Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-03-2014

SECÇÃO: Opinião

A importância da prática desportiva no desenvolvimento da criança

As práticas desportivas e as atividades físicas como atividades de ocupação de tempos livres e de lazer têm uma relevância de destaque quando falamos de crianças e jovens. O tempo livre da criança passou a ser uma questão problemática de organização e gestão muitas vezes difícil e determinado pelos muitos constrangimentos da nossa sociedade.
É de realçar a importância da atividade física para um desenvolvimento e crescimento equilibrado, bem como, o seu relevante contributo no que diz respeito à aquisição de um estilo de vida saudável em que a atividade física e as práticas desportivas sejam integradas naquele estilo de vida, valorizando-se a sua forte relação com a saúde que é, frequentemente, ignorada.
Esta importância abrange vários planos, quer ao nível da melhoria e manutenção da condição física, do desenvolvimento global, do exercício corporal e do rendimento desportivo.
Assim as expectativas, os juízos e as atitudes dos pais relativamente à atividade física poderão desempenhar um importante papel na criação de hábitos de exercício regular.
“Deste modo o reconhecimento da importância da intervenção da família e da comunidade na promoção da atividade física está a aumentar, particularmente porque a atividade para as crianças encontra-se fora do horário da escola e porque a disciplina de educação física só por si não promove atividade física suficiente para ocorrerem significativos benefícios para a saúde” 1
Não nos podemos deixar de referir que as alterações ocorridas na estrutura social e económica das sociedades têm vindo a criar transformações nos hábitos quotidianos e nos valores dos indivíduos com implicações na ocupação do tempo livre e consequentemente nas oportunidades lúdicas oferecidas à criança. “Os modelos urbanos de envolvimento físico não facilitam o desenvolvimento da criança, limitando as suas possibilidades de interação física e social. Os espaços lúdicos são cada vez mais reduzidos, dado que nos planeamentos urbanos são frequentemente ignorados. A oferta é vasta, a disponibilidade para os filhos é pouca e a insegurança a que estão sujeitas as crianças é elevada”2
Estudos recentes falam sobre os efeitos da televisão e jogos eletrónicos no comportamento infantil que têm vindo a demonstrar a necessidade de dar mais atenção às práticas motoras, já que o grande problema parece ser que a inatividade motora cresce com o avanço tecnológico. “A atividade lúdico-motora é uma necessidade urgente como alternativa ao sedentarismo, à fragilidade e inadaptação motora e à falta de sociabilidade. É fundamental criar oportunidades para que a atividade lúdico-motora, aconteça numa sociedade em que as restrições às oportunidades de movimento são constantes”3.
Como refere Carlos Neto “É o esforço em manter a criança intelectualmente ativa e corporalmente passiva”4. É a tentativa de equipar a criança com o maior número de competências esquecendo-se que algumas delas são brincar, estar, dormir, pensar, descansar.
Devemos para o efeito destacar e realçar o papel importante que as atividades lúdicas de ocupação do tempo livre e a prática desportiva assumem no desenvolvimento infantil. Carlos Neto alerta-nos para o facto da “televisão, a internet e a proliferação dos brinquedos
modernos limitarem o raio de ação do jogo, impedindo as brincadeiras de rua” 5, i.e., tanto nos espaços rurais como urbanos. “Esta situação parece originar a diminuição das atividades de jogo livre das crianças e, consequentemente, da atividade física e dos hábitos de vida saudáveis”6. “Além do mais, a “evasão” de novas tecnologias tem vindo a ocupar o espaço não só dos jogos, mas também dos brinquedos e jogos tradicionais infantis que foram perdendo espaço entre as crianças”7.
Para Isabel Mesquita, é mais do que certo que “a participação das crianças e jovens no desporto potencia o desenvolvimento pessoal e social, para além de fomentar a capacidade de aprender formar adaptadas de competir e interagir com outras pessoas, é também através da prática desportiva que as crianças podem aprender a correr riscos, isto é, a ter responsabilidade pessoal e auto controlo como também a lidar com o sucesso e com o fracasso.”8
Assim sendo, cabe a cada um de nós e à sociedade em geral criar as condições necessárias por forma a proporcionar atividades lúdicas de ocupação do tempo livre e prática desportiva às nossas crianças e jovens. Fica lançado o apelo para que a sociedade civil se envolva no movimento associativo, para deste modo as Associações e Clubes, que proporcionam condições para que as nossas crianças e jovens pratiquem desporto o possam continuar a fazer e ao mesmo tempo poder alargar o leque de opções disponíveis para a prática desportiva para deste modo se possa aumentar o número de crianças que têm a oportunidade de participar nas atividades lúdicas de ocupação do tempo livre e a prática desportiva. No momento de atual crise económica em que os apoios das Associações e Clubes são cada vez mais escassos, é chegada a hora das pessoas darem um pouco mais de si na ajuda voluntária às diversas entidades que contribuem para o crescimento harmonioso dos nossos jovens, abraçando o lema – Mens sana in corpore sano (uma mente sã num corpo são).


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