trata-se antes de uma reflexão conjunta que diz respeito a todo e qualquer cidadão.
* Colaborador

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