Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-01-2014

SECÇÃO: Opinião

20 anos depois

Foi com enorme agrado que recebi o convite, para colaborar com o Jornal Ecos de Basto, refletindo a minha visão e opinião através de artigos a publicar nas diversas edições.
Assumo portanto este compromisso, sem a pretensão de ser o dono da verdade, ou da visão única sobre os temas, antes usando o direito democrático de transmitir a minha humilde, mas sincera opinião, é sem dúvida uma das grande virtudes do sistema democrático, a nossa livre opinião.
Certo que a democracia nos trouxe a liberdade, mas muitas vezes, é usada por muitos, para que no uso deste direito, vociferem um conjunto de imprecisões ou mesmo inverdades de muitos factos decorrentes da atividade política, quer a nível concelhio, quer a nível nacional.
Para iniciar este meu espaço de opinião, e depois de refletir, decidi recordar a gestão ímpar do PS ao longo de 20 anos no concelho de Cabeceiras de Basto.
É verdade que nunca residi em Cabeceiras, mas também é verdade que foi neste concelho, que mais aprendi e me formei enquanto ser humano, pois em todas as oportunidades, aí estava eu por Cabeceiras, fosse para o convívio com os amigos, o convívio familiar, para trabalhar na minha atividade profissional e, para exercer o meu dever de cidadania, enquanto eleito do povo. Não me sinto por isso, diminuído nos “meus direitos” enquanto cidadão cabeceirense, pois por vezes, mais relevante que aí residir, é nunca nos esquecermos de aproveitar todas as oportunidades, para voluntariamente ajudarmos a nossa terra.
Tenho bem presente o início do mandato do PS em 1994, não bastava a minha afinidade politica ao projeto do PS, existia ainda uma afinidade familiar, que após estes 20 anos, me enchem de orgulho, enquanto militante do Partido Socialista, mas também enquanto filho, mesmo que para isso, tenha usufruído menos que qualquer comum mortal, dos afetos que uma relação pai/filho e vice-versa impõe ou se deseja, pois neste caso, não o fez só por mim, mas por todo um concelho e sua população. Foi portanto, um carinho e ambição repartido por todos.
Lembro-me de um con-celho esquecido, atrofiado, sem futuro, sem esperança, voltado para o abandono do seu desenvolvimento hu-mano e material. Na cidade que ainda hoje resido, já usufruía de piscinas cobertas, de estradas e caminhos asfaltados, de equipamentos necessários ao nosso desenvolvimento intelectual e físico, e olhava para Cabeceiras e via precisamente o contrário, os rostos das pessoas, de uma forma ou outra, também expressavam este sentimento de descrença e tristeza, por estarem entregues a si próprios, sem vislumbrarem a luz ao fundo do túnel.
Foi sem dúvida uma lição de maior inteligência e de visão de futuro que todos os cabeceirenses deram nas eleições autárquicas de 1993, ao darem ao PS uma maioria folgada, de forma a que esta fosse colocada ao serviço das pessoas e de Cabeceiras, repetindo essas maiorias ao longo de 5 mandatos.
Assim foi durante 20 anos, assistimos a um desenvolvimento ímpar de Cabeceiras, dado inúmeras vezes como um modelo de desenvolvimento fugaz, mas sustentável, tendo sempre o cidadão no centro das suas decisões, procurando sucessivamente corresponder aos seus anseios, promovendo uma assinalável melhoria da sua qualidade de vida, não esquecendo ninguém, levando esta onda de desenvolvimento, prosperidade e confiança no futuro aos 4 cantos do concelho.
Olhando à distância que os 20 anos nos obrigam, podemos afirmar orgulhosamente, que o PS deixa a sua marca no concelho, sendo mesmo até muito difícil repetir este feito, não porque não haja pessoas capazes, apenas e só, porque fomos capazes de transformar um concelho oprimido e subdesenvolvido, num concelho próspero e equiparado em muitos casos, ao que de melhor há por essa Europa fora.
Já o disse numa Assembleia Municipal, aquando da aprovação de um plano de atividades e orçamento, falando concretamente do nosso parque escolar. Em Cabeceiras, qualquer aluno, usufruirá desde o inicio dos seus estudos, até à entrada para o Ensino Superior, de condições de excelência, esbatendo as assimetrias entre o nosso concelho, e muitos outros do nosso país, ou seja, hoje, em Cabeceiras, as condições e oportunidades dadas a qualquer aluno, são tão boas ou melhores, que nos países mais desenvolvidos da Europa, estamos ao melhor nível no que às condições para a prática escolar diz respeito.
Deve, portanto, ser um motivo de redobrado orgulho para todos nós cabeceirenses, saber que os nossos filhos, têm hoje a oportunidade de lutar por um futuro melhor, como qualquer outro cidadão europeu. Quem imaginava isto há 20 anos? Certamente diriam que estávamos a sonhar alto, que era inatingível, que não tínhamos dimensão territorial e populacional, mas o que é facto, é que hoje ultrapassamos essa barreira de pensamento, pois a EDUCAÇÃO, é a melhor forma de desenvolver o ser humano, tornando-o mais igual entre si.
Foram sem dúvida 20 anos de gestão autárquica que ficarão na memória de todos, onde certamente o sentimento comum, é o de enorme orgulho que temos da nossa terra, independentemente das nossas opções político-partidárias. Com a discórdia própria e sentido critico normal de cada cidadão, estamos todos reconhecidos, que todos juntos, fomos capazes de transformar e “criar” uma nova Cabeceiras.
O futuro lá virá, no seu tempo próprio, também sobre ele escreverei uns parágrafos, no entanto, deve estar sempre na nossa memória, que os projetos não se esgotam numa pessoa, mas antes no que todos juntos somos capazes de fazer, e essa é sem dúvida a marca do PS, trabalhar com todos e para todos.
Bem hajam pelos minutos que me dispensaram.


* Colaborador
Nuno Barreto

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.