Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-01-2014

SECÇÃO: Entrevista

José Carlos Rebelo quer investir nas pessoas e no seu bem-estar

José Carlos Rebelo é o novo Presidente da Junta de Freguesia de Cabeceiras de Basto
José Carlos Rebelo é o novo Presidente da Junta de Freguesia de Cabeceiras de Basto
José Carlos Rebelo tem 42 anos de idade e é o novo presidente da Junta de Freguesia de Cabeceiras de Basto (S. Nicolau), uma vitória alcançada nas últimas Eleições Autárquicas, após o sufrágio eleitoral de 29 de setembro de 2013.
Casado e pai de dois rapazes – Pedro e Ricardo – José Carlos é empresário no ramo da eletricidade, sendo natural do Lugar do Casal, freguesia de Cabeceiras de Basto.
Zona ribeirinha onde estão localizadas a Praia Fluvial e o Polidesportivo da Cumieira
Zona ribeirinha onde estão localizadas a Praia Fluvial e o Polidesportivo da Cumieira
Nos poucos tempos livres que a sua agenda profissional e pública lhe reservam, José Carlos gosta, especialmente, de estar e passear com a família. O futebol é também uma das suas paixões. Em tempos foi jogador, tendo vindo posteriormente a treinar as camadas jovens do clube de S. Nicolau.
A sua atividade pública, ligada à freguesia, iniciou-a com o seu pai – António Maria Rodrigues Rebelo – que dedicou grande parte da sua vida à atividade cívica pública e política. Foi membro da Assembleia de Freguesia de Cabeceiras de Basto (S. Nicolau) entre 1981 e 1985 e secretário daquela freguesia entre 1985 e 1990, assumindo o cargo de presidente da Junta entre 1993 e 2001.
Parque de estacionamento junto à Igreja
Parque de estacionamento junto à Igreja
O filho José Carlos Rebelo seguiu as pisadas do pai. Acompanhou-o na sua vida pública e política ao longo de vários anos, assumindo em 2005 o cargo de secretário da Junta de Freguesia de Cabeceiras de Basto, onde permaneceu durante dois mandatos, até 2013, altura em que se candidatou a presidente de Junta. Ganhou e tem pela frente muitos desafios, dos quais destaca o investimento nas pessoas e no seu bem-estar.
O Ecos de Basto ouviu o presidente da Junta de Freguesia de Cabeceiras de Basto (S. Nicolau), uma entrevista que reproduzimos de seguida.

Ecos de Basto (EB): Assumiu a presidência da Junta de Freguesia de Cabeceiras de Basto (S. Nicolau) há pouco mais de três meses. Qual o balanço que faz destes primeiros meses de trabalho?
José Carlos Rebelo (JCR): este período tem sido, essencialmente, de adaptação a esta nova função. Eu já estava ligado ao anterior executivo e tenho vindo, nestes últimos meses, a aperceber-me das dificuldades que o presidente de Junta de Freguesia tem. Este é um papel muito diferente do de secretário, que era o cargo que eu ocupava até então.

EB: Quais foram, então, as principais dificuldades que sentiu quando assumiu a Junta de Freguesia de Cabeceiras de Basto?
JCR: devido à experiência que tinha de 12 anos como secretário da Junta e também à experiência que adquiri quando o meu pai era presidente de Junta, não senti grandes dificuldades. Devo dizer que foi muito importante para mim ver a forma como o meu pai lidava com os problemas e resolvia as situações.

EB: Foi essa experiência adquirida ao longo dos últimos anos que lhe dá hoje a confiança para continuar a servir a freguesia?
JCR: sim, sem dúvida nenhuma.

EB: Quais foram as primeiras decisões/medidas que tomou enquanto presidente de Junta?
JCR: como Junta de Freguesia no seu global, tomamos uma decisão que as pessoas adoraram. Foi a limpeza do cemitério. Esta foi a primeira e talvez a obra que marcou, até ao momento, a nossa ação nestes três primeiros meses de mandato.
Houve, entretanto, peque-nas decisões porque as verbas que temos não são muitas. A Junta de Freguesia anterior, na qual eu estava inserido, fez um investimento muito grande em duas obras – Rua Francisco Meireles e Toponímia da Freguesia – intervenções que envolveram muito dinheiro e chegámos ao final de dezembro e estamos mesmo sem dinheiro.

