Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-03-2014

SECÇÃO: Opinião

Uma nova Assembleia Municipal...

A Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto deu um passo importante na aproximação do seu trabalho aos nossos concidadãos, com a criação das diversas Comissões Permanentes, por proposta da mesa da Assembleia, na pessoa do seu Presidente Joaquim Barreto.
Foram diversas as reuniões, com as divergências próprias e naturais em matéria de negociação política mas mantendo sempre a altivez e o respeito democrático entre as diversas forças políticas, que, unanimemente, realçaram a postura do Presidente da Assembleia, no sentido de criar consensos e motivar à participação de todas as forças nesta nova composição, a funcionar no seio da Assembleia Municipal. Enquanto participante naquelas reuniões em representação do PS, cabe-me neste ponto, como em tudo o resto, pois assim me pauto na minha vida, referir com verdade e honestidade que todos os representantes do PS, PSD e IPC, mantiveram um espírito construtivo de profundo trabalho, de dedicação e de elevação democrática.
É nestes gestos e atitudes que se eleva a Democracia e não apenas com palavras e demagogia fácil. Assim se revela a importância da proximidade do poder aos problemas dos cidadãos, numa nova forma de acompanhar com mais profundidade a atividade do município, debatendo e procurando soluções nas mais diversas áreas que as comissões estarão investidas. É portanto o momento de, uma vez mais, enaltecer este trabalho da mesa da Assembleia, na pessoa do seu Presidente Joaquim Barreto, que, sem dúvida, detém o poder paternal da criação e institucionalização das Comissões Permanentes.
Com esta nova realidade as comissões estarão mais próximas dos problemas e anseios dos cabeceirenses, tendo por isso a Assembleia um papel mais ativo no nosso quotidiano, trazendo à coação do debate muitos dos problemas que por vezes a distância do poder não o permite ter. É por isso chegada a hora da inversão destes preceitos.
Como já referi anteriormente, no processo que levou à criação das Comissões Permanentes, reinou um espírito de contribuir positivamente para uma nova Assembleia Municipal. Por força regimental o Partido Socialista, maioritário na Assembleia, abdicou do estrito sentido de leitura do regimento e prescindiu de maior representatividade e maioria em algumas das comissões para que fosse possível a participação de todos. Também neste ponto o IPC esteve de absoluto acordo, trazendo isso, por força da necessária representatividade partidária, um maior esforço ao PSD que apenas possui quatro elementos eleitos no seu grupo municipal.
Já aquando da eleição dos membros para a Comunidade Intermunicipal do Ave, onde Cabeceiras de Basto possui quatro elementos eleitos em Assembleia Municipal, o PSD propôs uma lista representativa de todas as forças partidárias, pois o seu número de elementos eleitos não lhes permitiria assegurar essa mesma representação. De imediato o PS aceitou a proposta desejando a representação de todos os partidos neste órgão, pena foi que o IPC tenha liminar-mente rejeitado esta proposta, contrariando exatamente o que sempre afirmou, a participação ativa e coletiva... Com esta nova postura, temos esperança que se verifique mudança pois notou-se aí uma enorme falta de coerência.
E por falar em coerência, não posso deixar de lamentar as palavras injuriosas e a roçar mesmo a falta de cultura democrática proferidas pelo representante máximo do IPC, Dr. Jorge Machado, que afirmou perentoriamente que Joaquim Barreto não reúne as condições (caraterísticas) para ser Presidente da Assembleia, pois não usa de imparcialidade e consenso. Ora bem, perante esta nova realidade, com a criação das comissões, com diálogo entre todas as forças políticas representadas, aliás elogiado por todos, inclusive pelo seu próprio movimento de cidadãos independentes IPC, pergunto-me, onde está a coerência das palavras? Estará o Dr. Jorge já a navegar sozinho? Estará o Dr. Jorge zangado com o sistema democrático que não lhe deu a vitória?
Só posso concluir que não se revê na postura construtiva que o seu grupo municipal assumiu na constituição das Comissões Permanentes da Assembleia Municipal e está de costas voltadas para os valores e preceitos democráticos e republicanos. Mais, questionei diretamente o responsável máximo do IPC, se só agora descobriu esses “defeitos” na pessoa do Joaquim Barreto, pois com ele trabalhou como vereador e vice-presidente durante vários mandatos. Para ambas não obtive resposta. Talvez a sua consciência lhe tenha dado um sinal, ainda que ténue, que o obrigou a remeter-se ao silêncio.
A falta de cultura democrática que atrás referi e que lamento profunda-mente, pois aqui, para mim, assenta a justificação das palavras proferidas pelo Dr. Jorge Machado em relação ao Presidente da Assembleia Municipal, justifico-a com um execrável comportamento – desculpem-me o termo mas não encontrei outro que definisse melhor – dos elementos do IPC quando abordaram descaradamente membros eleitos do PS, para que estes não votassem a proposta da mesa que levaria à eleição de Joaquim Barreto, como Presidente da Assembleia Municipal. Também aqui questionei: ONDE ESTÁ O RESPEITO PELAS ESCOLHAS DOS ELEITORES? Não respeitar as suas escolhas é rejeitar a democracia. Onde começa e termina a dignidade das pessoas ao praticarem atitudes como estas? De que forma o IPC, na pessoa do seu máximo representante se revê nestas posturas? Novamente fiquei sem resposta. Não se demarcar destes comportamentos é inverter os preceitos funda-mentais do sistema democrático e um retrocesso civilizacional sem paralelo.
Ouvi diversas vezes na campanha eleitoral o IPC a outorgar-se “donos de uma nova democracia, da participação cívica, da altivez democrática, etc, etc...”. No entanto, já após os resultados eleitorais onde os cabeceirenses, sem margem para dúvidas, afirmaram que queriam o PS na Câmara e na Assembleia, apoiantes daquele Movimento abordaram membros do PS para votarem em sentido contrário à proposta do partido que os elegeu, mostrando uma enorme falta de respeito pela dignidade humana, pelos seus valores e princípios.
A LIVRE ESCOLHA DOS CIDADÃOS é o exercício maior do sistema democrático. Desculpem, mas não temos saudades do tempo da ‘outra senhora’ e uma vez mais provam, que pensam e afirmam palavras muito bonitas e até entusiasmantes para nos convencer, mas depois na prática, fazem exatamente o contrário.
Bem prega Frei Tomás, se melhor o diz, pior o faz…
Da parte do PS estaremos sempre disponíveis para dialogar e criar consensos, com o único objetivo de trabalhar por Cabeceiras e pelos Cabeceirenses, como aliás o vimos fazendo e provando consecutivamente desde 1994, mas jamais abdicaremos de atos que em nada dignificam a democracia e não respeitem os eleitores, que livremente escolheram quem queriam que governasse os nossos destinos locais.
Bem hajam, por mais estes minutos que me dispensaram...

* Colaborador

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