Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-10-2013

SECÇÃO: Opinião

A banda filarmónica mondinense nasceu em 1770 e terminou em 1985

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A quando da visita à cidade de Vila Real de Trás-os-Montes, de Sua Real Magestade, El-Rei D. Carlos – I, nas festas de Santo António da cidade, em Junho de 1 904, a “Banda Filarmónica Mondinense”, esteve presente com um variado reportório de partituras, que executou com o maior agrado de todos os que a escutaram. Era à altura já considerada uma das melhores “Bandas de Música” transmontanas.
Para participar nas Festas de Santo António em Vila Real, a “Banda Filarmónica Mondinense”, deslocava-se no transporte, que à época era tradicional, isto é, a pé.
Esta deslocação pela serra, durava em média, 5 a 6 horas e quando chegavam a Vila Real, estavam exaustos e famintos, tomando o “mata - bicho”, na tasquinha que existia na “Ponte da Petisqueira”.
O período áureo da “Banda Filarmónica Mondinense”, teve lugar na vigência do “maestro” Bernardo Alves Machado, desde o início do século passado, até 1935.
Participou em inúmeras festas e concertos musicais, sempre com o cunho da maior qualidade.
Bateu-se em diversos despiques, com a “Banda de Revelhe” de Fafe e outras Bandas da época, mormente com as rivais do vizinho concelho de Celorico de Basto, que eram dirigidas pelos famosos “maestros” José Machado e Coelho de Santa Tecla, nunca temendo o desafio em que par-ticipava.
Era tal o respeito que os seus rivais tinham por ele, que quando faleceu, a “Banda Celoricense” do José Machado e uma representação da “Banda de Revelhe”, estiveram presentes no funeral, para lhe prestar a sua última homenagem. As duas representações incorporaram-se no funeral, executando números apropriados à cerimónia fúnebre e cantando na Igreja Matriz de S. Cristóvão, a missa de corpo presente.
Na altura, foi muito notada a falta da “Banda Filarmónica Mondinense”, que não esteve presente no funeral.
Quanto se sabe, a ausência da “Banda Filarmónica Mondinense” ficou a dever-se ao facto de se encontrar desorganizada e sem “maestro”.
Todavia, os velhos músicos da “banda” e antigos alunos do falecido Bernardo Alves Machado, também se incorporaram na cerimónia fúnebre, mas vestidos à paisana.
Passados muitos anos, ainda se falava da grande qualidade da “Banda Filarmónica Mondinense”, quando era dirigida pelo Maestro Bernardo Alves Machado.
Setenta anos após a sua morte, ainda se ouve de vez em quando às pessoas mais velhas comentar… a “Banda do Bernardo Machado”, como ela nunca mais.
* Colaborador






























Por: José Teixeira da Silva

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