EB: Quais são os seus principais objetivos para este mandato?
JCR: nós quando decidi-mos candidatar-nos, elaborámos um programa eleitoral com o qual nos submetemos a eleições, um programa que pretendemos cumprir à risca. Temos obras que nos serão mais fáceis de fazer e outras que gostaríamos de realizar, que são sonhos da freguesia.
Refiro-me, por exemplo, à Casa Mortuária, cuja realização não depende exclusiva-mente da Junta de Freguesia mas de várias outras entidades, nomeadamente da ajuda que possamos vir a ter da Câmara Municipal, da Paróquia, dos Conselhos Diretivos de Baldios, entre outras instituições e coletividades.
Outra das principais obras é a repavimentação da estrada de Gondarém que está a ficar bastante gasta. De resto, não podemos ter grandes anseios porque as verbas também não o permitem.

EB: Quais são, neste momento, as principais necessidades da população?
JCR: a conclusão do Parque Industrial é muito importante. Na freguesia nota-se algum desemprego, o que preocupa as pessoas e levam-nas a sair da freguesia. Nós temos verificado que, ultimamente, é complicado fixar as pessoas na freguesia e espera-mos que com a abertura do Parque Industrial se ajude a estancar a saída da população da freguesia e, consequentemente, do concelho.

EB: Quais são os setores em que o executivo pretende apostar? Porquê?
JCR: o nosso principal intuito é apostar no bem-estar da população, fazendo com que todos usufruam dos equipamentos existentes. Felizmente, nós temos já bons equipamentos, pois ao longo destes últimos 20 anos foi possível realizar-se um conjunto de equipamentos mas é importante que as pessoas estejam cá para deles usufruírem.
Tão importante como fazer os equipamentos é a sua utilização, já o dizia o anterior presidente da Câmara Municipal, Eng. Joaquim Barreto. E é isso que queremos fazer neste momento. Estamos a pôr em prática uma política de utilização dos equipamentos, designada-mente a Praia Fluvial, o Polidesportivo da Praia Fluvial e a aldeia de Busteliberne – uma aldeia típica de Portugal – sendo este também um local que queremos potencializar.

EB: Pelo que entendemos, o seu grande objetivo é fazer mais pelas pessoas…
JCR: já está contemplado no Plano de Atividades para este ano a atribuição de um subsídio de natalidade às crianças da freguesia. Logo, os casais que tenham bebés este ano serão contemplados com esse subsídio.
Pretendemos ainda, em colaboração com a Câmara Municipal, criar um Espaço de Convívio e Lazer (ECL) e vamos deslocar-nos aos lugares mais distantes da sede da freguesia para precisamente nos inteirarmos in loco das necessidades da população, designadamente, das pessoas mais idosas e mais vulneráveis.

EB: Qual é, na sua opinião, a importância das parcerias na realização de obras/projetos, tendo em conta que estamos numa altura de contenção, em que o dinheiro não abunda?
JCR: a nossa freguesia tem sido um dos maiores exemplos dessas parcerias, nomeadamente com a Câmara Municipal, Conselhos Diretivos de Baldios de Cabeceiras de Basto (S. Nicolau) e de Lapela e também os particulares.
Temos feito obras em que os particulares que são mais beneficiados pagam uma parte da obra e a Junta de Freguesia paga a outra. Se assim não fosse, teria sido impossível fazer muitas das obras porque realmente os meios são muito escassos.
Estas parcerias, até ao momento, têm funcionado e penso que continuarão a funcionar porque as pessoas que estão envolvidas nas instituições são praticamente as mesmas que eram antes e já estão por dentro desta mecânica de apoio.

EB: Está ligado à atividade da freguesia, como autarca, há muitos anos. O seu pai foi presidente de Junta e membro da Assembleia Municipal, isso deu-lhe a bagagem necessária para agora seguir o seu caminho como presidente de Junta?
JCR: sim, sem dúvida. Há 20 anos comecei a acompanhar a atividade do meu pai quando ele foi eleito presidente de Junta. Após dois mandatos, o meu pai decidiu, por razões pessoais, não se voltar a candidatar e quem assumiu a presidência foi o senhor Francisco Correia. Eu fui o escolhido para secretário. Foi nessa altura que comecei a lidar, mais de perto, com a atividade da Junta e cheguei a 2013 com uma experiência enriquecedora.

EB: O que significa para si ser um autarca do PS?
JCR: para mim ser um autarca Socialista é estar ao dispor da população e sentir os seus problemas. A filosofia dos Socialistas é mesmo esta.
Devo lembrar que há 20 anos, quando o PS chegou ao poder local em Cabeceiras de Basto, uma das primeiras obras que foi feita aqui na freguesia foi a pavimentação ao Lugar do Queiroal. Eu tenho referido isto muitas vezes: na altura, houve uma senhora que foi ter com o meu pai e que lhe disse – Sr. Rebelo, antigamente para irmos à missa, no inverno, tínhamos que ir de galochas e, agora, podemos ir de chinelos. Isso reflete, precisamente, aquilo que foi o trabalho ao longo destes últimos 20 anos.
Na freguesia e no concelho de Cabeceiras de Basto, há 20 anos, tínhamos que andar de galochas. Felizmente, agora, podemos circular com outra comodidade. Realmente, Cabeceiras de Basto mudou completamente tanto o seu rosto, como a forma de estar das pessoas e a forma de utilizar os equipamentos.

