Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 24-03-2014

SECÇÃO: Recordar é viver

Banda Filarmónica Mondinense

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Caros leitores, já vos tenho dito que para mim é sempre um prazer falar de pessoas com as suas experiências de vida, do património edificado e do património imaterial. Hoje vou dedicar esta crónica a uma pessoa que reúne todos esses predicados num só. Falo de um homem que não sendo de Cabeceiras de Basto por nascimento, é-o por uma grande afectividade que granjeou durante os anos que trabalhou como empregado comercial na conhecidíssima que foi a “Casa Abílio”, no Campo do Seco.
Falo de José Teixeira da Silva, um historiador por gosto próprio e autor de mais um livro, neste caso, o último, sobre a Banda Filarmónica Mondinense. Mondim de Basto, um concelho junto a nós, que faz parte do núcleo dos concelhos das Terras de Basto. Tem o privilégio de ter homens da envergadura e, para citar os que mais de perto convivem comigo nestas lides de escrita, o José Teixeira da Silva e o Luís Jales de Oliveira, com quem tive a honra de partilhar o júri do Conto Literário Infantil de 2013. São homens como estes e sem desprimor de outros igualmente importantes nesta área ou noutras mais diversificadas que dão vida e valor à sua terra, registando em livros, jornais, desdobráveis, etc. fazendo retrospectivas da história do passado, escrevendo no presente para ser compreendido no futuro. É o que penso em relação a estes meus grandes amigos. Sinto e revejo-me com eles nos anseios ao amar a minha terra e o querer registar tudo, com a minha visão humilde e sem grandes graus académicos, mas sei que as pessoas que nos lêem através dos jornais e dos nossos livros compreendem os nossos sentimentos e a vontade de fazer mais e mais e tentar fazer melhor.
Hoje vou dedicar a minha página a "falar" do Teixeira da Silva, que conheço do meu tempo de menina. Solicitá-lo pelo lançamento do último livro e também porque nos aproximados dos 40 anos do 25 de Abril, homenagiálo.

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Biografia
Capa do livro apresentado ao público
Capa do livro apresentado ao público

