Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-01-2014

SECÇÃO: Opinião

O nosso Foral de hoje...

Foi com o reinado de D. Manuel I que se deu, no meu entender, uma das maiores reformas administrativas do País, com a atribuição dos “forais manuelinos”, que estiveram na base da criação dos Municípios. Já por aquela altura, e pese embora as muitas diferenças que podemos elencar aos tempos de hoje, desde a tecnologia, o conhecimento, a inovação, a velocidade da informação, entre muitas outras, já Portugal possuía visionários, assim foi D. Manuel I, um visionário na forma de organizar administrativamente o País...
Não sou monarca, e sem dúvida que prefiro o sistema politico que temos, no entanto, jamais poderia deixar de reconhecer esta efeméride, e a sua importância para o Portugal de hoje.
O poder autárquico é o que mais próximo está dos cidadãos e o que mais aproxima e enraíza os princípios de confiança entre o eleitor e o eleito, e facilmente constatamos isso ao compararmos os níveis de abstenção das diferentes eleições. Foi o poder local o maior responsável pelo desenvolvimento de Portugal, através dos seus diferentes protagonistas e responsáveis desde os Presidentes de Junta e membros das Assembleia da Freguesia, aos Presidentes de Câmara e membros do executivo, bem como dos eleitos das Assembleias Municipais e seus Presidentes, terão, tal como D. Manuel I tem, o seu lugar de honra na nossa história.
Eis que chegamos a 2011, e talvez desde aí, nem D. Manuel I se tenha sentido mais sossegado, com a ascensão ao poder do Governo que mais atingiu as autarquias e feriu com gravidade a autonomia do poder local, já para não falar da Constituição, pois também aí haveria muito para dizer.
Foi com o Miguel Relvas, ou melhor, com o Dr. Miguel Relvas que se desferiram os maiores ataques ao poder local, a sua autonomia, colocando muitas vezes em causa o seu regular funcionamento. Quem não se recorda da lei dos compromissos, ou até mesmo da reorganização das freguesias, tudo fez este letrado homem, para colocar em causa as autarquias.
Entendeu bem o município, ainda no mandato anterior, dar relevo a tão nobre acontecimento e comemorar o V centenário da atribuição do foral de Cabeceiras de Basto, tendo sido revelados os nomes das diferentes personalidades, que em diferentes comissões, levarão por diante esta celebração, a saber, a comissão organizadora, e a comissão cientifica.
Foi por isso, que com enorme satisfação e orgulho na minha terra, fui assistir à Sessão Solene de Abertura das Comemorações dos 500 Anos do Foral Manuelino de Cabeceiras de Basto, deixando esta sessão ante-ver, que o programa estará à altura de tão grande desígnio.
Vi criatividade, irreverência, juventude, história e inovação. Presto aqui, publicamente a minha Homenagem, ao Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, que nos fizeram percorrer a história em pequenos trechos teatrais de enormíssima qualidade. Sem dúvida que a cultura educa e nos proporciona momentos tão ilustrativos de conhecimento, de usos e costumes, foram sem dúvidas momentos de elevado nível teatral a que assisti.
Uma palavra também para todos os envolvidos na organização, que tão bem pensaram a cadência dos acontecimentos nesta ses-são, foi muito bom recuarmos a 1514 e tão rápido e de forma tão criativa percorrer 500 anos.
É altura de correspondermos aos desafios lança-dos pelo nosso Presidente de Câmara e Presidente da Assembleia Municipal, incentivando à participação e envolvimento de todos, todos sem exceção, mostrando também aí a forma nobre como percebem e estimulam a participação cívica e o envolvimento da sociedade civil. São gestos como estes que mostram bem que a palavra ganha força com os atos e, neste caso em concreto, tão bem praticado.
É este o nosso Foral de hoje, não enquanto documento emanado de um monarca, mas sim enquanto carta régia, que nos concede o privilégio de sermos todos os atores destas comemorações, participando e dando sempre o nosso melhor pela nossa terra.

* Colaborador
Miguel Barreto

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