Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-10-2013

SECÇÃO: Recordar é viver

Ainda sobre o Basto

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Caros leitores, antes de mais, para aqueles que vieram passar férias a Cabeceiras de Basto, no período das Festas de S. Miguel, desejo que as tenham passado bem, se tenham divertido, durante os dias de festejo e também, tenham visitado a nossa terra mais ao pormenor onde puderam admirar as “transformações maravilhosas” que se vão fazendo ao longo dos anos e da vossa ausência por esse mundo fora.
Quero dizer com isto que, além do divertimento e da alegria contagiante dos diversos dias de feira, me refiro sem dúvida, a outras satisfações e alegrias nas visitas ao nosso património, onde se incluem, o património edificado como, a Casa da Lã, o museu das Terras de Basto, o Núcleo da Arte Sacra, a Casa do Tempo, o grande Núcleo Interpretativo da Vida Selvagem assim como, a Casa do Pão, em Moinhos de Rei inaugurados há pouco tempo.
Todo este património, tem recebido milhares de visitantes. Uma coisa nunca vista! Todos que por lá passam ficam admirados e muito satisfeitos pelo facto da nossa terra, possuir coisas admiráveis e de interesse histórico.
Hoje, não era meu propósito alongar-me nestes considerandos sobre o património edificado, sobejamente conhecido por todos ou quase todos que visitam Cabeceiras de Basto. Encontrei uns documentos soltos e um deles sobre o Basto, mais propriamente sobre uma lenda sobre ele. Não tem assinatura do autor nesta folha mas, talvez tenha sido extraída da primeira mono-grafia de Cabeceiras escrita pelo nosso colaborador, um homem da nossa terra, Francisco Victor Cunha, filho do nosso conhecido cabeceirense, o senhor Magalhães da Ponte de Pé.
Já muito se tem falado e até escrito, sobre o Basto e sobre o Mosteiro de S. Miguel mas, nunca é de-mais relembrar, até porque, nem todas as pessoas tiveram acesso aos livros ou a outros jornais fora da terra, em especial quem está fora do concelho ou no estrangeiro. São os jornais locais, neste caso o Ecos de Basto, que vai divulgando a nossa cultura para dentro e fora da terra.
Então com a devida vénia de quem escreveu,
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fernandacarneiro52@hotmail.com
*Colaboradora



O BASTO
(A lenda )

O Império Visigodo não resistira nos ataques ferozes dos soldados de Tárik. A batalha do Guadalete foi o último canto de cisnes dos defensores godos que durante três centúrias imperaram nas risonhas planícies e agrestes serras da Ibéria. Espalhando o terror e a desordem, os cavaleiros de Mohgub avançavam sempre. Nada os detinha na sua louca aventura sedentos de sangue, ébrios de glória. As novas das suas arremetidas chegaram aos devotados servidores do Abade do Mosteiro de S. Miguel de Refojos. Não acreditaram, porém. Mas Bracara Augusta cai, também, sobre as espadas dos fanáticos muçulmanos. Então, acreditaram. Prepararam-se para a defesa. Não passavam, porém, de uma escassa centura de servos fiéis e homens de armas, agrupados em torno de D. Gelmiro, o venerando Abade do Mosteiro. Mas, entre eles, avultava um homem gigantesco e ruivo, de grandes e possantes membros, barba encarapinhada num rosto cheio de cicatrizes de mil golpes. Era Hermígio Romarigues parente do fundador do Mosteiro, que, estendendo a mão enorme, indicava a ponte estreita que vedava a Ribeira, assegurando:
- “ Até ali, por S. Miguel; até ali, basto eu!”.
E bastou! Os mouros arremeteram furiosamente contra as fracas defesas do Mosteiro. Por três vezes pareceu levarem a melhor, mas por três vezes apareceu a espada, tinha sangue, de Hermígio Romarigues e os mouros recuaram. A ponte da ribeira, onde o combate fora medonho e tremendo, atulhou-se de corpos; e os chefes infiéis, esmagados de pavor e espanto, trataram com o Abade D. Gelmiro e seu cabido, de igual para igual…
Quanto a Hermígio Romarigues, “O Basto” – Esse veio a imortalizar-se no meio dos ilustres e esforçados companheiros de El-rei Pelágio, nas correrias aventorosas que de Covadonga partiram(…)









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