Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 16-09-2013

SECÇÃO: Correio do Leitor

Correio do leitor

Venho por este meio de comunicação que tenho ao meu dispor, ou então o telefone. Penso que não sou bota de elástico, mas a vida de um cabeceirense que deixou a sua querida e amada terra, no dia dezoito de março de 1944, já casado, um dia triste, pesado de nuvens, assim como vinha pesada a minha alma. A vida é feita de contingências.
Não tive tempo para me poder embrenhar nessas maquinetas, que todas elas tem dois lados, o muito bom e o mau. No entanto, sei como todas essas coisas funcionam. Fui-me cultivando, lendo e escrevendo.
Ainda não há muito tempo, ofereci à nossa Biblioteca 400 livros. Quando me for desta vida, meu filho se encarregará de mandar ou levar o resto que completará o número 1000, alguns da minha autoria.
Em Lisboa onde residi por cinco anos, foi-me muito difícil viver. Decorria a segunda Guerra Mundial.
Nunca deixei a música, toquei por aqui em diversas Bandas Filarmónicas, onde fui admirado por colegas e Maestros. Porém, deixar a minha Banda, a minha terra, os meus amigos! Oh, quantas lágrimas vertidas, quantas recordações, que guardo no escrínio das minhas saudades! Por fim, quero agradecer a todos que de uma maneira ou de outra, interferem na feitura do nosso Jornal, Ecos de Basto. Ao Conselho de Administração, seus diretores, subdiretores, editores, responsáveis pela publicidade, o meus agradecimento pelo cantinho que me deram com foto e tudo, não tenho com que vos pagar, a alegria que me destes, a maneira maravilhosa de estar ligado aos meus conterrâneos e amigos, que ainda aí tenho. Muito obrigado.
Desejo ao mesmo tempo que o senhor Dr. China Pereira, ganhe a nossa Autarquia por grande maioria, para continuar a obra deixada pelo Autarca Maior, que Cabeceiras recebeu até ao dia de hoje, o senhor Engenheiro Joaquim Barreto. Nós que moramos cá longe, sabemos o que foi e o que é agora a nossa terra, como cresceu e se alindou, não só a vila, mas todas as dezassete freguesias.
Uma obra de gigante. Se for preciso ajudar em alguma coisa, daqui do Cacém, estamos prontos para ajudar o sr. Dr. China Pereira. Quero agradecer ao meu amigo e colega músico, Baltazar Mendes filho de um dos meus saudosos Mestres, António Mendes. O outro foi José Ferreira Maciel. Obrigado Baltazar.
Segundo Confúcio, “o príncipe governa pelo seu poder moral (virtude). Se não for capaz de propor um exemplo moral se não conseguir manter e pro-mover os ritos e a música (as duas manifestações da civilização), priva-se da beldade dos seus ministros e da confiança do seu povo.
A confiança do povo é a fonte suprema e fundamental do Estado: quando se perde a confiança do povo, o país está condenado”. Confúcio.

Cacém,
Jaime Sousa e Silva

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