Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 25-03-2013

SECÇÃO: Reportagem

Espetáculo Inédito da Oficina de Interpretação

Diogo Pacheco, Paulo Gonçalves e Rita Duarte atores do CTCMCB
Diogo Pacheco, Paulo Gonçalves e Rita Duarte atores do CTCMCB
‘De dentro de nós. Para fora. Para vós’ promete envolver, surpreender e emocionar o público

O Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto (CTCMCB) está em contagem decrescente para a apresentação do espetáculo ‘De dentro de nós. Para fora. Para vós’, uma encenação inédita que promete envolver, surpreender e emocionar o público nos dias 12, 13 e 14 de abril.
Trata-se de um espetáculo único. Primeiro porque na sua criação estão 27 jovens e adultos que frequentam a Oficina de Interpretação do CTCMCB. Segundo porque se trata de uma peça itinerante, com três apresentações ao público na Casa do Povo do Arco de Baúlhe (dia 12 às 21.30 horas), no Auditório do Mercado Municipal (dia 13 às 21.30 horas) e no Centro Comunitário de Cavez (dia 14 às 17.00 horas). O objetivo é descentralizar as intervenções teatrais, chegando aos vários públicos das diferentes vilas do concelho de Cabeceiras de Basto. E os espetadores, pacientemente, aguardam a sua estreia.
A direção artística do CTCMCB lançou o desafio e os formandos agarraram-no como se não houvesse amanhã. Era chegada a hora porque tanto esperaram. Era chegada a hora de mostrarem os seus verdadeiros ‘Eus’, os seus desejos, os seus medos, as suas angústias, as suas “matreirices” como o mais novo deste elenco apelidou.
Sob a orientação do CTCMCB, Roberto, Armando, Neto e Joana, os 27 lançaram mãos à obra. Escreveram textos, recolheram músicas, partilharam vivências, emoções e um sem-número de coisas que os levou a descobrirem-se a si próprios e aos outros. A todos os que integram esta encenação teatral que o título tão bem sugere: ‘De dentro de nós. Para fora. Para vós’ e que muito em breve vão poder partilhar com toda a comunidade.
A peça fala, por isso, sobre todos em geral e de cada um em particular, um espetáculo criado, na totalidade, pela Oficina de Interpretação sob a direção do CTCMCB.
Tal como se lê na sinopse: “primeiro eles obrigaram-nos a escrever e nós escrevemos. Depois eles pediram para escrever mais, para continuar a escrever e nós continuamos. Depois disseram-nos para confiar uns nos outros e nós confiamos. Contamos os nossos segredos, contamos anedotas… sem graça… partilhamos imagens, partilhamos sonhos, medos. E por fim disseram-nos que éramos criadores e nós criamos.
Esta peça nasce daquilo que sonhamos, do futuro que nos espera e do presente que vivemos. Não podemos parar, não podemos pensar, temos de realizar e concretizar. É claro que o mundo não pára por nossa causa, ele continua… Mas é aqui que queremos estar daqui a 30, 40 anos… isto somos nós. Isto é o que nós queremos dizer”.
De acordo com Neto Portela, diretor do CTCMCB, o grupo começou por fazer vários trabalhos, onde pudessem “expressar tudo aquilo que queriam dizer. E nós sentimos que a cada dia se estabelecia uma corrente cada vez mais forte. Aqui funcionamos mais como um confessionário, onde ninguém tem medo de dizer aquilo que pensa de verdade e o público vai poder participar de todo este trabalho”, explicou.
Trata-se de um novo espetáculo intimista, “uma experiência fabulosa em termos de dramatização e a direção do CTCMCB agradece a todos pela sua coragem. É uma experiência muito gratificante e eu saio emocionado deste trabalho”, revelou Neto Portela, valorizando as ligações intergeracionais deste projeto.
Rita Duarte em entrevista à Rádio Voz de Basto e Ecos de Basto
Rita Duarte em entrevista à Rádio Voz de Basto e Ecos de Basto
Ao contrário de todas as outras apresentações públicas, este é um espetáculo itinerante “que vai ter com as pessoas e, nesse sentido, estamos a dar um passo muito importante”, justificou.
Com o intuito de dar a conhecer o seu trabalho às diferentes comunidades, os atores vão divulgar o espetáculo no Arco de Baúlhe, em Cavez e na vila de Cabeceiras de Basto, mostrando que “o teatro está vivíssimo” nesta Terra de Basto.
O CTCMCB tem experimentado “diferentes estéticas do fazer teatral”, o que leva as pessoas a “identificarem-se com o teatro”, considerou Neto Portela, referindo que neste espetáculo, em particular, “pegamos em 27 mundos diferentes, vamos levá-los à cena e, seguramente, o público vai identificar-se com algumas das pessoas em palco”. “Assistir a este espetáculo é algo de muito emocionante”, afirmou o diretor do Centro de Teatro.
O espetáculo tem uma lotação de acordo com os locais onde será exibido.

