Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-10-2013

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (180)

foto
A ALBÂNIA

Ocorreu-me trazer para este espaço algumas considerações sobre aquele pequeno país, do sul da Europa, por duas razões muito simples: a primeira, é que nunca, ou muito raramente se ouve, ou se lê, qualquer tipo de notícia a seu respeito; a segunda, é que mantenho interessantes recordações sobre movimentos estudantis, em particular manifestações de alunos do ensino superior (Faculdade de Economia da Universidade do Porto), dos tempos do PREC (Processo Revolucionário em Curso), em Portugal, e da Guerra Fria, a nível mundial, tudo tendo a ver com a Albânia.
Antes de mais, alguns dos seus dados específicos, como sejam a sua situação geográfica, a sua dimensão em termos de área e de economia e ainda algo, do pouco que se poderá saber, sobre a sua política.
Não posso falar alegando conhecimentos de causa. É um dos poucos países do continente europeu por onde nunca passei. Contudo, nos dias que correm, e graças às redes sociais, pode saber-se muito, sobre qualquer país, ou região, sem nunca por lá ter passado.
A Albânia é a pátria de Enver Hoxa. Um pouco adiante, e se o espaço o permitir, voltarei a esta personalidade política.
Geograficamente, fica situada, falando-se da Albânia, ou situado, falando-se do país, na costa leste do mar adriático, a norte da Grécia e a sul do Montenegro e tendo ainda como fronteiras terrestres o Kosovo e a Macedónia, ambas a leste.
Em termos de área, tem 28.748 quilómetros quadrados, um pouco menos de um terço da área de Portugal. No tocante a população, e segundo o censo de 2010, conta quase três milhões de habitantes, também menos de um terço da nossa própria população.
O seu rendimento per capita era, em 2009, de oito mil dollars, um pouco mais de um terço do nosso rendimento per capita português. No que respeita ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), é-lhe atribuído, para 2010, o valor de 0,719, enquanto que o nosso era de 0,816. Na escala, a nível mundial, Portugal ocupa o 43.º lugar (muito elevado), e a Albânia ocupa o 64.º lugar (elevado). São índices das agências internacionais de notação…
Debruçando-nos sobre os dados que acabo de citar, não será difícil con-cluir que a Albânia se mantém um país pobre, não sei se será o mais pobre da Europa. Entretanto, encontra-se na lista de candidatos que pretendem aderir à União Europeia, cujo pedido de adesão formalizou em 28 de Abril de 2009.
Antes de indicadores de natureza económica e orçamental, outros parece existirem, mais ligados com a transparência politica, por um lado, e suspeitas de elevados índices de corrupção, ao nível da super-estrutura, pelo outro. Esses sim, esses serão os grandes obstáculos à entrada deste pequeno país para o seio da União.
Enver Hoxha, que nasceu a 16 de Outubro de 1908, numa pequena cidade chamada Gjirokastër e morreu em 11 de Abril de 1985, governou o país entre 8 de Novembro de 1941, data em que se libertara da ocupação italiana, no decurso da Segunda Guerra Mundial, e a data da sua morte, 11 de Abril de 1985. Foi o chefe máximo do seu país durante o longo período de quarenta e quatro anos.
Na década de setenta do século passado, em Portugal, viveu-se o nosso PREC, e, nas diversas faculdades, havia as juventudes afectas às mais variadas correntes políticas internacionalistas.
Era o tempo da grande revolução cultural chinesa liderada por Mao Tsé Tung (o grande camarada Mao). O leader da revolução albanesa, que em princípio alinhara pelo modelo soviético, à medida que os chineses foram aumentando o tom das denúncias do regime soviético, apelidando-o de revisionista, foi-se aproximando, muito paulatinamente, dos chineses.
Publicou também, a exemplo do grande camarada Mao, um livrinho vermelho, era o manifesto da revolução albanesa.
Lembro-me ainda, e com alguma vontade, não sei se será de rir, se outra coisa qualquer, de um grupo de jovens estudantes, tudo raparigas, da Faculdade de Economia, cerca de dez anos mais novas do que eu e de outros tantos como eu, a quem chamávamos as “formigas rabitortas”, que eram da FEC-ML (Frente da Esquerda Comunista – Marxista Leninista), da LCI (Liga Comunista Internacionalista), do MRPP (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado) e outros ainda, com siglas e sentidos em tudo semelhantes.
Dessas activistas, hoje não conheço nenhuma, eram bastante mais novas do que eu. Licenciadas em Economia, pela Universidade do Porto, todas elas não estarão muito abaixo de direcções gerais, assessorias ministeriais e muitas outras coisas que tais. Elas devem, muito naturalmente, ter deixado para trás das costas o marxismo-leninismo puro e duro à moda de Enver Hoxha.
Voltando a Enver Hoxha, ele, depois de se ter distanciado dos soviéticos, um pouco por culpa dos jugoslavos, acabou também por se desentender com os chineses, alegando que aqueles estariam a negociar com os Estados Unidos da América, país que apelidavam de tigre de papel, no tempo em que Jimmy Carter era o presidente.
Em treze de Julho de 1978, a China cortou todo o auxílio à Albânia, país que, a partir daquela data, passou a não ter um único aliado. As minhas amigas “rabitortas”, que ao tempo ainda seriam estudantes de Economia, não deverão ter ficado muito lisonjeadas com o acontecimento.
Consta-se que Durão Barroso, Pacheco Pereira, Pina Moura e muitos outros também militavam por aquelas áreas, refiro-me às simpatias pelos livrinhos vermelhos do grande camarada Mao, e do grande resistente solitário da Europa do Sul, o carismático leader Enver Hoxha.
Nota-se, à vista desarmada, que todos estão do outro lado. As “rabitortas”, que dava mesmo a sensação de se orgasmarem sempre que exibiam e falavam do livrinho vermelho de Enver Hoxha, devem, muito prova-velmente, estar com eles, na mesma nau, na mesma rota política. Nunca se sabe!
Actualmente, a Albânia é uma república parlamentarista. O Presidente é Bujar Nishani e o Primeiro Ministro é Edi Rama.

(O autor escreve segundo a antiga ortografia)

*Colaborado

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.