Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-03-2014

SECÇÃO: Desporto

Tela que cobre o altar-mor devolvida à comunidade

Uma pintura de grandes dimensões que cobre o altar-mor e que se pensava perdida foi apresentada ao público, no segundo fim-de-semana de fevereiro, na Igreja do Mosteiro de S. Miguel de Refojos.
A obra foi encontrada em 2013 no âmbito de um levantamento de necessidades de intervenção de conservação mandado efetuar pela Câmara Municipal às Oficinas de Santa Bárbara.
A pintura tem 7,5 metros de altura e 2,9 de largura e representa a Santíssima Trindade e S. Miguel, uma obra que será datada da segunda metade do séc. XVIII e atribuída a Pascoal Parente.
Na cerimónia de apresentação da tela estiveram presentes o presidente da Câmara Municipal, Dr. China Pereira, o presidente da Assembleia Municipal, Eng. Joaquim Barreto, o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, o pároco de Refojos, Outeiro e Painzela, Pe. Manuel Batista, entre outras entidades públicas e religiosas e público em geral que quiseram ver a tela pela primeira vez.
A limpeza e higienização da máquina do altar-mor esteve a cargo das Oficinas Santa Bárbara – conservação e restauro.
O presidente da Câmara, Dr. China Pereira, manifestou a sua satisfação por participar na iniciativa e deu “os parabéns à Paróquia de S. Miguel de Refojos e aos responsáveis pela recuperação desta tela”.
“A apresentação desta obra de valor patrimonial relevante é uma oportunidade de mostrar às pessoas uma peça única que não fica guardada num qualquer espaço de reservas museológicas mas que está à vista de quem aqui entra e, dessa forma, contribui para a consciencialização de todos do valor do nosso património e da importância da sua proteção, defesa e valorização por parte da sociedade”, realçou China Pereira, reafirmando que “a preservação dos bens que os nossos antepassados nos elegeram é uma responsabilidade de todos nós”.
China Pereira disse também que “ao longo das duas últimas duas décadas, o Município de Cabeceiras de Basto assumiu essa responsabilidade, muitas vezes sozinho, muitas outras em parceria com a paróquia e outras, ainda, com o apoio do Estado, a quem cabe, aliás, a proteção e defesa desta Igreja de S. Miguel de Refojos”.
O autarca descreveu, ainda, as inúmeras obras de restauro e conservação efetuadas pela Câmara Municipal na Igreja.
São exemplo dessas intervenções, as pinturas de conservação e beneficiação da Igreja e do Mosteiro; as obras de reparação e substituição do telhado (1999); a grande reparação do zimbório da Igreja (2000); a intervenção de limpeza e beneficiação do coro alto (2001); a beneficiação e reabilitação da antiga cela do castigo dos frades, atualmente de Capela Mortuária (2005); a grande intervenção na antecâmara e antiga Sacristia para a instalação do Núcleo Museológico de Arte Sacra (2008); a recuperação total do Órgão de Tubos (2009); a recuperação de duas telas que se encontram no Núcleo Museológico (2011); a recuperação de mais 9 telas e 4 espelhos que estão no Núcleo Museológico (2013), entre outras.
Enaltecendo aquele que “é um monumento histórico de valor transcendental”, China Pereira salientou que a Câmara Municipal está a preparar uma candidatura do Mosteiro – o maior ex-libris de Cabeceiras de Basto e da nossa região – a Património Mundial da UNESCO e que para tal conta “com o apoio da Paróquia e com o apoio de todos os Cabeceirenses”, pois este “é um património nosso e, por isso, devemos protegê-lo”, destacou o autarca.
E sublinhou: “esta será certamente uma oportunidade única de catapultar Cabeceiras de Basto para um patamar único de prestígio internacional”.
China Pereira disse também que “estamos a fazer tudo o que nos é possível para conseguirmos fazer aprovar uma candidatura que nos permita continuar a intervir na recuperação e valorização dos altares e na reabilitação de outros espaços e elementos estruturais do edifício”, contando para isso com o apoio da Igreja e com o apoio da Direção Regional da Cultura do Norte porque “só unindo esforços poderemos alcançar resultados positivos na conservação e reabilitação deste Mosteiro”.
Garantindo que a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto “continuará a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para proteger e valorizar o património cultural de todos nós”, China Pereira finalizou, afirmando que “a beleza da tela que hoje é aqui apresentada demonstra bem a oportunidade e a importância das obras que vão sendo concretizadas na defesa deste Monumento Beneditino”.
Na sua intervenção, o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, reconheceu o envolvimento da comunidade na recuperação desta tela, afirmando que “valeu a pena o esforço”.
D. Jorge Ortiga lamentou a “incúria” a que estão voltados muitos locais sagrados, desejando que o “espírito da preservação do património se imponha”.
O Arcebispo Primaz apelou à união de esforços entre todos – Igreja, Ministério da Cultura, Autarquia e Comunidade, garantindo que “só de mãos dadas conseguiremos fazer com que estes espaços sejam aquilo que sempre foram”.





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