Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-01-2014

SECÇÃO: Opinião

Contos e narrativas
O Mosteiro e Basto (9)

D. Afonso Henriques morreu em 1185, sucedeu-lhe o seu filho D. Sancho I, que viria a reinar por um período de vinte e seis anos (1185-1211), um pouco menos de metade do que reinara seu pai, mesmo assim, um período relativamente longo.
O primeiro rei deixou, ao seu herdeiro, um território que se estendia desde a Galiza até aos limites do Algarve. Caberia a este manter aquelas fronteiras e pensar em alargá-las, o mais possível, para sul, até ao mar.
O sucessor de D. Afonso Henriques, começara por se envolver noutro tipo de projecto, igualmente importante, que foi o povoamento das terras anterior-mente conquistadas, e esse tê-lo-á conseguido, certamente, caso contrário não lhe teria sido atribuído o cognome de “O Povoador”.
A conquista definitiva do Algarve ficaria para bastante mais tarde. Só em 1249, no reinado de D. Afonso III, bisneto de D. Afonso Henriques, com as conquistas aos árabes de Faro e de Albufeira, a fronteira sul do país acabara fixada no seu limite natural, o oceano Atlântico. Por tal feito, o monarca português, D. Afonso III, que usava o cognome de “O Bolonhês”, devido ao facto de ter casado com uma condessa de Bolonha, passou a usar o título de “Rei de Portugal e dos Algarves”.

***

As ordens religiosas sempre foram uma constante de todo o mundo católico. Portugal, como nação, não fugiu à regra.
Desde os primórdios da sua fundação, que o Estado Português nunca tivera outra divisão que não fossem as três classes sociais, o clero, a nobreza e o povo.
O clero sempre em primeiro lugar. Veja-se, por exemplo, o caso da deposição do Rei D. Sancho II e a entrega do governo do Reino a seu irmão D. Afonso que ficaria na ordem dinástica como D. Afonso III.
Esta substituição foi levada a cabo através de uma bula papal firmada em Julho de 1245, pelo Papa Inocêncio IV. Tudo a pedido dos prelados portugueses, que se aproveitaram do descontentamento motivado pelas violências que uma certa nobreza exercia contra o clero, e também contra o povo, e com esse fundamento solicitaram a intervenção do Papa.
O clero exigiu, o papa ouviu e o rei foi deposto. Qualquer semelhança com muito do que se tem visto, em tempos mais recentes, não deverá ser mais do que pura e simples coincidência!
Deixemos, entretanto e muito ao de leve, uma súmula, ou seja, um pequeno resumo, do que eram as três classes sociais, em finais do século XIII, em Portugal.
O clero era a classe constituída por eclesiásticos e sacerdotes, sendo a mais poderosa e ilustrada do tempo, tinha a seu cargo os assuntos religiosos e a direcção do ensino.
A nobreza, formada pelos nobres de linhagem, os fidalgos, era, depois do clero, a classe mais importante do país, possuía abastados domínios, e a sua principal função era, em caso de guerra, o manejo de armas.
O povo era formado pela população sem privilégios nem regalias, mais ou menos dominado pelas outras duas classes, com-punha-se de agricultores, operá-rios, comerciantes e outros, tudo gente simples.
Voltemos às ordens. Estamos agora, portanto, em finais do século XIII, e o rei de Portugal é D. Dinis, filho de D. Afonso III e trineto de D. Afonso Henriques. Neste tempo, havia duas categorias de ordens, as ordens religiosas e as ordens militares.
Também muito ao de leve, e antes de entrar no domínio das ordens religiosas que, esse sim, será o domínio deste trabalho, deixemos breve nota sobre as ordens militares, que existiam no tempo do nosso rei lavrador, o Rei D. Dinis.
As ordens militares foram sociedades religiosas formadas por monges, que eram ao mesmo tempo guerreiros, e prestaram relevantes serviços auxiliando os nossos reis nas guerras da conquista e da reconquista aos árabes.
Dessas ordens, as mais importantes foram, a dos Templários, com sede em Soure e depois em Tomar; a dos Hospitalários e a de Malta, ambas com sede em Leça do Balio e depois no Crato; a de Calatrava, ou de Avis, com sede em Évora e depois em Avis; e a de Santiago da Espada, proprietária de vastas terras e castelos, entre os quais se destacavam os de Palmela, Mértola e Tavira.
Todas estas ordens foram instaladas em Portugal no tempo da regência da Condessa D. Teresa e do reinado de seu filho, o Rei D. Afonso Henriques. A instalação das ordens militares no país foi, pois, simultânea com a fundação da nacionalidade.
No que respeita às ordens religiosas, elas sempre foram muitas. Porém, e em nossa opinião, as mais importantes terão sido umas três ou quatro, a saber: a ordem dos beneditinos, fundada por S. Bento de Núrcia, no ano de 529; a ordem dos franciscanos, fundada por S. Francisco de Assis (Assis, Itália), no ano de 1209; a ordem dos dominicanos, fundada por S. Domingos de Gusmão (Bolonha, Itália), no ano de 1216; e a ordem do Carmelo, ou dos Carmelitas Descalços, fundada no século XI, no Monte Carmelo, que fica próximo da actual cidade israelita de Haifa, que apenas chegaria à Península Ibérica no início do século XVII (1612).

(Continua)

Por: José Banido

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.