Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 04-03-2013

SECÇÃO: Entrevista

Serafim China Pereira determinado em continuar projeto

China Pereira é o rosto do PS à Câmara Municipal
China Pereira é o rosto do PS à Câmara Municipal
O atual presidente da Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto, Dr. Serafim China Pereira é o rosto da candidatura do PS à Câmara de Cabeceiras de Basto. Médico de profissão e político, desde muito jovem, China Pereira tem um profundo conhecimento, das suas gentes e das suas dificuldades, tratando pelo nome a grande maioria, se não todos, os habitantes do concelho.
A cerca de seis meses das eleições autárquicas, China Pereira garante estar determinado em “ajudar a desenvolver Cabeceiras de Basto e a dar continuidade à obra que o Engº Joaquim Barreto construiu ao longo de quase 20 anos”.
O Ecos de Basto partilha, agora, com os seus leitores a entrevista a Serafim China Pereira.

Ecos de Basto (EB): Sendo um filho adotivo de Cabeceiras de Basto, como se sente nesta terra?
China Pereira (CP): Quero dizer que me sinto bem e que gosto muito de viver em Cabeceiras de Basto. Nasci no Gerês, em 28 de novembro de 1954, mas vim, em 1959, para esta terra, onde fiz a instrução primária até à terceira classe no Campo do Seco e a quarta classe e exame de admissão no Externato S. Miguel de Refojos. Depois frequentei os sete anos de liceu no Sá de Miranda, em Braga, e em 1972 ingressei na Faculdade de Medicina do Porto, onde concluí a licenciatura.
A qualidade de vida em Cabeceiras de Basto permite-nos usufruir de tempos de sossego, de descanso, de práticas desportivas e de bem-estar e tenho dito aos meus amigos que era incapaz de viver numa grande cidade. Aqui temos condições que as cidades não têm e com as boas acessibilidades existentes facilmente, nos deslocamos aos grandes centros urbanos quando é necessário.
EB: Qual a sua relação com o meio e qual a sua relação afetiva com as pessoas?
CP: Depois de concluir o curso de medicina e de ter passado pelo Hospital de Bragança e pelo Hospital de S. João, no Porto, decidi fixar-me definitivamente em Cabeceiras de Basto, em setembro de 1982. Foi também por essa altura, em 31 de dezembro de 1983, que me casei e que decidi organizar toda a minha vida nesta terra que é onde me sinto bem e sou feliz, como já lhe disse.
Sempre tive uma relação muito próxima com as pessoas e quero dizer que conheço, senão todos, a grande maioria dos habitantes do concelho, não só pelo facto de ser médico, mas também devido à atividade pública política e associativa que fui desenvolvendo e que me aproximou dos cidadãos, numa relação de grande convivência e de diálogo. Este relacionamento não se consegue nas grandes cidades. Aqui toda a gente se conhece. Existe uma ligação franca, afetiva e de grande proximidade entre todos e criam-se fortes laços humanos de amizade e de solidariedade, o que contribui também para o bem-estar de todas as pessoas. Gosto, por exemplo de praticar desporto com os meus amigos o que faço todas as manhãs de domingo. Uma prática que vem de longe. Fui, aliás jogador do Atlético Cabeceirense e do Outeiro até aos 34 anos.
EB: Como vê Cabeceiras de Basto em termos do território?
CP: Até 1994 tínhamos muitos lugares e freguesias com maus acessos e hoje Cabeceiras tem boas acessibilidades a todas as aldeias, seja na zona de montanha ou na parte mais a sul do concelho. Hoje as pessoas deslocam-se com mais facilidade e em segurança para todo o lado. Criaram-se melhores condições para os residentes mas também para a sua fixação. Por outro lado, a existência de estradas promove o turismo. De que nos valeria possuir bonitas paisagens e património tão diversificado, se depois ninguém lá conseguisse chegar?
EB: Que importância tem movimento associativo local?
CP: Desde 1994 que se assistiu a um aumento muito significativo do número de associações que resultaram da vontade de cidadãos com interesses comuns e que se juntaram para dar resposta às necessidades que sentiam. Hoje teremos registadas cerca de 80 associações, número que é revelador de um forte dinamismo do movimento associativo concelhio. Não é alheio a este facto o apoio que a Câmara Municipal foi dando a essas instituições, tendo nestas verdadeiros parceiros da promoção do desenvolvimento.