EB: Sob a chancela do PS, ao longo destes últimos 20 anos foram investidos mais de 1,5 milhões de euros na freguesia de Cabeceiras de Basto. Qual o balanço que faz da evolução da freguesia?
JCR: Nestes últimos anos foram feitas obras em todos os setores, sendo as acessibilidades alvo de uma mudança radical. Houve também importantes intervenções ao nível social.
Quando o PS chegou à Junta e à Câmara Municipal, a Fundação A.J. Gomes da Cunha estava praticamente devoluta, com os edifícios a cair. E foi pela ação dos autarcas do PS e das sucessivas direções da associação que a Fundação é aquilo que é hoje. Toda essa ação foi uma ação conjunta do PS na Junta de Freguesia, Câmara Municipal e Governo.
Quando iniciámos a nossa atividade, havia a Associação Desportiva de S. Nicolau de Basto a dar os primeiros passos e hoje temos uma série de associações, designada-mente o rancho que nos representa em diversos pontos do distrito e do país e que muito nos orgulha.

EB: Sente-se orgulhoso por exibir também esta bandeira?
JCR: Nunca tive vergonha de ser de Cabeceiras de Basto mas agora tenho orgulho em ser Cabeceirense.

EB: Cabeceiras de Basto ‘deu o salto’ nestes últimos anos… Que obras emblemáticas destaca?
JCR: Podemos dizer que a freguesia deu uma volta de 360º em todos os aspetos. Hoje existe uma maior proximidade entre as pessoas e os lugares e isso é muito importante.
Em termos de obras emblemáticas destaco a Praia Fluvial e todo o espaço envolvente que integra também o polidesportivo; o parque de estacionamento junto à Igreja; as intervenções na rede viária, que foi completamente alterada; as obras que foram feitas na Fundação, com a intervenção da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal; o largo do cemitério que foi intervencionado pela Câmara Municipal; as obras nas associações, como por exemplo as bancadas do campo de futebol; assim como toda a rede de abastecimento de água que foi alterada e o saneamento que serve uma parte da freguesia.

EB: Qual é o seu grande desafio para este novo mandato 2013/2017?
JCR: O meu principal desafio era chegar ao final do mandato, em 2017, e dizer: tudo o que prometemos cumprimos. E mais. Não está no nosso programa eleitoral mas um dos nossos grandes objetivos é a construção da Casa Mortuária. Com esta concretização teríamos um saldo 100% positivo.

EB: Como vê a freguesia daqui a quatro anos?
JCR: A freguesia irá mudar, essencialmente, do ponto de vista social. Em termos físicos nunca poderá haver muitas alterações porque os equipamentos já estão feitos. Aquilo que realmente pretendemos é investir nas pessoas, designadamente no apoio às famílias carenciadas.
A freguesia de Cabeceiras de Basto tem também muitos idosos e queremos estar próximos dessas pessoas, sobretudo no plano afetivo.

EB: E como vê o concelho de Cabeceiras de Basto daqui a quatro anos?
JCR: Eu penso que aquilo que o Dr. China Pereira irá fazer é dar continuidade aos bons exemplos que temos da gestão anterior. Tem havido a preocupação em rentabilizar os espaços e equipamentos já existentes. E eu penso que daqui a quatro anos Cabeceiras de Basto continuará a progredir. O grande salto já foi dado e é necessário, agora, potencializar e rentabilizar o que está feito.
EB: Tem mais alguma coisa a acrescentar?
JCR: Bem, o que eu posso dizer neste momento é apelar à colaboração de todos. Pedir apoio à Câmara Municipal para que continuemos a progredir e pedir também às pessoas e às instituições da freguesia que continuem a ser colaborantes e recetivas como o foram até agora. O importante é estarmos todos juntos a remar para o mesmo lado para que consigamos avançar ainda mais.
O trabalho que foi feito até agora não é trabalho de um só mas de toda uma equipa: Junta de Freguesia, Câmara Municipal e associações que se envolveram neste projeto nos últimos 20 anos.



Curiosidade:
Cabeceiras de Basto é uma freguesia com uma área de 24,52 quilómetros quadrados, tendo, de acordo com os Censos 2011, 711 habitantes. A freguesia de Cabeceiras de Basto terá 500 anos.




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