Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 10-02-2014

SECÇÃO: História de vida

As artes da vida de Mário José Teixeira

Mário José Teixeira tem uma visão muito peculiar da vida e do mundo que o rodeia.
Desde criança que é fascinado pelas histórias aos quadradinhos, colecionando ao longo de 40 anos as mais variadas bandas desenhadas.
Quem o escuta deixa-se inebriar pelo seu entusiasmo pelas BD’s e cartoons, inspiração que o levou recentemente a redesenhar histórias baseadas em factos reais “caricatos” que estão publica-das em livro.
Mário Teixeira afirma que a BD “não é para gente que não sabe ler”, muito pelo contrário. Na sua opinião, a banda desenha-da faz tanta falta às crianças como qualquer outro livro e, na sua ótica, deveria integrar o Plano Nacional de Leitura.
É um apaixonado pelas artes, tendo-se dedicado, desde muito jovem, aos cartoons, à banda desenhada, à ilustração, à pintura, à publicidade, à marcenaria e restauro e à escultura. Mas a sua verdadeira paixão é, no mais profundo do seu ser, o cinema de animação, uma área onde fez um curso livre na Cooperativa de Ensino Árvore – Curso de Ingresso ao Ensino Superior Artístico (CIESA) que, entretanto, não teve oportunidade de terminar. Deste período fala, emocionado, do tempo em que teve a oportunidade de estudar e aprender com Abi Feijó, um cineasta e produtor cinematográfico português de animação.
Mário nasceu há 52 anos em Moçambique, tendo as suas raízes em Cabeceiras de Basto, por parte do pai, e em Penafiel, por parte da mãe. É pai de dois jovens – Higino de 20 anos e Ema de 14 – a quem incutiu o ‘bichinho’ e o gosto pelo desenho.
Quando veio com os seus pais para Cabeceiras de Basto, instalou-se na freguesia de Cavez, tendo estudado na Casa do Barão e no Colégio de S. Miguel de Refojos. Frequentou o Ensino Secundário na vertente de Design na Escola Soares dos Reis, no Porto, tendo também estudado no Liceu da Maia.
Mais tarde imigrou para França, tendo, posterior-mente, aceite o desafio do tio para imigrar para o Canadá. Tinha, nessa altura, 23 anos.
Mário viajou pela Europa e pela América do Norte. Viveu em Toronto, no Canadá, onde aperfeiçoou as mais variadas técnicas de carpintaria, uma área a que hoje dedica parte do seu dia-a-dia em Cabeceiras de Basto, onde fixou residência há pouco mais de ano e meio.
Do seu vasto currículo artístico constam tertúlias mensais de BD organizadas em Leiria; diversas colaborações com publicações nacionais e do Canadá; o trabalho como cartunista em jornais nacionais, como por exemplo o JN e o DN; diversas exposições individuais e coletivas de banda desenhada, cartoons, pintura, gravura e escultura; prémios conquistados em concursos de BD e pintura; e as participações em Bienais e no Salão Luso-Galaico de Caricatura de Vila Real.
Em 2013, na Casa da Cultura de Cabeceiras de Basto, Mário Teixeira lançou o seu primeiro livro de BD/Cartoons ‘Tamos Tramados’, tendo já preparado outro trabalho que aguarda publicação.
Mário Teixeira é membro fundador da primeira Associação de Cartunistas de Por-tugal (FECO Portugal), tendo sido nomeado Embaixador Honorário pelo Concelho de Granada e Departamento de Turismo de Granada, Espanha, no âmbito da participação, como cartunista convidado da 2ª Mostra de Humor de Granada.
Convicto “amante” das artes em geral e dos livros de arte, Mário Teixeira considera-se uma pessoa “versátil” e “brincalhona” que também gosta de escrever, neste caso prosa.
As pinturas da sua auto-ria, cuja preferência é a pintura a óleo, são assinadas com o pseudónimo ‘Olivo’. Gosta de pintar “o ser humano e animais” mas a sua participação em Bienais levou-o também a enveredar pelo ‘Lixarte’ – uma “inovação da arte através de montagens” que resulta do reaproveitamento de todo o tipo de materiais de desperdício (restos) que dão origem a magníficas obras.
Na sua vida considera que “tudo aconteceu por acaso”, um feliz acaso que recentemente o levou até ao Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, com o qual tem colaborado nas mais diversas vertentes, seja ao nível cénico, seja ao nível das Oficinas de Interpretação Teatral.
Na época natalícia, Mário Teixeira foi desafiado pela Casa do Tempo a criar a Árvore de Natal, tendo sido ele também o autor do Presépio do Município que esteve em exibição junto ao Mosteiro de S. Miguel de Refojos, ex-líbris do concelho, sediado em pleno centro da vila.
Com recurso à lenha das podas, Mário criou uma admirável árvore de Natal gigante, assim como um trenó e as renas do Pai Natal, que estiveram em exposição na Casa do Tempo. Também com recurso a madeira, Mário criou o Presépio Municipal, instalações que lhe deram reconhecimento e possibilitaram a concretização de novos desafios, como o caso do ‘fabrico dos enchidos’ e da construção do porco que deverá concretizar no âmbito da Festa da Orelheira e do Fumeiro de Cabeceiras de Basto, em destaque no final deste mês de fevereiro e início de março.
Porque a cultura lhe ‘corre nas veias’, Mário confessou a sua surpresa quando, em 2012, se deparou com o Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto que veio permitir “uma profissionalização” desta ar-te no concelho, uma aposta municipal que considera “um sucesso”, a par da criação da Casa da Juventude – Associativismo, Artes, Ofícios e Gerações.
É com grande satisfação que Mário Teixeira constata, igualmente, a “grande evolução” do concelho em termos culturais. E para ele a visão do futuro é muito clara: “a cultura traz até nós turistas e com os turistas vem o dinheiro”, afirma, desejando que “este pulsar artístico em Cabeceiras de Basto não seja travado”.
Detentor de uma bagagem artística enriquecedora, Mário assume a arte como fonte de alimento à sua vida, onde as atividades rotineiras não são mais do que o ‘dar as mãos’ ao saber e à cultura.












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