EB: Foi presidente da direção dos Bombeiros Cabeceirenses. Como se sentiu no exercício dessas funções? Pertence a outros organismos públicos/privados? Quais?
CP: Fui presidente da direção dos Bombeiros durante 12 anos (1994 a 2006) e sou atualmente o presidente da Assembleia-geral. Para mim, a corporação dos bombeiros é das associações mais importantes do concelho, não só pelo socorro que prestam às populações mas também pelo combate aos incêndios, designadamente os florestais, que são um flagelo nas épocas quentes de verão.
Quando cheguei à direção da instituição, uma das minhas principais preocupações foi dotar os bombeiros de todos os meios necessários para que pudessem exercer as suas funções com empenhamento, dedicação e profissionalismo, para poderem prestar um socorro adequado às diferentes situações. Nesse período adquirimos 13 viaturas e muito equipamento de proteção individual. Foi possível realizar obras de requalificação, nomeadamente resolver os problemas das infiltrações de água que existiam no edifício, fazendo também trabalhos de beneficiação no interior do quartel, tornando-o mais cómodo e mais acolhedor. Não esqueço a importante ajuda recebida da Câmara Municipal.
Hoje sou presidente da Assembleia-geral com muito gosto e enquanto os bombeiros de mim necessitarem poderão sempre contar com a minha disponibilidade para ajudar em tudo o que seja necessário. As direções dos Bombeiros sempre tiveram um comportamento cívico exemplar. Nunca se envolveram na política. Espero bem que continuem assim.
Em termos da minha ação profissional e cívica, fui também diretor do Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto, fui presidente da Assembleia-geral do Atlético Cabeceirense e sou sócio fundador da Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto (ADIB).
EB: Como médico, fale-nos da realidade da prestação de cuidados de saúde neste concelho, apontando os aspetos positivos e negativos. Quais as respostas existentes ao nível do concelho?
CP: Enquanto fui diretor do Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto foi possível construir o edifício onde funciona hoje o Serviço de Ambulatório e o Serviço de Atendimento Permanente (SAP). Construíram-se também a nova Extensão de Saúde do Arco de Baúlhe e de Cavez, equipamentos de extrema relevância realizados com o forte empenhamento e ajuda do governo de então e da Câmara Municipal.
As nossas instalações são adequadas à função a que se destinam e os serviços de saúde em Cabeceiras não desmerecem com o que acontece a nível do país. Os indicadores de saúde do nosso concelho estão em linha com os indicadores nacionais.
Devo dizer que uma das grandes conquistas do 25 de Abril foi o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que permitiu prestar melhores cuidados de saúde, de uma forma generalizada, a toda a população.
Hoje temos a Unidade de Saúde Familiar ‘O Basto’ que funciona na sede (Centro Saúde), a Unidade UCSP do Arco de Baúlhe e Cavez, a Extensão de Saúde em Cavez e o SAP a funcionar no período noturno, entre as 20.00 e as 08.00 horas. Neste momento temos também a Unidade de Internamento acoplada ao Centro de Saúde, sob gestão do Centro Hospitalar do Alto Ave, de Guimarães, para internamentos até 30 dias. Em construção está tam-bém a Unidade de Convalescença da Santa Casa da Misericórdia para internamentos de longa duração – superiores a 90 dias e, ainda, a Unidade de Média Duração da Basto Vida do Município, no antigo posto da GNR, que dará resposta a internamentos até 90 dias.
Todas as nossas instalações são relativamente recentes e modernas com boas condições, apetrechadas de acordo com os serviços que prestam à população do concelho e de localidades vizinhas.
EB: Em idade jovem decidiu envolver-se na atividade política. Quais as razões que o moveram?
CP: Sempre participei por vontade própria na atividade política. Considero este envolvimento um ato cívico, um dever de cidadania. Todos e cada um de nós devíamos dar a nossa contribuição para construirmos uma terra mais evoluída, mais desenvolvida, procurando melhorar, do ponto de vista económico, social e cultural, o nosso concelho e a qualidade de vida das suas gentes. Foi nesta perspetiva que decidi abraçar a política. E da minha prestação e atividade cívica e política nunca recebi qualquer remuneração.