Nasceu a 05 de Abril de 1938, no lugar da Serra da freguesia e concelho de Mondim de Basto, numa sexta – feira às nove horas da manhã; filho de José Gonçalves da Silva e de Maria de Lurdes Teixeira da Costa; neto materno de Vitorino Teixeira da Costa e de Rita de Carvalho Branco; neto paterno de Manuel Joaquim Gonçalves da Silva e de Deolinda da Natividade Lopes.
Autor a discursar no lançamento do livro
Autor a discursar no lançamento do livro
Frequentou até aos onze anos, a Escola de Ensino Primário Elementar, saindo aprovado com distinção no exame da 4ª. Classe.
Trabalhou na oficina de alfaiataria do seu pai até aos 14 anos, onde aprendeu a arte da alfaiate. Nas horas vagas, aprendeu música em casa do senhor Plácido Pires e na “Filarmónica Mondinense”, começou a tocar Cornetim. Evoluiu bastante nesta ciência, graças ao senhor José Maria Borges, - ex. maestro da “Banda Filarmónica Mondinense”- , que fez de si, um bom executante, que lia as laudas e o solfejo da pauta, como quem lê o texto de um livro ou de um jornal. Depois de vários anos como elemento da “Banda Filarmónica Mondinense”, foi também “regente”, durante três anos, que considero três anos de verdadeiro êxito.
Escritor a autografar
Escritor a autografar
Foi ainda empregado comercial na antiga “Loja Nova dos Irmãos Machado” e carteiro dos CTT.
Trabalhou também em Cabeceiras de Basto, na antiga “Casa Abílio”, no Campo do Seco, Refojos de Basto, como empregado comercial e alguns anos depois, regressou à sua terra – Mondim de Basto – onde se estabeleceu como comerciante.
Fotografia antiga da Filarmónica em dia de festa
Fotografia antiga da Filarmónica em dia de festa
Actualmente é “funcionário administrativo” da Direcção dos Bombeiros Voluntários de Mondim de Basto, com o cargo de Secretário.
Sempre gostou de escrever, e por indicação do seu patrão, que era correspondente do “Jornal de Notícias”, escrevia muitas vezes com a sua assinatura o que se passava cá na terra; mas foi a partir dos sessenta anos, que essa motivação mais cresceu.
Depois de ter sido colaborador frequente em vários jornais regionais e nacionais, deu consigo a participar na rádio, com destaque para a extinta “Rádio Alto – Douro” (da cidade do Peso da Régua), onde todos os fins de semana fazia os relatos integrais e directos dos jogos de futebol da 3ª. Divisão nacional em que participasse o Mondinense Futebol Clube, em cadeia com a RDP – Norte.
Também deu a sua colaboração na rádio “A Voz de Basto” de Cabeceiras de Basto, onde semanalmente era responsável pelo programa, “Alfinetadas ao Meu Gosto”, que ia para o ar todas as quintas – feiras e tratava de todos os assuntos político – sociais, que se passavam durante a semana. Nesta rádio participou também na elaboração de outros programas, realizando concursos de perguntas e respostas feitas aos ouvintes sobre a história dos quatro concelhos da região de Basto, com a atribuição de excelentes prémios.
Mais tarde, muito mais tarde, é que o “bichinho” da escrita mais a sério, começou a “morder”.
Escreveu em 2007, o seu primeiro livro. “Os Caminhos da Sua História”, uma antologia dos 83 anos de vida, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mondim de Basto.
Tomou-lhe o gosto e ainda nesse ano, publicou um pequeno livro de poemas, a que deu nome de “ACREDITEI”, cujo autor do Prefácio, foi o seu professor e grande amigo, Dr. Nelson Vilela.
Este título, é resposta ao propósito que fez a si mesmo de um dia escrever um livro de poemas. Não porque se considerasse um poeta, mas porque ao longo da sua vida e desde a infância, escreveu muitos poemas, que foi guardando para agora finalmente publicar.
Em 2008, continuou a sua saga de escritor de província e resolveu escrever e publicar mais uma obra, “Contos Populares da Minha Terra”, onde dá conta das histórias que lhe eram contadas pelos mais velhos, na sua infância. A este livro emprestou toda a sua memória do passado, transportando para o papel um manancial de vida que já estava no esquecimento.
Em homenagem ao professor que teve quando estudou no “Externato de Nossa Senhora da Graça” de Mondim de Basto, escreveu em 2009: “Valdemar Cardoso Alves – o Homem, o Professor, e o Político”, é uma obra que fala do homem que foi o seu padrinho de casamento em 27 de Setembro de 1975, do extraordinário professor que teve de língua portuguesa e, do político que foi Vice – Presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto, deputado da Assembleia da República durante duas legislaturas em representação do PPD/PSD, e o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Águeda, após o 25 de Abril de 1974.
Continuando a sua caminhada na escrita, em 2010 escreveu e publicou “Os 86 anos de História do Mondinense Futebol Clube”, que o seu pai ajudou a fundar em 1924 e que ele filiou na A.F. de Vila Real em 1971, sendo actualmente o sócio nº 01 e por aclamação em Assembleia Geral elevado à qualidade de “Sócio de Mérito” do Clube.
Aos 75 anos ainda não conseguiu parar. Fez o que há muito trazia no seu subconsciente, escrever alguma coisa sobre a “revolução dos cravos”, que para a grande maioria da nossa juventude nada diz, porque nem sequer eram nascidos.
Assim, no dia 25 de Abril de 2011 integrado nas comemorações desse dia educativo da revolução de Abril, apresentou publicamente o seu último livro, “Como eu vi o 25 de Abril de 1974”.
Tem já pronto para publicar, “As Origens e a Linhagem da Família Pinto Coelho”, e também tem em “stand Bay”, numa tentativa de se iniciar na ficção, um romance popular que irá chamar-se, “Histórias” – Que o tempo não apaga.
Enquanto fizer parte do número dos vivos, continuará a escrever e a servir o povo da sua terra.
Escrever, porque é o único modo de passar o pouco tempo livre que ainda tem; servir o povo da sua terra, fá-lo-á sempre enquanto se justificar a sua presença.

fernandacarneiro52@hotmail.com

* Colaboradora

































































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