 CTCMCB apresentou novo espetáculo
CTCMCB apresentou novo espetáculo
Aqui ficam os testemunhos de três artistas/criadores que integram o elenco e que ficarão, certamente, para a história do CTCMCB.
Rita Duarte, 18 anos: os nossos formadores pediram-nos para escrevermos textos acerca de nós próprios. Para recolhermos músicas e tudo aquilo que nos pudesse identificar. Depois de cada um apresentar a sua recolha foram feitos vários jogos para que os formadores também nos pudessem conhecer um pouco mais.
O objetivo foi criarmos um espetáculo nosso e com o qual nos identificássemos totalmente. E eu gostei particularmente desta ideia porque é uma forma de nós mostrarmos mais aquilo que somos e do que gostamos e podermo-nos identificar mais com aquilo que fazemos.
Tanto eu como os meus colegas fizemos este trabalho com muito gosto porque se trata de algo muito mais nosso. Depois de ver o trabalho concluído vi que realmente era eu.
Ao mostrarmos aquilo que somos vamos mostrar também os nossos medos, aquilo que nós mais desejamos e aquilo por que já passámos e também as formas de lidar com isso.
Eu entrei no grupo há pouco tempo mas somos um grupo muito unido e isso vai notar-se neste espetáculo porque nele se vai refletir isso mesmo. Há muitas coisas que não são ditas no à vontade e aqui vamos conseguir mostrar tudo isso. O público vai ver não só a nossa personagem mas a pessoa que nós somos.
Nós aprendemos todos os dias, como aliás todos aqui aprendem.
Estamos de braços abertos para vos receber.

Paulo Gonçalves, 20 anos: O grupo há já algum tempo que manifestava vontade de criar um espetáculo, todo ele, nosso, dos formandos. E nós recebemos este desafio com agrado porque era precisamente aquilo que queríamos, algo inteiramente nosso. Para nós foi um trabalho cinco estrelas e, no que me toca a mim, adorei.
O teatro serve para nós nos libertarmos. No teatro exprimimos aquilo que sentimos verdadeiramente, ao contrário daquilo que fazemos na rua. No teatro fazemos o que queremos sem sermos recriminados.
Nós sentimos o peso da responsabilidade, que é maior do que a que tínhamos antes, mas estamos confiantes.
Este espetáculo tem uma interessante mistura de sensações, desde o amor ao terrorismo. Podemos dizer que são misturas daquilo que é a sociedade hoje, desde que nascemos até à atualidade e era isso que nós também pretendíamos mostrar através dos nossos próprios testemunhos. Seremos nós próprios a representar aquilo que somos na realidade.
Para realizarmos esta peça partilhamos tudo uns com os outros: os mais novos com os mais velhos e vice-versa.
Venham ver o espetáculo que não se vão arrepender. Os mais sensíveis até poderão chorar!

Diogo Pacheco, 12 anos: Foi uma proposta engraçada, em que fizemos vários jogos e nos pudemos divertir. No fim, fiquei orgulhoso com o nosso trabalho. Descobri outras partes matreiras que eu tenho em mim, descobri as partes boas, as partes mais sensíveis. Descobri as minhas anedotas, que eu tinha cá guardadas e que não contava para ninguém. E na peça vai haver uma parte em que eu irei ser uma pessoa que nunca fui e gostei muito do que me propuseram.
Foi-nos dada a possibilidade de sermos criadores e no princípio assustei-me porque pensei que cada um ia preparar as suas falas. Entretanto tirei as minhas dúvidas e fiquei mais aliviado porque percebi que se tratava de um trabalho em conjunto e não individual. Neste grupo, relaciono-me com todos como uma família e tem sido muito bom trabalhar com eles. Os formadores estão constantemente a incentivar-nos e dizem que nós não podemos parar. Temos de estar sempre a mexer-nos porque isso é realmente o que temos de fazer.
O teatro sempre foi uma paixão e nunca irei deixar de querer o teatro porque o meu sonho é ser ator e o CTCMCB está a ajudar-me.
O espetáculo é muito divertido e as pessoas vão gostar, sobretudo a minha família que vai conhecer um dos parentes que não conhecia.

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