Sempre me revi totalmente nos programas apoiados pelo Partido Socialista que foram apresentados nos sucessivos atos eleitorais. Foram projetos de muito rigor, de muita seriedade, empenhamento e trabalho com o objetivo de desenvolver o concelho e promover o bem-estar das populações, o que tem vindo a acontecer de uma forma facilmente notada por todos.
Hoje, tenho um conhecimento muito grande de Cabeceiras de Basto. Conheço bem o seu território e as suas gentes, assim como as suas dificuldades e considero que ainda estou numa fase da minha vida em que posso dar, de uma forma mais intensa, algo de mim para que possamos continuar a aprofundar este projeto do Partido Socialista para bem de Cabeceiras de Basto e dos Cabeceirenses.
EB: E a sua ação política passou por...
CP: Comecei a ter alguma atividade política ainda jovem. Antes do 25 de Abril, enquanto estudante da Faculdade de Medicina do Porto, fizemos algumas atividades em que já demonstrávamos a nossa insatisfação perante o poder político vigente na altura. Aqui, em Cabeceiras de Basto, com os colegas e amigos como o João Freitas, o Francisco Moura Bastos, o António Carvalho do Arco e outras pessoas realizámos algumas iniciativas para manifestar a nossa indignação para muitas das falhas que existiam no concelho, nomeadamente ao nível das dificuldades que as pessoas sentiam.
O 25 de Abril foi uma data inesquecível que vivi intensamente no Porto, na Faculdade de Medicina.
Depois, em 1977 filiei-me no PS e desde essa data tenho sido um militante ativo, fazendo parte dos órgãos dirigentes do PS a nível concelhio, distrital e nacional. Fui, durante muitos anos, presidente da Comissão Política Concelhia, fiz parte das listas do PS para a Assembleia e Câmara Municipal.
Até 1993 estive na oposição, desempenhando funções de vereador, vivi e senti bem as dificuldades porque passámos para desenvolver a atividade política. Conjuntamente com o Engº Joaquim Barreto e outros vereadores, mas também com muitas outras pessoas, lutámos com grande dificuldade por causas e valores que promovessem o desenvolvimento de Cabeceiras. De facto, Cabeceiras de Basto estava parada no tempo e não se vislumbrava progresso nem desenvolvimento porque a Câmara estava acomodada e paralisada. Lutámos contra esse marasmo e estar na política é isso mesmo, trabalhar em prol do progresso e da melhoria do bem-estar de todos os cidadãos.
EB: Enquanto vereador da oposição ao PSD, antes de 1994 e com o atual presidente da Câmara, como viveu essa época?
CP: Na oposição aprendemos muito porque sentimos as necessidades das pessoas. Quando chegámos à Câmara já tínhamos um conhecimento real do que era necessário fazer. E, por isso, quando o PS ganhou as eleições (tomou posse em 5 de janeiro de 1994) deu-se uma autêntica revolução em Cabeceiras de Basto. Das estradas, às infraestruturas, aos equipamentos, ao património, à cultura, à ação social, Cabeceiras nunca mais parou. Naturalmente, muito devido ao grande empenhamento, dinamismo e vontade de trabalho do Engº Joaquim Barreto que fez com que o concelho se transformasse completamente e que eu acompanhei e apoiei sempre ativamente e sem reservas. Nos primeiros dois mandatos estive a seu lado como vereador e nestes últimos como presidente da Assembleia Municipal. Estou ligado ao PS desde 1977, como já lhe disse, e naturalmente aos projetos que se foram concretizando porque me identifico com os ideais e com o trabalho que o partido e os seus autarcas desenvolveram em Cabeceiras de Basto.
EB: Como se sente no cargo de presidente da Assembleia Municipal?
CP: Sinto-me bem. A Assembleia Municipal é um órgão deliberativo que tem como função aprovar os planos de atividade, os orçamentos e as contas da Câmara Municipal. É também um órgão fiscalizador da atividade da Câmara e sobre isso posso dizer-lhe que tem havido sempre uma estreita e profícua colaboração entre a Câmara e a Assembleia Municipal num objetivo comum: servir Cabeceiras e os cabeceirenses. Deixe-me dizer-lhe da grande preocupação que tenho com a crise que afeta o país. Uma crise que o Governo tem agravado em vez de resolver. Uma crise em que o desemprego é de grande preocupação.
