Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 24-03-2014

SECÇÃO: Informação

Adoção e co-adoção por casais do mesmo sexo...

Temos assistido a tristes momentos da nossa democracia e a vários e diversos atropelos à nossa Constituição, aliás, neste capítulo, o Governo pode-se já considerar um campeão nos 40 anos de democracia em Portugal.
A JSD, pela voz do seu líder, e depois de já ter sido aprovado na generalidade a co-adoção por casais do mesmo sexo, apareceu, num sinal de sobrevivência e obediência política, com uma pro-posta de referendo, que mereceu a aprovação da Assembleia da República, com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP, não tendo estes partidos declarado a liberdade de voto aos seus deputados, mesmo tratando-se de questões que tem que ver com direitos humanos.
Como era previsível, o Tribunal Constitucional procedeu ao chumbo das questões que seriam leva-das aos portugueses através do dito referendo. Mais uma vez, a maioria PSD/CDS-PP que suporta o Governo, afronta a Constituição Portuguesa, sem pudor e qualquer respeito.
Mas, se isto terminasse por aqui, era mais um episódio negro para a coligação, mas vergonhosamente não terminou, tendo a JSD apresentado novamente à Assembleia da República, a pro-posta de referendo, e neste campo a democracia e os seu representantes, neste caso alguns deputa-dos do CDS-PP e PDS, inverteram o seu sentido de voto e de pensamento do que até então tinham declarado, que eram contra o referendo, e VERGONHOSAMENTE tudo fizeram para que a proposta fosse novamente aprovada por escassos votos.
Agora pergunto-me a mim e a todos vós, serão estas pessoas dignas de nos representar na casa mãe da Democracia? Quais os seus valores éticos, de consciência e de palavra? Só por conveniência partidária, colocam em causa direi-tos fundamentais, deixando as crianças desprotegidas, sim são as CRIANÇAS as mais prejudicadas com esta encenação Política imoral e de baixo nível, com a única intenção de desviar a atenção dos portugueses, para que possam continuar a assaltar os bolsos de todos nós.
Sou a favor da co-adoção e da adoção plena por parte destes casais. Sou-o porque acima de tudo, está o bem-estar de crianças e porque acredito que a capacidade de adotar ou co-adotar não se pode basear na orientação sexual dos pais, mas na qualidade das suas relações com os mesmos.
Ora, a Constituição da República Portuguesa é muito clara no seu 13º artigo- Princípio da Igualdade:
1. Todos os cidadãos (…) são iguais perante a lei;
2. Ninguém pode ser (…) prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão (…) da sua orientação sexual.
Este princípio não deixa margem para dúvidas. Além da questão da inconstitucionalidade que se coloca, não se referendam direitos humanos, não se referenda a igualdade, não se referendam afetos…
Ao contrário do que disse o líder da JSD, que todos os direitos humanos podem ser referendados, o que considero uma frase descabida, irresponsável, sem qualquer sensibilidade humana. Uma recente sondagem mostra que a população jovem está manifestamente contra esta opção de um responsável político de juventude, certamente que não estaremos todos errados, para que só ele e os seus correligionários estejam certos.
Estou certo que Portugal saberá dar uma lição de democracia e de respeito pelos direitos humanos e, neste caso preciso, o direito das crianças, sempre as mais desprotegidas, o contrário seria um enorme retrocesso civilizacional.
Essas teorias que as crianças criadas nesse meio, vivem numa família disfuncional, pois a ordem natural da vida seria terem um Pai e uma Mãe, eu deixo duas questões:
É preferível viverem em orfanatos, ou outras instituições (não colocando em causa o enorme valor que prestam à sociedade estas instituições, bem pelo contrário), sem que possam receber o carinho e o afeto de uma família?
De que forma terá influência na orientação sexual dessas crianças, o facto de viverem e crescerem com pessoas do mesmo sexo, afinal de contas, nunca um casal homossexual procriou, e nem por isso deixou de existir orientações sexuais diferentes na sociedade?
Casos como o da Fabíola Cardoso, por exemplo, não nos deixam indiferentes. Com 41 anos e a sofrer de um cancro, tem dois filhos biológicos que criou, em conjunto, com a sua companheira. O medo e a angústia de poder partir e não saber quem irá cuidar dos seus filhos perseguem-na, apelando de variadas formas ao respeito pelos direitos das (suas) crianças. Era ou não justa a co-adoção?
Lamentável! Lamentável que jogos políticos, “tricas” internas partidárias e a necessidade de desviar atenções do real estado do país se sobreponham aos direitos fundamentais de qualquer criança!

*Colaborador

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