Arquivo: Edição de 29-07-2013
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SECÇÃO: Recordar é viver |
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O meu retorno ao Alto Minho Meus caros leitores, após dois anos decidi regressar às terras que considero a minha segunda casa. Por motivo sobejamente conhecido de todos vós não fui visitar estes lugares que tanto amo, a seguir à minha terra, Cabeceiras de Basto. Este ano, decidi que nestas pequenas férias iria retornar aos nossos locais preferidos. Queria provar, com isso, que seria capaz de me desenrascar sozinha. Pensei e assim fiz! Meti os “pés ao caminho” como quem diz… o carro, levei a companhia do meu neto Francisco de dez anos e lá fomos os dois, fazendo o mesmo percurso, entrando na auto estrada do Arco de Baúlhe, (sim, nós os cabeceirenses, também temos auto estrada) e lá fomos em direcção a Vila Nova de Cerveira, mais concretamente até ao Hotel “Minho Belo”, cujos donos – a professora D. Ester e o senhor José, funcionário aposentado da Câmara de Vila Nova de Cerveira – são os meus amigos há bastantes anos. Foi com muita emoção que entrei naquele local onde tantas vezes ficávamos! Como sempre, fui recebida muito bem por este casal simpático! Durante a semana fui intercalando as mini férias com visitas ao património local, nomeadamente aos museus (Aquamuseu do Rio Minho), à Biblioteca e às Muralhas de Cerveira, para que o Francisco saiba um pouco mais da história destas terras sem ser só a vertente da praia e lazer. Este ano vai iniciar o quinto ano e um pouco de cultura geral só lhe faz abrir os horizontes. Já o meu marido tinha por hábito em todas as férias ir sim às praias mas, sobretudo, tinha saber ao pormenor a história do património material e até do imaterial da terra em que ficássemos! Tudo me foi necessário neste meu hobby, a escrita. Fiquei surpreendida com a decoração das ruas principais de Vila Nova de Cerveira. Os moradores, muito orgulhosos das suas praças e das suas ruas, decidiram enfeitá-las de uma maneira pouco habitual mas que deixou todos quantos nelas passavam, maravilhadas pela originalidade. Estavam cobertas, ao longo da rua, com guardas sóis e pendendo das varandas das casas estavam tiras de tecidos de todas as cores. Realmente nunca me lembraria de uma decoração tão original. Eram tantos os guarda sois por cima da rua que, se chovesse, quase ninguém apanhava chuva. Era tudo lindo, lindo! Fui dividindo o lazer entre Cerveira, Caminha, Moledo, Praia de Âncora e naturalmente, Monção (as termas) terra onde vivi desde bebé até cerca dos sete a oito anos com os meus pais, que eram feitores numa quinta, na Valinha, uma freguesia do concelho de Monção. Vou sempre visitar a Praça de Caminha, fazendo a visita costumeira à Igreja lindíssima de Santa Rita de Cássia, uma Santa por quem tenho devoção. Há vinte e um anos que têm um grande espaço em plena praça, local maravilhoso para se relaxar a lanchar, tomar um café com pastéis doces ou salgados e até comer uma pequena refeição. Nesse local maravilhosamente bem posicionado além de provarmos um bom café ou outras coisas podemos apreciar toda a Praça do Chafariz, a Torre do Relógio, o bonito edifício da Câmara Municipal de Caminha que no rés do chão tem umas arcadas. Aproveitei para falar com eles que como sempre me atenderam a mim e aos meus familiares com muito carinho. Fui cumprimentando aqui e ali alguém conhecido e, no fim de semana, apreciei a Feira Medieval que já é famosa em Caminha e em Cerveira. Há dois anos que não pisava e sobretudo não respirava o ar da Praia de Moledo. No paredão olhei ao longe, e inspirei com força aquele “cheiro a mar” do qual eu tinha tantas saudades! Movida pela tristeza ao sentir a falta de alguém que, pela primeira vez não estava a meu lado, fiz um esforço para não verter as lágrimas que teimavam em cair para não deixar triste o meu neto Francisco. Com a chegada dos filhos e restantes netos a meio da semana fiquei mais feliz pelo facto de os ter perto de mim. E aqui para nós, que ninguém “nos ouve”, já não tenho pedalada para correr atrás dum neto de dez anos como tem o Francisco que é cheio de vida de maneira que, com a chegada da tia e dos primos, dividimos as responsabilidades. Apesar da nostalgia, gostei muito do meu retorno à minha segunda terra! |
