Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-01-2014

SECÇÃO: Informação

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Há um silêncio em Porto d’Olho

Não é um Silêncio igual ao que se faz quando de repente toda a gente pára de falar, ou quando um inesperado corte de energia faz calar a televisão e a máquina de lavar roupa. Não é um silêncio comum, ou mesmo humano, aquele que verdadeiramente nunca se verifica, pois há sempre um ruído mecânico presente, em surdina, sempre um carro que passa ao longe, uma voz da casa ao lado, uma porta velha que range.
O Silêncio que se vê do alto do Outeiro da Varela, em Porto d’Olho, é o do coração a bater. É aquele Silêncio que Deus faz quando os olhos emudecem em face da maravilha, quando fica leve o que é pesado e ao alcance da mão o que desde sempre viveu para lá do infinito.
É um Silêncio incomum e paradoxal que traz todas as vozes dentro, que pronuncia todas as palavras como se fossem uma, não soprando, contudo, a mais humilde sílaba. Não é possível, na verdade, descrever um Silêncio destes, assim como se não pode dizer o Pleroma, ou o Nirvana, ou o Céu.
É um Silêncio que desaparece quando se diz, mas que uma vez ouvido jamais se esquece.

Bruno Santos, fevereiro de 2014

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