EB: Qual o balanço que faz destes anos à frente da Assembleia Municipal?
CP: O balanço é muito positivo. Hoje temos um concelho desenvolvido, um concelho com mais infraestruturas, com mais equipamentos, com mais cultura, com mais respostas educativas e sociais, com mais e melhor ambiente e isso deve-se ao trabalho conjunto dos órgãos das autarquias, Juntas de Freguesia, Câmara e Assembleia Municipal, e da forma como desenvolvem o seu trabalho, assente também em muitas parcerias com a própria sociedade civil. A Assembleia Municipal tem sabido corresponder àquilo que os cabeceirenses dela exigem. Ou seja, colaborar na execução dos programas que os eleitores escolheram. Quero aproveitar esta oportu-nidade para realçar o bom trabalho e a cooperação das autarquias de freguesia, Juntas e Assembleias de Freguesia, nomeadamente dos senhores Presidentes de Junta.
EB: Hoje Cabeceiras de Basto não se compara com o período anterior a 1994. Quer referir mais alguma diferença?
CP: Posso falar das redes de abastecimento público de água e saneamento, das estradas e caminhos, dos equipamentos públicos de excelente qualidade e valia de que são exemplo o centro hípico, o centro de educação ambiental, os museus, a biblioteca, a casa da música, as piscinas, os pavilhões desportivos, polidesportivos, pista de pesca desportiva e tantos outros. E não podemos esquecer o novo Parque Escolar que orgulha os cabeceirenses e que proporciona, hoje, melhores condições de aprendizagem e ensino quer aos alunos quer aos professores. Ou, ainda, os parques industriais que têm captado investimentos. Mas também a criação dos Espaços de Convívio e Lazer, os apoios sociais às famílias, as bolsas de estudo, as refeições escolares, os medica-mentos sociais e muito mais.
EB: Quais os motivos que o levaram a aceitar ser o candidato do PS à presidência da Câmara?
CP: Tal como já lhe disse antes, sinto que posso ser útil ao meu concelho, continuando e aprofundando a obra que o PS, através da equipa muito bem liderada pelo Engº Joaquim Barreto com o apoio dos Cabeceirenses, construiu ao longo destes 20 anos.
Tenho vontade, força, coragem e determinação para trabalhar em prol da terra que eu gosto e da terra onde eu me sinto bem. Quero, também, com o meu esforço, contribuir para que Cabeceiras de Basto prossiga esse caminho de desenvolvimento.
Mas, a decisão de me candidatar resultou da conjugação de outros dois fatores: ser apoiado pelo PS, o que veio a acontecer em eleições na Comissão Política e que o Engº Joaquim Barreto se disponibilizasse para ser candidato à Assembleia Municipal, o que também se veio a confirmar.
EB: Conta com o apoio e a colaboração do presidente Joaquim Barreto?
CP: Acredito que o apoio de Joaquim Barreto é e será incondicional. A colaboração que tenho a certeza que me vai prestar será oportuna e fun-damental. O seu conhecimento, a sua experiência, o seu dinamismo e o gosto pela nossa terra serão importantes, não só enquanto Presidente da Assembleia Municipal, mas também como um amigo e cidadão interessado em partilhar essas qualidades na prossecução da gestão da autarquia.
EB: Como tem sentido a aceitação dos Cabeceirenses à sua candidatura?
CP: Aquilo que eu posso dizer neste momento é que os cabeceirenses depositam confiança e expectativa na minha candidatura. Conhecem-me bem e eu tenho sentido palavras de incentivo e de apoio para continuar a desenvolver Cabeceiras de Basto e a fazer progredir o nosso concelho. É esse, de facto, o apoio e carinho que tenho sentido.
EB: Como vê o futuro de Cabeceiras de Basto?
CP: Sei bem as dificuldades que o país e as autarquias atravessam, mas Cabeceiras de Basto é uma terra que tem futuro e eu acredito nos cabe-ceirenses.
Sei que os cabeceirenses estão interessados no progresso e, todos em conjunto, iremos trabalhar para continuar a desenvolver a nossa terra. Eu estou disponível para essa tarefa. É um projeto coletivo onde todos são importantes, independentemente da sua posição político-partidária. Cabe-ceiras de Basto é um concelho de gente de trabalho, de vontade e de dedicação que agarrará com todas as suas forças o futuro que tem pela frente.

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