Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-10-2013

SECÇÃO: Recordar é viver

Fundação
O Mosteiro de Refojos

O Mosteiro de Refojos fica situado em pleno coração da vila. A sua sumptuosidade comprime os corações e domina, pela sua imponência, todos os edifícios que lateralmente ornam o largo. É o monu mento português que mais assemelha com a famosa Basília da Estrela que a Rainha D. Maria I erigiu em Lisboa.
A história do Mosteiro de Refojos é a história da freguesia ou antiga vila de Refojos de Basto a que D. Dinis deu foral em 1307 e D. Manuel I foral novo em 1514.
Perde-se na noite dos séculos a história da fundação do Mosteiro de Refojos.
Sumptuoso convento de monges beneditinos, teria sido fundado no ano de 670 pelo rico homem Hermígio Fafes, reinava Recesvindo, filho do rei godo Chindasvinto. No entanto, alguém afirma que o fundador teria sido Gomes Soeiro cujo retrato, um grande quadro e óleo guardado no salão do capítulo, ostenta a célebre legenda: D. Gomes Soeiro, fundador deste Mosteiro, em 670.
Durante a dominação árabe não deixou de lá ser praticada a região católica, florescendo mesmo no aumento dos seus religiosos que foram, naquela remota era, em número de 67.
No século XI viveu um “dommo” Mendo, um dos mais antigos possessores, talvez o Abade D. Bento Mendes que comprou a D. Afonso Henriques, o couto de Refojos, por 800 morabitinos, como consta de um quadro que representa o D. Abade fazendo entrega da quantia a El-Rei, recebendo dele a carta de mercê que reza assim, na tradução portu-guesa:
- Eu, Egrégio D. Afonso, por amor de vós, Bento Mendes, que muito estimo, faço couto para o Mosteiro de Refojos, firme e valioso, por oitocentos morabitinos, que de vós recebi, o tudo quanto nele pertence, dou por livre e absoluto, etc.
O Mosteiro era governado por abades perpétuos, mas no reinado de D. Duarte passou a sê-lo por abades comendatários, que fruíam benefício de comenda (Comenda benefício antigamente concedido a eclesiásticos e a cavaleiros de ordens militares). Isto no ano de 142, ainda que certos autores, como Pinho Leal, sustentem a data de 140, reinado D. João, o da Boa Memória. D. Gonçalo Borges foi o primeiro Abade Comendatário que “com grande ostentação logrou aquele lugar trinta e quatro anos, no fim das quias lhe sucedeu, por renúncia sua, seu sobrinho Dom Diogo Borges.
D. João III doou-o em 1525 a seu filho bastardo D. Duarte, arcebispo de Braga e prior-mor de Santa Cruz de Coimbra e mais tarde a Frei Diogo de Murça que obteve do Papa Paulo III um breve para se extinguir o convento e, com as avul-tadas rendas dele, fundar em Coimbra os colégios de S. Bento e S. Jerónimo, empregando ainda o remanescente na fundação de um Instituto para doze eclesiásticos pobres (1549).
Os frades de Refojos recorreram e tão boas e sábias razões alegaram, que o próprio Frey Diogo de Múrcia que aqui fez grandes obras, requereu ao Pontífice a conservação do Mosteiro e foi o Papa Paulo IV, que em 1555, autorizou a conservação do convento.
E daí até 1570, data em que Frey Diogo morreu, sendo sepultado na capela-mor, não cessou a sua iniciativa de fomentar os acrescentados desta casa religiosa, que só em 1690 de todo se concluiu, ficando então um dos mais sumptuosos monumentos da província”.
Em 1570 entraram os abades trienais pela reforma ordenada pelo Papa Pio V. A sua história continuou depois, sem grandes mudanças, mas começou a decair do seu fausto antigo, sendo, por vários vezes, colégio de ordem, e em 1834 ainda tinha 1 abade, 1 prior, 12 monges e 25 criados. A sua famosa e valiosíssima biblioteca foi mandada para Braga, em 1838. Além dos livros roubados durante os 4 anos em que esteve ao abandono, após a supressão das ordens religiosas (1834), foi o resto tão mal acondicionado que muitas se perdem pelo caminho(...)

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.